Andrés Sanchez não faz mais parte do quadro de associados do Corinthians . O ex-presidente do clube foi expulso após votação do Conselho Deliberativo (CD) na noite desta segunda-feira. Em suas primeiras palavras após o ato, Sanchez garantiu que quer distância do futebol e pediu para ser esquecido.
"Me esqueçam", declarou o ex-presidente de maneira curta e grossa em contato com a reportagem da ESPN. Na sequência, ele disse estar "tranquilo" e declarou não ter o desejo de voltar a frequentar o Parque São Jorge.
"Não quero (voltar). Aliás, quero distância. Futebol está caro, chato e perigoso", completou, descartando, então, a possibilidade de recorrer da decisão do CD.
A votação foi realizada na sede do clube, no Parque São Jorge, e contou com 167 votantes. A expulsão foi aprovada por 112 deles, enquanto 49 votaram pelo não. Outros seis preferiram se abster no pleito. O processo foi aberto por conta do uso irregular do cartão corporativo entre 2018 e 2021. Andrés Sanchez teria gasto cerca de R$ 480 mil em despesas pessoais com o cartão do clube.
Ao ser questionado sobre isso, Andrés Sanchez ironizou a situação? "Amigo, já foi. R$ 9 mil reais no final de ano no cartão, bêbado. Vida que segue".
Por fim, o ex-mandatário ainda foi perguntando como gostaria de ser lembrado no Corinthians. Andrés comandou o clube em duas ocasiões, entre 2007 e 2011 e, depois, entre 2018 e 2020. A resposta, mais uma vez, foi curta e grossa: "É a vida. (Lembrem) Como quiserem, não é problema meu".
A Comissão de Justiça (CJ) do Corinthians começou a investigação do caso Andrés Sanchez em agosto do ano passado, pouco antes dele ser denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em outubro, pelos crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário . Após a denúncia, o ex-mandatário se licenciou das funções de conselheiro vitalício e integrante do Conselho de Orientação .
O caso foi analisado pela 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo, que inicialmente descartou as acusações de lavagem de dinheiro e falsidade documental . Entretanto, a decisão foi suspensa após o Ministério Público apresentar um pedido de suspeição, alegando parcialidade na condução do processo .
Segundo a investigação, foram identificadas mais de 200 despesas em 31 faturas emitidas entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021. Além do ressarcimento de aproximadamente R$ 480 mil ao Corinthians por danos materiais, o MP também pede uma indenização equivalente a 75% desse montante por danos morais, elevando a cobrança total para mais de R$ 1,1 milhão .