Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians, confirmou a suspensão da Assembleia Geral (AG) dos associados que votaria a reforma estatutária do clube, então marcada para este sábado, 20 de junho. O pleito foi cancelado devido à liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na última terça-feira .
Segundo o comunicado, a votação está suspensa "até decisão judicial em contrário" ou possível reversão da liminar vigente. A decisão foi proferida pelo desembargador Mauricio Campos da Silva Velho, da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que concedeu tutela de urgência em agravo de instrumento apresentado pelos conselheiros vitalícios Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Gonçalves Strenger .
"O Conselho Deliberativo sempre respeitou o Poder Judiciário e assim continuará procedendo, ainda que alguns de seus membros não concordem com eventuais decisões judiciais, o que é próprio da democracia, observando-se sempre o devido e necessário respeito entre as instituições", diz trecho do texto — confira na íntegra abaixo.
Romeu Tuma Júnior ainda destacou a necessidade de "dialogar com todos os atores" envolvidos no processo. Segundo soube o Meu Timão, a ideia é chegar a um consenso sobre os itens que seguirão para votação (caso do texto-base e dos destaques aprovados pelo CD), além da adequação à Lei Geral do Esporte.
O Corinthians também se posicionou sobre a suspensão. Segundo o clube, foram feitas "todas as providências" para a AG, mas a determinação judicial impediu a realização do pleito.
"O Sport Club Corinthians Paulista comunica que efetuou todas as providências necessárias para a realização da Assembleia Geral, que estava marcada para amanhã (20/06). No entanto, em cumprimento de determinação judicial que suspendeu a mesma, o Clube deixa claro aos seus sócios que a assembleia não será realizada neste sábado (20/06)".
No despacho judicial, vale lembrar, o magistrado apontou a existência de "indícios relevantes de descumprimento de regramento procedimental" previsto no próprio Estatuto Social do Corinthians. A decisão menciona especificamente possíveis irregularidades relacionadas ao artigo 97, alínea M, da norma interna do clube, que atribui ao Conselho de Orientação (Cori) a competência para propor alterações estatutárias ao Conselho Deliberativo. Este artigo afirma o seguinte:
Art. 97 - Compete ao CORI:
(...)
M – Propor ao CD, com as respectivas indicações, qualquer alteração deste Estatuto.
Dentre os pontos de discussão, estava a inclusão do direito ao voto do Fiel Torcedor (FT) já em 2026 , que estava em pauta para ser referendada pelos associados, apesar da rejeição do texto-base pelos conselheiros. Ao longo dos últimos meses, o Conselho Deliberativo realizou 11 audiências públicas para debate da reforma estatutária, trazida ponto a ponto pelo Meu Timão ( confira o resumo aqui ).
Neste momento, ainda não há uma nova data para a votação no Parque São Jorge.
Relembre os encontros anteriores dos destaques
O processo de análise do projeto de reforma estatutária pelo CD começou em 29 de abril, quando os conselheiros rejeitaram o texto-base das novas normas e votaram dois dos 15 tópicos que não tiveram consenso durante as audiências públicas: regras para sociedades empresárias e o direito de voto ao que já havia sido aprovado e pode integrar as eleições deste ano caso receba aval da Assembleia Geral dos associados.
Dias depois, os conselheiros votaram outros 13 temas . Entre as principais novidades aprovadas está a ausência de qualquer regulamentação da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) no documento máximo do clube.
As duas apresentadas foram rejeitadas em favor da manutenção do Estatuto atual, que não prevê ritos para adoção do modelo, embora também não impeça uma futura transformação em clube-empresa. Além disso, há previsão de redução do número de membros do CD de 300 para 200.
Outro ponto debatido foi a possibilidade de reeleição do presidente Osmar Stabile. Em meio à falta de clareza do Estatuto, os conselheiros concordaram com uma exceção ao mandatário, que assumiu interinamente em maio do ano passado, em razão da vacância do cargo, e ultrapassaria o limite de 18 meses previsto para completar mandatos.
Apesar da votação no Conselho Deliberativo, cabe à Assembleia Geral a responsabilidade de aprovar ou rejeitar as novas regras do Estatuto, desde o texto-base até os 15 tópicos debatidos. Assim, a participação do Conselho nesses pleitos possui caráter recomendatório.
Confira os 15 temas votados durante as reuniões do CD:
- Regras para sociedades empresárias; Associado de futebol com direito a voto – Fiel Torcedor;
- Composição do Conselho de Ética; Período de carência para votar;
- Controle de eventual SAF;
- Sistema eleitoral para o Conselho Deliberativo;
- Reeleição ao Conselho Deliberativo; Eleição da Diretoria Executiva na Assembleia Geral:
- Composição do Conselho de Ética; Período de carência para votar;
- Controle de eventual SAF;
- Sistema eleitoral para o Conselho Deliberativo;
- Reeleição ao Conselho Deliberativo; Eleição da Diretoria Executiva na Assembleia Geral:
- Composição do Conselho Deliberativo; Orçamento do Conselho Deliberativo; Eleição dos membros do Cori;
- Membros natos do Cori;
- Periodicidade dos balancetes;
- Gerente executivo do Parque São Jorge; Transição da elegibilidade em mandato vago.
Confira o comunicado completo
Tendo em vista a decisão judicial proferida pelo TJ/SP, que determinou a suspensão da Assembleia Geral dos(as) Associados(as) do Sport Club Corinthians Paulista, convocada para o sábado, 20 de junho de 2026, na condição de Presidente do Conselho Deliberativo, esclareço o que segue, para informação dos(as) sócios(as), conselheiros(as), torcedores(as), órgãos de imprensa, veículos de mídia social segmentados e corinthianos(as) em geral:
1 – A Assembleia Geral convocada para votar a reforma do Estatuto Social do Clube, no próximo sábado, 20/06/2026, está suspensa até decisão judicial em contrário ou até fato superveniente que a autorize.
2 – O Conselho Deliberativo sempre respeitou o Poder Judiciário e assim continuará procedendo, ainda que alguns de seus membros não concordem com eventuais decisões judiciais, o que é próprio da democracia, observando-se sempre o devido e necessário respeito entre as instituições.
3 – Independentemente da decisão judicial, diante da necessidade urgente de que o Estatuto Social do Sport Club Corinthians Paulista se adeque às novas leis do país, às novas realidades esportivas e às novas práticas estruturantes de governança, transparência e finanças, esta Presidência buscará unir esforços e dialogar com todos os atores que desejam o bem de nossa instituição, com o objetivo de encontrar uma solução que atenda aos interesses legítimos de todas as partes envolvidas nesse longo processo de reforma estatutária, que já se arrasta por quase uma década.
O propósito é preservar o interesse maior do Corinthians buscando entendimento sobre um texto viável, que possa ser submetido à deliberação dos(as) associados(as) em prazo suficiente para sua entrada em vigor já nas próximas eleições, previstas para novembro.
4 – Nesse sentido, conclamo todos(as) para que, na busca de um entendimento, despidos de interesses menores e de vaidades, empreendam um derradeiro esforço em nome do respeito e do amor que todos(as) dizem ter pelo Corinthians.
São Paulo, 19 de junho de 2026.
Romeu Tuma Junior
Presidente do Conselho Deliberativo do SCCP