Arena Corinthians e os naming rights que viraram folclore

Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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Arena Corinthians e os naming rights que viraram folclore

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Arena Corinthians e os naming rights que viraram folclore

Anunciada há quase 10 anos, Arena Corinthians ainda não vendeu os naming rights

Foto: Bruno Teixeira Rolo

O Atlético Mineiro ainda nem começou a construir seu estádio e ele já tem nome. Além disso, o clube de Minas Gerais dispõe de um montante significativo para início das obras. Guardadas as devidas proporções de representatividade nacional e internacional, bem como valores e tipos de contrato, como não comparar com a situação da Arena Corinthians?

O estádio paulista foi anunciado em 2010, às vésperas do centenário corinthiano. Ali, uma torcida inteira se via realizada, já que faltava sim ao Corinthians uma casa à sua altura, que comportasse essa nação gigantesca dignamente. Naquela época, o torcedor vivia momento histórico, com a presença de Ronaldo nos gramados, a inauguração do CT Joaquim Grava e renovação e transparência prometidas por Andrés e companhia.

Você pode pensar que se passaram cinco anos - já que a inauguração foi em 2014 -e o Corinthians não conseguiu vender os direitos, mas e se eu te disser que se passaram nove? Isso mesmo, porque desde quando foi anunciado, já deveria haver um planejamento e encaminhamento para que, no menor tempo possível, os naming rights fossem vendidos e esse dinheiro já entrasse para sanar parte da dívida bilionária. Quase uma década de falácias.

O que houve de errado? O Timão ainda teve ‘n’ oportunidades de aproveitar a exposição para tentar e, de fato, vender. Em 2011, o time foi campeão brasileiro, 2012 da Libertadores e do Mundial, teve abertura da Copa e mais recentemente, Copa América, onde o estádio foi muito elogiado. De lá pra cá, nos altos e baixos, o clube sempre galgava algum título e estava em destaque. O que aconteceu?

Será que não faltou pés no chão e planejamento? Jogo de cintura, já que numa negociação desse porte, ambas as partes têm que sair beneficiadas. Se foi mesmo por conta da recessão do mercado, então por que não abrir mão de um pouco para que o negócio fosse concretizado? Talvez faltou ceder, quem sabe? Ou quem sabe terceirizar a negociação. Deixar nas mãos de uma empresa especializada. Você sabe? Eu não sei, já que o que mais falta para a chapa que tomou conta do Corinthians nesse temo todo é, ironicamente, transparência. O atual presidente é um poço de arrogância e sarcasmo desde sempre.

Os dirigentes são tão incompetentes que conseguem deixar o maior clube do Brasil sem patrocínio na sua parte mais nobre do uniforme por tempo demais. Contratam um elenco inteiro para emprestar! Absurdo! Se isso não é falta de competência, eu não sei mais definir.

De acordo com o levantamento feito pelo Itaú BBA e que foi destrinchado aqui, no Meu Timão, o Corinthians fechou 2018 com uma dívida total de R$ 452 milhões, 12% a mais que no ano anterior. Desse valor, 25 milhões são referentes a retiradas para auxiliar no pagamento da Arena.

Dia 12 podemos, talvez, ter algumas dúvidas sanadas na reunião que acontece entre Conselho e diretoria.

O Corinthians tem potencial, mercado e muitos torcedores, mas é dirigido por mandatários despreparados que colocam seu ego acima dos interesses do clube. As conquistas de títulos mascararam a real situação do clube e, por vezes, serviram de escudo para gestões contraditórias e falhas. É hora de renovar de verdade, reciclar e dar volta por cima enquanto há tempo. A conta chega mesmo, mas para quem? Porque lá no rival, não me interessa.

Acorda, Corinthians!

Veja mais em: Arena Corinthians, Diretoria do Corinthians e Naming Rights.

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Por Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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