Efeito Borboleta: Carille, Coelho, Tiago Nunes e o futuro do Corinthians

Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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Efeito Borboleta: Carille, Coelho, Tiago Nunes e o futuro do Corinthians

Coluna da Ana Paula Araújo

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Efeito Borboleta: Carille, Coelho, Tiago Nunes e o futuro do Corinthians

Boselli marcou dois gols contra o Fortaleza, na Arena Corinthians, pelo Brasileirão

Foto: Danilo Fernandes/ Meu Timão

Foram muitos assuntos que rondaram a semana corinthiana desde a minha última coluna. Por isso, quero falar um pouco de cada para chegarmos a um denominador comum.

Vocês já ouviram falar da Teoria do Caos? Se não, talvez Efeito Borboleta seja mais conhecido pela grande maioria, afinal, foi tema até de filme. Queria aqui, portanto, simplificar os conceitos e aplicá-los à realidade corinthiana.

De forma simples e grosseira, o Efeito Borboleta se refere a um evento nas condições iniciais que pode perturbar todo um sistema e definir uma mudança drástica no resultado.

Fábio Carille

Há alguns dias, eu postei aqui uma opinião bastante polêmica ao ser recebida por vocês. Fiz uma linha do tempo com os deslizes de Carille em termos de declarações. Na minha opinião, ele perdeu o controle do elenco ao proferir palavras sarcásticas e ao repassar responsabilidades. Isso, certamente, fez com que tudo desandasse dentro de campo. Confirmando ainda mais as minhas colocações, os próprios jogadores se mostraram incomodados com as falas do agora ex-treinador alvinegro.

Ser também um bom gestor, é um dos atributos para ser um bom treinador de futebol. Controlar o grupo e motivá-lo, coisa que Carille está longe de saber aplicar na prática, é algo indispensável. Humildade, porém, é o que se espera em qualquer ramo profissional.

Como se não fossem suficientes todas as infelizes falas de Carille, ele ainda conseguiu ironizar a sua balançada no cargo após a derrota para o CSA. Ou ele é sem noção ou ele queria mesmo cavar sua saída.

Para o futuro, penso que como profissional ele precise de uma reciclagem tanto em termos de conhecimento futebolístico, quanto em gestão de pessoas. Uma melhor assessoria pessoal seria indispensável para uma carreira longeva à beira dos gramados.

Dyego Coelho e a vitória sobre o Fortaleza

Fazendo um bom trabalho nas categorias de base, Coelho teve ontem sua chance de mostrar um pouco de seu conhecimento, agora no profissional. Apresentou iniciativa e algo bem importante para quem quer se manter na ativa em qualquer área de atuação: constante aprendizado.

Esperto, dividiu os méritos da vitória com os jogadores.

Montou um time com uma proposta diferente e fez algo impensável na "Era Carille", que foi jogar com três defensores.

Coelho montou a equipe com três defensores para duelo contra o Fotaleza

Montagem/Meu Timão

Obviamente a equipe ficou mais expostas às investidas adversárias, mas fez o que se espera dentro de casa: agrediu mais o visitante. Além de uma marcação mais alta em vários momentos até o final da partida. Mudança de postura tão aguardada pela torcida e muito necessária. Ninguém aguentava mais esperar o adversário no campo de defesa tanto em casa, quanto fora.

Outro ponto que destaco é a presença de um volante como elemento surpresa, algo que se espera de um jogador nesta função. Urso ainda tem muito o que melhorar em termos táticos e técnicos, mas temos aqui um vislumbre mais positivo para a posição.

Pedrinho, por sua vez, fez boa atuação pelo meio, onde ele mesmo já disse gostar de jogar.

Era de se esperar que o time não se mostrasse entrosado com apenas dois treinos, mas a disposição aplicada dentro das quatro linhas, já dá um ânimo a mais para a Fiel. A perspectiva de uma liderança mais equilibrada também pode motivar atletas com desempenhos questionáveis ao longo, principalmente, deste segundo semestre.

Tiago Nunes

A bola da vez é Tiago Nunes, o treinador já foi anunciado para 2020 e a Fiel animada com a possibilidade de uma mudança de filosofia para a próxima temporada.

Novo e promissor, Tiago terá que aprender a conviver com o clube de maior exposição desse país. Além disso, ter ciência de que carrega altas expectativas por parte da nação corinthiana.

A Fiel, por sua vez, ter paciência com o treinador que se mostra um bom profissional e muito capacitado para a função.

A notícia ruim fica por conta de um possível e provável desmanche para a temporada 2020, o que, obviamente, atrapalha e adia planos para o ano que vem. A diretoria, de novo, mostrando todo seu amadorismo e falta de compromisso com planejamento. Assim fica difícil até para Pep Guardiola administrar um grupo.

Efeito Borboleta

Tudo começou em 2018, quando Carille disse que ficaria e saiu para ganhar a vida na Arábia. A relação com a Fiel estremeceu, mas, mesmo assim, o treinador voltou com status de salvador da pátria. Como se numa dança desengonçada, nunca mais conseguiu entrar em sintonia com a nação e conseguiu através de atitudes questionáveis, desencadear uma avalanche de problemas no ambiente alvinegro.

Foi demitido.

Mas as suas ações não afetaram o Timão até aí. Tudo isso fez com que Coelho assumisse o cargo interinamente até a chegada de Tiago Nunes em 2020.

A questão que fica é: será que as palavras de Carille afetarão de forma positiva o futuro do clube ou os resultados dessas falas impensadas não trarão boas notícias tal qual no famoso filme de Ashton Kutcher? Querendo ou não, sempre se perde algo ao desencadear mudanças num sistema. Esperamos que os resultados sejam os melhores possíveis.

Só o futuro dirá, o fato é que a pedra está lançada e o tremular das águas não para.

Veja mais em: Fábio Carille, Dyego Coelho e Tiago Nunes.

Coluna da Ana Paula Araújo

Por Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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