Reconstrução do Corinthians: a relação clube/torcida é aspecto relevante na equação do sucesso

Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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Reconstrução do Corinthians: a relação clube/torcida é aspecto relevante na equação do sucesso

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Reconstrução do Corinthians: a relação clube/torcida é aspecto relevante na equação do sucesso

Coletiva de imprensa de Duilio Monteiro Alves e José Colagrossi Neto

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Antes mesmo de Duilio tomar posse como presidente do Corinthians, José Colagrossi Neto foi anunciado como novo superintendente de marketing, comunicação e inovação.

A sua contratação em si já foi um ato corajoso por parte de recém-eleito presidente do Corinthians. Os cargos dentro do clube sempre são dados para sócios e conselheiros, mas, dessa vez, esse forasteiro é quem chefia parte dos líderes políticos do Timão. Na verdade, esse cargo que Colagrossi ocupa nem existia, foi uma grande quebra de protocolo, porém muito acertada e necessária.

Desde sua chegada, ele tem interagido intensamente com a torcida corinthiana. O seu Twitter é, de longe, o carro-chefe dessa relação. Nele, os torcedores enviam suas demandas que são acolhidas e até acatadas.

Acima é só um exemplo.

Ele está tão empenhado nessa troca com a torcida que fez até um perfil aqui, no Fórum do Meu Timão, para responder um tópico.

Reprodução/ Meu Timão

Reprodução/ Meu Timão

Dentre readequação de patrocínios, envolvimento na negociação dos namings rigths da, agora, Neo Química Arena, planejamento de camisas promocionais e comemorativas, monitoramento de mídias sociais e tantas outras ações que competem à sua função, Colagrossi tem se destacado em uma que considero de suma importância: estreitar a relação clube/torcida.

Como gigante que é, o Corinthians movimenta números estratosféricos. Redes sociais - mesmo que subaproveitadas - com muitos seguidores e, principalmente, interações e engajamento; e receitas extraordinárias.

Se o clube tem tanto potencial e tanto a render, por que não tratá-lo de forma profissional? Colagrossi vem para isso: profissionalizar.

A relação empresa/cliente é bastante difundida no marketing empresarial e cada vez mais tida como fator preponderante para um sucesso sólido. No Corinthians não é diferente.

A torcida passou os últimos anos colecionando troféus, mas nos bastidores também somou decepções que acabaram por minar a pouca confiança que tinham para com aqueles que comandam o clube e, como consequência, se deu o enfraquecimento a marca.

O termo fidelização é rejeitado em sua definição literal, mas não é segredo para ninguém que ele existe e é almejado pelas empresas. Quanto mais você confia, se vê assistido e passa a perceber que é de certa forma importante para aquela marca, mais você é fiel a ela.

Quando o torcedor vai às redes sociais exigir transparência, a tendência é que a maioria foque apenas no que se refere à movimentação financeira, entretanto, ela deve existir em todos os setores do clube. Nos valores de uma contração, no porquê de uma parceria desfeita, no motivo para uma sugestão ter sido rejeitada e também no reconhecimento de falhas.

Quando você reconhece que errou e ainda coloca sua cara às vistas, você transmite a mensagem de que se importa com aqueles aos quais sua marca atende.

O fato é que o torcedor quer e deve saber. A Fiel é ciente de que é importante e desenha ser reconhecida assim pelo clube.

A base para uma boa relação com a torcida deve ser pautada num conceito simples de marketing: confiança, diálogo e reconhecimento.

Quantos de vocês já não justificaram uma não compra de algum produto oficial, ou cancelamento de PPV, Fiel Torcedor etc., dizendo que não confiam no clube?

Importante frisar, porém, que para que tudo isso dê certo, é necessário que as promessas se tornem reais. Apenas interagir não é suficiente. É preciso agir, transformar sonho em realidade, se aprofundar, mergulhar de cabeça. Sair do raso é fundamental.

Um Fiel Torcedor que atendesse melhor quem melhora fora de São Paulo seria bem-vindo, por exemplo. O Timão não é uma equipe regionalizada, pelo contrário, a torcida está espalhada não só pelo Brasil, mas também pelo mundo todo.

Viabilizar meios para que cada torcedor seja único e que suas peculiaridades sejam levadas em conta é uma tarefa difícil e talvez um tanto utópica, mas que se tida como objetivo, pode, pelo menos, melhorar o relacionamento com aqueles que não têm a oportunidade de acompanhar o clube in loco.

Ele não vai aos jogos, mas ele compra produtos, assina PPV, movimenta as redes sociais.

O relacionamento com a Fiel deve ser visto como uma grande oportunidade de receber um feedback sobre falhas e expectativas. É a chance perfeita de identificar e corrigir equívocos e entender o que a torcida espera do clube.

O torcedor mais insatisfeito é o que mais pode ensinar.

O Corinthians ainda tem muito que mudar, melhorar e aprender. Todos sabem que a situação atual é fruto de anos de más gestões. Profissionalizar o clube passa por delegar funções técnicas a quem pode realmente responder por elas.

Colagrossi tem respondido e segue sendo o maior acerto dessa diretoria.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians, Torcida do Corinthians e Ações de marketing.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Coluna da Ana Paula Araújo

Por Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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