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Vergonha
Portões entreabertos no Parque São Jorge
Foto: Vitor Chicarolli - Meu Timão
Corinthians está onde está exatamente pelo que aconteceu no último sábado
Opinião de Ana Paula Araújo
No último sábado, o Corinthians viveu um dos episódios mais vergonhosos da sua história. Portas arrombadas, Polícia Militar, baixaria, ameaças e cenas que não acontecem nem na várzea.
O que aconteceu escancara o que venho falando há anos: o Corinthians jamais sairá do buraco onde está, enquanto a luta dentro do clube não for pelo clube, mas uma briga de egos e poder.
Para contextualizar, vamos entender o que, de fato, houve. Leia aqui com mais detalhes.
A conselheira Maria Ângela de Sousa Campos afirmou ter assumido a presidência do Conselho Deliberativo após um suposto afastamento de Romeu Tuma Júnior. A partir disso, declarou ter revogado o impeachment de Augusto Melo, aprovado pelo Conselho no último dia 26 de maio. Com base nessa decisão, o presidente — até então afastado — foi ao Parque São Jorge tentar retomar o poder. O presidente interino, Osmar Stabile, não reconheceu a legitimidade da medida, dando início a uma disputa que durou horas.
A partir daí, o caos se instaurou: torcedores e associados invadiram o clube, houve destruição do patrimônio, a chegada do Batalhão de Choque da Polícia Militar foi necessária, e eventos que ocorriam no local — uma formatura com cerca de 300 pessoas e uma competição de judô com presença da Confederação Brasileira de Judô — precisaram ser interrompidos.
Independente de quem está certo ou errado, percebem o quanto isso é varzeano? O quanto é vergonhoso o Corinthians passar por essa situação? Há anos, a vaidade e a sede de poder se sobrepõem aos interesses do clube. O Corinthians está estatizado, engessado, sem perspectiva de evolução.
O estatudo arcaico, que privilegia o associado e o torna onipotente, não prevê participação daqueles que mantêm e financiam o Corinthians: o torcedor comum.
Já no Artigo 2º temos um vislumbre de quem, realmente, pertence o Corinthians.
Reprodução/Corinthians
É bem explícito a quem o clube deve servir e beneficiar.
Reprodução/Corinthians
E, se você quiser mudar algo, vai ter que reunir um grupo numeroso e esperar cinco anos para poder tentar alterar alguma coisa. A burocracia é grande propositalmente para que ninguém possa tirar as mesmas figurinhas carimbadas que estão no poder.
É possível? Talvez, mas é quase como se não fosse.
O mais hipócrita nisso tudo é perceber que os conselheiros do Corinthians são leões para restringirem o acesso às decisões do clube ao torcedor comum, mas se tornam gatinhos para executar o que o estatuto prevê no tocante à idoneidade de seus associados e também ao patrimônio do Corinthians, a não ser é claro, quando seus interesses são colocados em xeque.
Reprodução/Corinthians
Reprodução/Corinthians
Trocando em miúdos, o estatuto imputa conferir punições e penalidades para quem infringir uma série de normas e só nesses trechos destacados eu consigo pensar em diversos nomes que já fizeram e ainda fazem coisas do tipo.
Me digam se, somente na noite de ontem, a imagem do clube não foi denegrida? Se fosse aplicado, todo mundo envolvido seria desligado do quadro de sócios. Vai ser cumprido? Claro que não.
O fato é que são todos iguais e seguem brigando para ver quem é mais poderoso e vai ser o dono da bola no fim de tudo. O dono da bola, por sua vez, não deixa ninguém jogar porque, afinal, a bola é dele. Enquanto isso, a Instituição Corinthians e sua torcida pagam por desmandos de gente totalmente despreparada para ocupar os cargos que ocupam.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.




