A Fiel vai ter que abandonar o time para salvar o Corinthians?

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Estádio vazio?

A Fiel vai ter que abandonar o time para salvar o Corinthians?

Neo Química Arena vazia seria a solução para a crise instaurada no Corinthians?

Foto: Jhony Inácio / Meu Timão

A Fiel vai ter que abandonar o time para salvar o Corinthians?

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Opinião de Ana Paula Araújo

Nos últimos dias, um movimento vem ganhando espaço entre a torcida do Corinthians. Uma proposta ousada, quase impensável em outros tempos: deixar a Neo Química Arena vazia. Zero público. Zero apoio. Zero renda. A ideia é simples: parar de colocar dinheiro num clube que não dá retorno, que trata sua torcida como nada, que vive à sombra de gestões desastrosas e amadoras.

A lógica por trás do protesto é clara e óbvia. Se a Fiel parar de injetar dinheiro no clube, se as arquibancadas virarem um deserto, a pressão se torna insustentável. A diretoria sente no bolso, o patrocinador sente na imagem, a imprensa sente no silêncio. Porque se tem uma coisa que o Corinthians não sabe lidar, é com a ausência do seu propulsor, a torcida.

Mas será mesmo que esse movimento é viável?

Vamos ser sinceros? A Fiel não é torcida de sofá, não é de ver o jogo calada e sentada. A Fiel é de estar, de cobrar, de empurrar e de confrontar. É a torcida mais presente do Brasil e, justamente por isso, pedir que o corinthiano abandone o estádio é pedir que ele negue sua própria essência.

Além disso, a ausência pode virar munição para quem deveria estar no banco dos réus. Não duvide que eles, os gestores, vão apontar o dedo para torcida e dizer que o time não vence porque a Arena está vazia, como se a culpa fosse de quem ama, e não de quem destruiu o clube por dentro. Afinal, já até falaram que o Corinthians não nos pertence, então, espero tudo vindo desses que decidem por nós.

E ainda tem o campo. Um Corinthians sem apoio nas arquibancadas é um time mais frágil, mais vulnerável. Eles não correm nem com 40 mil gritando, imagina sem ninguém?

Isso não quer dizer que a revolta não é justa. Ela é. O torcedor tem todo o direito de estar cansado. Estamos vendo um clube que, de gigante, virou exemplo de má gestão, de escândalos e de estar mais presente nas páginas policiais do que nas esportivas. O que precisa acontecer não é o sumiço da torcida, e sim a sua organização.

A Fiel precisa ocupar seu lugar de direito, onde ela também é parte ativa nas decisões do clube. A verdade é que o torcedor merece muito mais que ter acesso ao Corinthians uma ou duas vezes na semana. Merece o direito de votar, de decidir e de ser ouvido. O Corinthians precisa de um choque de democracia. Precisa abrir espaço para o torcedor comum, aquele que empurra no alambrado, que canta mesmo na fase ruim, que chora e paga pix para ajudar o clube a quitar a dívida gigante que ele contraiu por si só. Esse é o dono real, não o conselheiro que herdou cadeira, não o dirigente que só aparece para empurrar contrato duvidoso, não quem é vitalício e que não deveria estar ali nem sequer por um segundo, quiçá para sempre!

Chega de clube trancado a sete chaves, chega de eleição entre compadres, votinho escondido, com 400 pessoas decidindo o destino de um clube com 40 milhões de torcedores. Isso não é república, é feudo.

O torcedor precisa saber para onde vai cada centavo, mas não da forma que está tendo acesso a isso. Eu, pelo menos, não estou contente em saber no que foi gasto o dinheiro do Corinthians através de páginas e perfis criados para postar faturas de cartões com compras absurdas. Se o torcedor estivesse envolvido nisso, a chance de algo assim acontecer era praticamente nula. Agora me fala, quem fiscaliza aqueles que estão lá para fiscalizar? Porque não é possível que tenha havido uma prestação de contas de respeito e séria em que aquelas faturas foram aprovadas.

Do jeito que está não dá mais!

Já falei e vou repetir enquanto eu tiver espaço nessa coluna: a Fiel tem 40 milhões de integrantes apaixonados, se um grupo se organizar e entrar na política do clube, em cinco anos vai ter direito a voto e vai conseguir promover mudanças reais. Eu sei que vocês querem algo mais imediato, só que por agora isso seria possível apena com uma SAF, que parece estar distante e que também esbarra no estatuto.

O nosso inimigo é o estatuto. É ele que foi feito amarradinho para quem está lá dentro nunca mais sair. Para mudar é preciso, portanto, também estar lá dentro. Esvaziar o estádio não é, para mim, nem de longe a melhor das soluções. Aliás, essa solução é mais utópica que real, a chance da torcida aderir em massa é baixíssima.

O Corinthians pode até seguir gigante de nome, mas pequeno de estrutura. Ou pode, de uma vez por todas, entender que o tamanho da sua torcida exige um modelo novo de gestão.

Se a diretoria não abrir espaço, que a pressão venha de baixo, porque o clube não é de uma sala com ar-condicionado. O Corinthians nasceu na várzea. E talvez esteja na hora da várzea voltar pra tomar o que é seu. O caminho é óbvio, basta se organizar.

Veja mais em: Torcida do Corinthians, Neo Química Arena, Diretoria do Corinthians e Estatuto do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Ana Paula Araújo

Torcedora fiel e Coordenadora de Comunidade no Meu Timão desde 2013. Unindo paixão e trabalho há mais de dez anos!

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