Memphis, Yuri e Garro fora do Corinthians? É isso que a torcida quer?
Opinião de Ana Paula Araújo
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Memphis, Rodrigo Garro e Yuri Alberto são os pilares da equipe do Corinthians
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
Meu dia a dia é fortemente imerso nas redes sociais, especialmente nas páginas que falam sobre o Corinthians. O fórum acabou se tornando uma segunda casa, e os colegas foristas, além de contribuírem com análises próprias, frequentemente trazem para debate discussões que também circulam por outros espaços sobre o Timão.
Nesses passeios diários em busca de conteúdo e informação, seja aqui no fórum ou em meios externos, é impossível fugir de comentários sobre esses três jogadores: Memphis Depay, Rodrigo Garro e Yuri Alberto, que são, com frequência, alvo de ataques exagerados e, na minha opinião, injustos.
O Corinthians vive um momento em que falar apenas de esquema ou de peças pontuais é insuficiente. O que mantém o time minimamente competitivo é a existência de jogadores que carregam identidade, entrega e qualidade técnica ao mesmo tempo. Nesse contexto, Memphis, Garro e Yuri são mais do que titulares, eles são a alma do time e a base real para qualquer projeto que pretenda ser sério em 2026.
Por isso, cogitar a saída de qualquer um dos três hoje soa, para mim, como um grande absurdo.
Garro, mesmo fora por lesão, continua sendo decisivo pela ausência. Sem ele, o Corinthians perde organização, perde controle do meio campo e passa a jogar de forma previsível, dependendo de ligações diretas e de lampejos individuais. Sua importância está na leitura de jogo, no passe que quebra linhas e na capacidade de fazer o time respirar com a bola. Quando Garro não joga, o Corinthians deixa de pensar o jogo e isso por si só já explica o tamanho de sua relevância.
Yuri Alberto é o retrato do jogador que erra, mas não se esconde. Ele peca nas finalizações e isso precisa ser dito sem rodeios, mas também é verdade que poucos atacantes no elenco entregam o nível que ele oferece. Yuri deixa a carne no chão, briga com zagueiros, corre o jogo inteiro, pressiona a saída de bola e não desiste nunca, mesmo quando o time está mal e o contexto é adverso. Essa postura sustenta o time emocionalmente em muitos momentos e traduz o que a torcida historicamente cobra.
Memphis, por sua vez, entendeu muito rápido o que é Corinthians. Entendeu a pressão, a cobrança diária e o fato de que aqui não basta jogar bem, é preciso assumir responsabilidade. Tecnicamente agregou desde o início com qualidade individual, leitura ofensiva e capacidade de decidir jogo. Sua presença muda o patamar do ataque e dá ao time algo raro nos últimos anos, que é alguém capaz de chamar o jogo para si sem se omitir.
Pensar o Corinthians em 2026 passa, obrigatoriamente, por esse trio. Eles não resolvem todos os problemas do clube, mas são a base mínima de identidade, competitividade e ambição. Sem Memphis, Garro e Yuri, o Corinthians vira apenas um time comum tentando sobreviver. Com eles, existe ao menos um ponto de partida real para reconstrução.
Cabe à torcida ponderar sobre isso e decidir se vale a pena queimar jogador ou apoiar para que voltem dando o melhor de si.
É só o começo de uma temporada atípica, em que o elenco não teve nem um mês de férias. E não é dar luxo a quem já tem muito luxo (os atletas). É pensar fisiologicamente que eles são humanos e precisam se recuperar. A temporada no Brasil não é para qualquer um, ainda mais em um ano de Copa do Mundo.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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