Falta convicção para aproveitar melhor o (pouco) tempo

Andrew Sousa

22 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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Convicções são necessárias para otimizar o (pouco) tempo

Convicções são necessárias para otimizar o (pouco) tempo

Treinador ainda não deu uma 'cara' ao Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Daqui até o final da temporada, serão raras as semanas em que o Corinthians não vai entrar em campo quarta/quinta e sábado/domingo. Não há mais "folga" e vários dias para treinar. Nesse momento, então, quem cresce são as equipes que já tem uma cara bem definida e trabalham com poucos ajustes nas mínimas horas em que todos podem treinar intensamente. No CT Joaquim Grava, seguimos sem um rosto.

Com Carille, a escalação estava na ponta da língua da Fiel. Uma peça ou outra podia mudar, mas a ideia era a mesma. No retorno da Copa, no entanto, já tivemos três ou quatro variações de esquema. Na última quarta-feira, algo totalmente diferente, com dois volantes de marcação e dois meias de criação que pouco pisam na área centralizando. O resultado? Zero profundidade.

Na coletiva após a partida, Loss reconheceu que o teste deu errado. O próprio comandante reconheceu que não trabalho a formação no dia a dia - é claro, nem teve tempo para isso.

"E aí quando o plano estratégico não dá certo sem treinamento, só com orientações...", disse, em coletiva na Arena Corinthians.

Como um esquema tático novo vai dar certo sem treinar? Orientações simples e de posicionamento surtem efeito em uma equipe que já sabe o que fazer em campo. Na maratona de 2017, Carille destacava isso. Faltava tempo para treinar e a maioria dos ajustes eram feitos na conversa. Começar do zero assim, só com teoria, não funciona.

Por isso, outra declaração do comandante alvinegro ganha tom preocupante. Perguntado sobre a definição da escalação para os próximos embates, Loss afirmou que vai montar a equipe de acordo com seu adversário. A chance de isso dar certo é mínima. Costumamos ter um, no máximo dois, dia de treino. Há como passar tudo de outra equipe, mudar o esquema e definir movimentações e funções diferenciadas para uma única partida?

Se hoje falta tempo para desenvolver esse tipo de trabalho, parece ter faltado convicção lá atrás. Durante a pausa para a Copa do Mundo, foram mais de 20 dias para trabalhar e consolidar uma ideia. O time melhorou, teve de mudar por lesão, mas nem assim pareceu definido o que queria Osmar Loss.

Substituições e escolhas equivocadas são mais do que normais em um trabalho. O que preocupa mesmo é a falta de uma cara. O Corinthians está em uma semifinal de Copa do Brasil, entrando no segundo turno do Brasileirão e vivo na Libertadores. Sabemos todos os jogos que faremos daqui para frente, mas estamos sem norte algum a respeito de como o enfrentaremos.

Quando a torcida sabe como sua equipe vai jogar apenas uma hora da partida, algo está errado. Não há tempo de adaptar inúmeros esquemas semanalmente. Loss precisa logo de suas convicções. Implementar uma formação, um esquema e aí sim apostar em orientações pontuais.

Veja mais em: Osmar Loss.

Coluna do Andrew Sousa

Por Andrew Sousa

21 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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