O discurso é para todos?

Andrew Sousa

22 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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O discurso é para todos?

O discurso é para todos?

Carille deu novo voto de confiança a Henrique após vitória contra o Avenida-RS

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

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Um técnico de futebol é bem mais do que alguém que define tática, avalia técnica e escolhe quem mandar a campo. Há também a necessidade de controlar ânimos lidar com jogadores, manter o grupo motivado, extrair o máximo de cada um. Dentro desse parâmetro, Carille sempre mostrou se preocupar com isso - e costuma dar conta do recado.

Acompanhando suas últimas entrevistas, o cuidado fica claro. Cumprindo o papel de dar confiança ao seus jogadores, o treinador tem "blindado" sua defesa, sobretudo Henrique, pelos erros constantes. O zagueiro, cabe destacar, é o nome mais criticado do 11 inicial alvinegro, mas segue mantido pelo comandante.

A justificativa de Carille para continuar com a atual dupla é plausível e justa. Na coletiva após vitória suada contra o Avenida-RS, por 4 a 2, ele foi bem claro:

"Tem que passar confiança. Se toda hora mudar, não dá. Se daqui algumas rodadas mostrar falha de posicionamento, a gente repensa", afirmou.

Bom, quem acompanha futebol sabe que o treinador não falou nenhum absurdo aqui. Ainda assim, não há como concordar, por dois fatores:

Primeiro: Henrique não falhou apenas neste jogo ou no anterior. As "algumas rodadas" que o técnico espera para mexer já aconteceram. O camisa 3 não passa segurança, tem falhado com frequência e, o mais importante, tem sombras que fizeram bom papel quando testadas.

Segundo (e mais importante): Se Carille quer mesmo ter o "não desisto de jogador" como mantra, ele tem de usar esse critério para todos. Não pode haver seletividade levando em conta a experiência, o rendimentos meses atrás ou qualquer coisa do tipo.

Para ilustrar o problema, temos inúmeros casos. Seguindo seu discurso, Carille já bancou Kazim, Danilo Avelar e agora Henrique. Todos eles não fizeram apenas um ou dois jogos ruins, mas uma enorme sequência. Ainda assim, foram abraçados pelo professor.

Na contramão disso, também sobram exemplos. Grande promessa da base e esperança da torcida para repor a saída de Arana, Guilherme Romão precisou de um jogo ruim para ser descartado pelo comandante.

Na sequência, foi a vez de Juninho Capixaba. Depois de começar bem, o lateral foi mal em alguns jogos e Carille não fez questão de disfarçar. Disse em coletiva que buscava um nome para a posição e ainda justificou pressionando Romão, dizendo que ele não se mostrou pronto.

Deixando para trás exemplos antigos, vamos falar da atual temporada. Contratado junto a Ponte Preta após boa Série B, André Luis iniciou o ano como titular. Na primeira partida, bela jogada e assistência. Nas duas seguintes, o nível caiu. O jovem jogador ganhou o voto de confiança do treinador? Não.

Sumido, passou a frequentar o banco de reservas e ainda foi além: não foi relacionado para a Copa Sul-Americana e vez ou outra não fica nem entre os suplentes. Antes de ser perguntado sobre os motivos pela falta de oportunidades ao garoto e prometer que elas virão, o treinador deixou claro que já não conta tanto assim com o jogador.

Ao falar sobre o estilo de jogo de suas opções, disse ter apenas Clayson como jogador de de drible e profundidade para os lados do campo. Com o retorno de Díaz, André parece ter ido ainda mais para o fim da fila.

É claro que utilizar ou não o jogador é uma escolha, mas as mostras de que não conta mais com o atleta colocam em cheque toda sua filosofia, muito bem implantada com Henrique. Se for para defender em coletiva e dizer que não desiste de um atleta, que faça isso com todos.

Veja mais em: Fábio Carille, Henrique e André Luis.

Coluna do Andrew Sousa

Por Andrew Sousa

21 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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