O mundo mágico de Pedrinho

Andrew Sousa

22 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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O mundo mágico de Pedrinho

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O mundo mágico de Pedrinho

Ambiente passa a impressão de que Pedrinho é decisivo e muda o patamar do Corinthians. O que não acontece

Foto: Danilo Fernandes/ Meu Timão

O roteiro raramente muda quando o Corinthians não está bem dentro de campo. Em Itaquera ou na Arena Amazônia, parte da Fiel sugere uma solução: a entrada de Pedrinho. De diversos setores, ecoam gritos pedindo a entrada do camisa 38.

Muitas vezes, Fábio Carille atende o apelo e coloca o garoto. E tantas outras vezes, ele não corresponde. Pouco objetivo e menos intenso que nomes que iniciaram a partida, ele raramente decide. Ainda assim, recebe uma série de elogios e volta a ser pedido para a próxima partida.

Para a torcida, o culpado geralmente é o treinador. Cobram que Carille o escale pelo meio, diminua suas obrigações defensivas ou não o substitua quando ele inicia uma partida. Cobram tudo, menos o próprio Pedrinho. E é este o ponto.

O garoto vive em um mundo mágico. É uma espécie de bolha, que dá a impressão de que seu desempenho é satisfatório - o que não é. O camisa 38 ainda não conseguiu, nem de longe, corresponder toda a expectativa que foi criada ao seu redor. Mas talvez ele não faça ideia disso.

Afinal, como saber que não está no caminho certo se a torcida grita seu nome em todos os estádios? Como entender que seu jogo precisa mudar quando todos aplaudem um chapéu sem objetividade para trás? A autocrítica dificilmente existe se o entorno é feito puramente de elogios.

Nomes provenientes das categorias de base merecem uma espécie de "blindagem", eu sei. É preciso ter calma com alguém em transição. Mas no caso de Pedrinho, já são mais de 100 jogos e a intensidade não aumenta, a objetividade tão pouco. Ele precisa evoluir. E para isso, críticas são necessárias.

Recentemente, o próprio Fábio Carille subiu o tom em entrevista, falando sobre o trabalho sem bola e como o garoto está atrás de seus concorrentes. Em campo, uma leve melhora, funcionando mais como coadjuvante. Mas ainda falta muito.

Pedrinho não é o craque que muitos projetavam, mas pode mais. No momento, porém, perco cada vez mais as esperanças. Falta gana, vontade de resolver e ser o melhor. E para mim, o ambiente criado ao seu redor tem culpa nisso.

Mais ou menos como acontece com Neymar - sem comparar a qualidade dos dois, claro. Até o empresário tem perfil parecido com o do jogador do Paris Saint Germain - para Will Dantas, seu cliente é nada mais nada menos que o "novo Zico".

Tendo esse feedback de quem o assessora e sendo ovacionado nos estádios, Pedrinho nem pode ser condenado por relaxar. Quem, neste cenário, pensaria ter algo errado? Eu com certeza diria "caramba, estou voando!". Mas ele não está.

Os gritos e pedidos, então, só servem para acomodar alguém que precisa render muito mais para fazer por merecê-los.

Veja mais em: Pedrinho e Torcida do Corinthians.

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Por Andrew Sousa

21 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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