Poucos minutos, muitos empréstimos: a dificuldade alvinegra de lapidar apostas

Andrew Sousa

22 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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Poucos minutos, muitos empréstimos: a dificuldade alvinegra de lapidar apostas

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Poucos minutos, muitos empréstimos: a dificuldade alvinegra de lapidar apostas

Richard e André Luis foram emprestados após pouquíssimas chances concretas em Itaquera

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Richard é um desses jogadores que surgem tarde para o futebol. Com 25 anos, o volante demorou a despontar, mas acabou mudando de patamar de forma meteórica: há dois anos, estava no modesto Atibaia e, depois de passar pelo Fluminense, se juntou ao Corinthians neste ano.

Mesmo com pouco tempo na elite do futebol nacional, chamou atenção. Em 2018, fez 79 desarmes, 16 interceptações e 66 rebatidas em 31 aparições no Campeonato Brasileiro. Atuando à frente da defesa do time carioca, foi um cão de guarda eficiente até com a bola nos pés - dando passes curtos, é claro.

A contratação, então, parecia visar a preparação de um sucessor para Ralf, que tem as mesmas características e é, no momento, titular da posição. O recém-chegado, porém, não se firmou, virou alvo de inúmeras criticas da torcida e teve empréstimo confirmado nesta quinta-feira, para o Vasco.

Por mais positiva que possa parecer uma saída nesta altura, até pela idade do atleta, é preciso destacar a dificuldade do Corinthians em desenvolver apostas. E no caso de Richard, há muita culpa da comissão técnica.

Nas estatísticas frias, o jogador esteve em campo em 17 partidas. Analisando a fundo, porém, foram apenas 640 minutos jogados - o que totaliza pouco mais de sete jogos inteiros.

Sabendo que jogadores costumam levar um tempo natural para se adaptar e das necessidades de evolução notórias do atleta, esse tempo é suficiente para avaliá-lo? Calma, as coisas pioram.

Desse tempo em campo, Richard atuou como primeiro volante, sua posição de origem, em apenas 322 minutos - metade do tempo. Em 250 minutos, Carille o colocou para atuar junto de Ralf, obrigando o jogador a fazer o que não sabe: ligar defesa e ataque, como faz Júnior Urso. Imagine Ralf atuando como segundo volante... Pois então.

Com características predominantes defensivas e deficiência técnica para jogar com a bola, Richard obviamente mostrou dificuldades, errando muito e irritando a torcida, o que acabou minando sua permanência no CT Joaquim Grava. Quando atuou em sua posição, de fato também não foi bem, mas o processo de adaptação é normal.

O volante, cabe destacar, não é o primeiro a sofrer com essa "análise relâmpago" seguida de empréstimo. Jean, por exemplo, chegou com muitos elogios do Paraná e nem mesmo fora de posição ganhou chances para mostrar seu trabalho. Depois disso, já acumula passagens satisfatórias por Vasco e Botafogo.

Aqui, muitos vão rebater os questionamentos destacando que jogadores podem evoluir após um período em outro clube, como no caso de Maycon. Mas aí é que está. O Corinthians não consegue desenvolver um jogador? Rodriguinho foi à Arábia e "voltou melhor". Será que por lá teve uma comissão mais qualificada para explorar todo seu potencial? Acho difícil...

Jogador precisa jogar. O próprio técnico Fábio Carille bate na tecla de que fulano "precisa aprender o que é o Corinthians aos poucos". O mesmo fulano não recebe chances e é emprestado. André Luis é um exemplo recente. Como se adaptar ao nível de exigência alvinegro indo para o Fortaleza? Gustagol é caso raro...

Trabalhar promessas e apostas é ponto chave para o atual momento financeiro do clube, que não permite gastos excessivos em nomes de peso. Quando um jogador que foi observado por meses é descartado após menos de 700 minutos, o trabalho de observação merece uma série de questionamentos. Onde o clube tem errado, lá atrás ou na utilização do reforço?

Analisando Richard no Fluminense com números defensivos excelentes e deficiência de passe, como o Corinthians esperou vê-lo render como segundo volante? Em determinada partida, ele chegou a jogar aberto pela direita... Não há explicação.

Aqui, cabe ressaltar, não estou querendo dizer que Richard é um excelente jogador desperdiçado. Só merecia mais - chances, trabalho, atenção. Se Carille queria vê-lo como um segundo volante, esperasse a evolução dos passes, de posicionamento e até capacidade física para fazer tal papel.

Jovens atletas estão expostos a uma série de fatores para vingar ou não: adaptação ao novo elenco, estilo de jogo, cidade e tantos outros. O dever do clube é ajudar em tudo isso para tirar tudo que pode e viu dele durante as observações. Com Richard e tantos outros o Corinthians não fez isso.

André Luis deixou o clube com míseros 174 minutos em campo; Juninho Capixaba foi repassado ao Grêmio após 565 minutos com a camisa alvinegra; Jean tem dez minutos pelo Timão; e o paraguaio Sergio Díaz teve 140 minutos para mostrar serviço. Isso sem falar em Araos, que deve ser o próximo da lista.

Com a impaciência e notória incapacidade para desenvolver e encorpar apostas do mercado, o Corinthians repete o ciclo: contrata uma baciada em janeiro, empresta em julho e tem de buscar novas reposições no mercado. Os gastos aumentam e o time não muda de patamar.

Isso precisa mudar.

Destrinchando as chances de Richard no Corinthians

TOTAL
640 minutos - pouco mais de sete jogos

SEM RALF AO SEU LADO
390 minutos - pouco mais de quatro partidas

COMO PRIMEIRO VOLANTE
322 minutos - pouco mais de três partidas

Veja mais em: Richard e Jogadores emprestados.

Coluna do Andrew Sousa

Por Andrew Sousa

21 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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