'Futebol é business'. E se o Corinthians excursionar pelo Norte e Nordeste do Brasil?

Jorge Freitas

Colunista esportivo do portal 'No Ângulo', este internacionalista é mais um louco do bando e busca analisar o Timão com comprometimento com a realidade e as necessidades do maior clube do planeta.

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'Futebol é business'. E se o Corinthians excursionar pelo Norte e Nordeste do Brasil?

Onde a marca Corinthians chega?

Foto: © Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Todos nós já sabemos e entendemos que os cartolas brasileiros pensam extremamente a curto prazo e se esquecem de que o clube deve sobreviver mesmo após a sua saída e a entrada de novos dirigentes. Em razão disso, as políticas adotadas são sempre visando um resultado imediato, que, invariavelmente, significa um aumento da renda momentânea do clube para acerto de salários, prêmios e outros acordos pontuais.

Está certo que um clube precisa se movimentar financeiramente e que não pode ficar de braços cruzados, especialmente em tempos de crise. Está correto também que propostas para amistosos podem ser vantajosas e trazer uma grana a mais num mês em que jogos são raridades e, por isso, ganhos como mandante são limitados.

No entanto, um clube precisa também pensar a longo prazo e, principalmente, no alcance em que a sua própria marca pode atingir daqui a 10, 20, 30 anos ou mais. Contudo, quando analisamos a realidade dos clubes, vemos cartolas imediatistas vendendo mandos de campo para ganhar renda ou contratando jogadores a prestações de perder de vista, jogando um compromisso que cairá sobre os braços de seus sucessores, numa clara demonstração de irresponsabilidade que marca boa parte da cartolagem brasileira.

O Corinthians está aproveitando a pausa do mês de julho para realizar amistosos em cidades do interior de São Paulo ou de fora do nosso estado. Mais precisamente, fez uma partida no último sábado contra o Botafogo de Ribeirão Preto e joga amanhã contra o Vila Nova, no Serra Dourada, em Goiás.

Desfilar a marca do clube por cidades que vão além de sua própria sede é extremamente importante e não faltam exemplos para serem seguidos, como os grandes clubes da Europa, que aproveitam a pré-temporada para disputar amistosos em centros mais populosos que o Velho Continente, como Estados Unidos, China e Oriente Médio.

No entanto, se na Europa a população não é tão significante como em outros centros, aqui no Brasil, há regiões suficientemente populosas para que se torne possível uma excursão sem viagens ao exterior. Isso porque, segundo dados do IBGE, a região com o maior número de habitantes é o Sudeste, exatamente onde está localizada a maior quantidade de corinthianos. Em segundo lugar, está o Nordeste, com, atualmente, mais de 40 milhões de habitantes e, claro, potenciais torcedores e adoradores do futebol nacional.

Ou seja, enquanto clubes europeus precisam sair de seus países para encontrarem maior popularidade, aqui no Brasil, é possível buscar novos torcedores em outras regiões, especialmente aquelas em que não há grandes times de futebol, como em alguns estados das regiões Norte e Nordeste.

Certa vez, deparei-me com o depoimento de um torcedor do Nordeste do país que alegou não fazer diferença torcer para o Botafogo ou para o Real Madrid, já que ele só os via mesmo pela televisão. Isso demonstra a razão do crescimento de torcedores estrangeiros aqui no Brasil. Em suma, os grandes clubes brasileiros praticamente abandonaram as demais regiões e começaram a perder espaço para o futebol internacional. Mesmo com mais quase 60 milhões de habitantes nas regiões Norte e Nordeste somados, clubes como o Corinthians preferem jogar amistosos em Ribeirão Preto, onde já jogou uma vez neste ano, ou em Goiás, onde jogará pelo returno do Brasileirão 2019.

Não quero dizer que não deva jogar. Pelo contrário, pois é sim importante passar também por estes centros, já que o interior paulista tem um grande contingente de torcedores corinthianos. Ter inaugurado a arena de Ribeirão é um marco interessante e importante para a história do Botafogo e também do Timão. No entanto, é necessário pensar que um clube do tamanho do Corinthians precisa fazer excursões por outras partes do país, a fim de buscar torcedores e, consequentemente, ganhos a longo prazo. O clube, aliás, até realizou algumas partidas na Arena da Amazônia, mas ainda é muito pouco por toda a dimensão continental de nosso país.

No mês passado, escrevi uma coluna para o Portal No Ângulo (leia aqui), sobre a venda do mando de campo do CSA para Brasília no jogo contra o Flamengo. O clube alagoano ameaça fazer o mesmo contra o Corinthians. A curto prazo, parece interessante, pois jogaremos num campo neutro e, naturalmente, teríamos maiores chances de vitória. No entanto, a longo prazo, a medida é bastante questionável, pois o Corinthians perde a chance de ir a Alagoas, fazer promoções com sua marca e, possivelmente, aproximar-se de pessoas e famílias para torcerem para o nosso time. Vale lembrar que ganhos com publicidade, televisão e pay-per-view são maiores conforme o número de torcedores de cada time.

É claro que a pausa de julho é curta e talvez por isso seja mesmo mais viável jogar em Ribeirão Preto e em Goiás. Mas é necessário que se pense a longo prazo. Se os milionários times europeus buscam mercados consumidores em outras regiões do mundo, é totalmente viável que, numa pré-temporada, o Timão faça amistosos em outras regiões do nosso país, que é bastante populoso.

Ou seja, ir à Disney vale a pena, mas excursionar pelo Brasil, de mais de 200 milhões de pessoas, é mais fácil e pode contribuir bastante em busca de maior popularidade e, consequentemente, aumento de renda, com venda de publicidade, de camisetas, de cotas do TV e outras medidas promocionais.

Enfim, a marca Corinthians precisa sair das rédeas do curto prazo e aproveitar tudo o que o Brasil pode trazer a médio e longo prazo para o clube, já que como diz Andrés: "futebol hoje é um grande business".

(Siga no Twitter https://twitter.com/ojorgefreitas)

Veja mais em: Amistosos do Corinthians.

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Por Jorge Freitas

Colunista esportivo do portal 'No Ângulo', este internacionalista é mais um louco do bando e busca analisar o Timão com comprometimento com a realidade e as necessidades do maior clube do planeta.

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