Máximo respeito ao nosso primeiro rival

Lucas Faraldo

Escrevendo sobre o Corinthians desde 2014

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Máximo respeito ao nosso primeiro rival

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Opinião de Lucas Faraldo

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Máximo respeito ao nosso primeiro rival

Adherbal Amaral foi quem levantou a taça de campeão baiano de 2019 pelo Bahia

Foto: Divulgação/Bahia

O Campeonato Brasileiro começa para o Corinthians neste domingo. E não poderia haver coincidência (ou ironia) mais feliz – ainda referente ao término dos principais Estaduais do país – do que o pontapé inicial do Timão ser na Fonte Nova, em Salvador, contra o Bahia.

Corinthians e Bahia. Clubes campeões brasileiros. Torcidas de massa. Atuais vencedores dos campeonatos baiano e paulista. E tão diferentes num detalhe que para este que vos escreve não tem nada de detalhe: o levantar das taças do último domingo.

O Corinthians, guardadas proporções presidenciáveis, protagonizou na festa de campeão paulista uma chacota similar à do Palmeiras na comemoração do Brasileirão de 2018. Agentes políticos dos mais aleatórios (e repugnáveis, na minha opinião particular) dividiram o palco montado no gramado da Arena Corinthians com Cássio & cia. Levantaram até a taça (!!!). O senador Major Olímpio (PSL), defensor ferrenho da extinção das torcidas organizadas, recebeu de presente do presidente Andrés Sanchez uma medalha de campeão paulista (!!!).

O Bahia, por outro lado, deu aula de humanidade ao colocar a faixa de capitão no braço de Adherbal Amaral, funcionário que presta serviços ao Tricolor de Aço há mais de três décadas. O senhor de 81 anos de idade, que luta contra um câncer, levantou o troféu de campeão baiano na Fonte Nova num dos gestos mais lindos do ano no futebol brasileiro.

O Bahia mostrou saber valorizar sua história – desde o assistente administrativo. O Bahia vem nos últimos meses também mostrando conhecimento sobre a história do Brasil: saiu recentemente em combate às comemorações do aniversário do Golpe Militar de 1964 (a exemplo do que apenas o próprio Corinthians e o Vasco fizeram entre os 20 clubes da Série A). Saiu também em 2019 em defesa da demarcação das terras indígenas.

No ano passado, foi o Bahia o clube brasileiro que mais se posicionou a favor das causas LGBTs no Dia Internacional Contra a Homofobia (17 de maio), inclusive explicando aos seus seguidores nas redes sociais o significado da data: "O Dia Internacional de Combate à Homofobia marca a extinção da classificação de 'distúrbios de sexualidade' como doença por parte da Organização Mundial da Saúde. Dê um basta no preconceito."

Muito me orgulha haver um clube como o Bahia no futebol. Um clube de futebol que entende seu alcance muito além das quatro linhas, numa consciência cada vez mais lúcida também no Corinthians, cabe dizer, mas ainda longe dos irmãos baianos. Que corinthianos possamos aprender fora de campo com nosso primeiro rival no Brasileirão de 2019. Máximo respeito!

Veja mais em: Campeonato Brasileiro, Tricampeonato Paulista, Andrés Sanchez e Torcida do Corinthians.

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Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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