8-3-1 ou 3-8-1: nada disso é normal

Lucas Faraldo

Escrevendo sobre o Corinthians desde 2014

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8-3-1 ou 3-8-1: nada disso é normal

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

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8-3-1 ou 3-8-1: nada disso é normal

Pedrinho disputou as últimas três edições de Brasileirão pelo Corinthians

Foto: Danilo Fernandes/ Meu Timão

Mais uma temporada chegando ao fim. E ainda que esteja em aberto um importante objetivo do Corinthians, já é possível olhar com tom de balanço de fim de feira para um problema em partes responsável justamente pela situação na qual o Timão se encontra no Brasileirão.

O Corinthians majoritariamente de Fábio Carille e agora também de Dyego Coelho praticamente não ganhou jogos "importantes". É claro que num campeonato todos os jogos são importantes, valem os mesmos três pontos, aquele papo todo. Mas é inegável a existência dos tais duelos de seis pontos: além de pontuar, tira pontos do adversário.

E é aí que o Corinthians, para mim, mais pecou nesse campeonato. Levando em consideração os seis times que disputam hoje as vagas da Libertadores via Brasileirão, o Timão já enfrentou todos em turno e returno. De 12 jogos, venceu um. Estamos falando de um aproveitamento de 30,5% com oito empates, três derrotas e uma vitória (8-3-1).

  • empate de 0 a 0 contra o Grêmio, na Arena Corinthians
  • vitória de 1 a 0 sobre o São Paulo, na Arena Corinthians
  • derrota de 1 a 0 para o Santos, na Vila Belmiro
  • empate de 1 a 1 contra o Flamengo, na Arena Corinthians
  • empate de 1 a 1 contra o Palmeiras, na Arena Corinthians
  • empate de 0 a 0 contra o Internacional, no Beira-Rio
  • empate de 0 a 0 contra o Grêmio, na Arena do Grêmio
  • derrota de 1 a 0 para o São Paulo, no Morumbi
  • empate de 0 a 0 contra o Santos, na Arena Corinthians
  • derrota de 4 a 1 para o Flamengo, no Maracanã
  • empate de 1 a 1 contra o Palmeiras, no Pacaembu
  • empate de 0 a 0 contra o Internacional, na Arena Corinthians

É muito pouco. Espera-se mais do Corinthians contra clubes também considerados grandes. Casos de Flamengo, Palmeiras, Santos, Grêmio, São Paulo e Internacional – citando em ordem decrescente os concorrentes do Timão na classificação do Brasileirão.

E justamente por não cumprir as expectativas que nutre enquanto time grande que é, passa perrengue no Brasileirão de 2019. Assim como passou, guardadas proporções, em 2018. Se hoje está fora da zona de classificação para a Libertadores com Carille/Coelho, ontem estava lutando contra o rebaixamento com Carille/Loss/Ventura.

Para fins de comparação: contra os mesmos seis times em destaque na atual edição do Brasileirão, o Corinthians em 2018 perdeu oito, empatou três e só venceu um (11,1% de aproveitamento). É um 8-3-1 piorado. Um 3-8-1 em comparação ao esquema de 2019.

No último ano em que foi bem, o Corinthians obteve 60% de aproveitamento contra esses mesmos rivais, em 2017. Divididos em dez jogos e cinco adversários (o Internacional estava na Série B), o esquema do Timão foi disposto num 5-3-2 de respeitáveis cinco vitórias, três empates e apenas duas derrotas. Nem é tanto. E bastou para ser campeão.

Isso sim é normal. Não necessariamente ser campeão! Nisso, inclusive, o Corinthians foi (positivamente) anormal, bastante fora da curva nos últimos tempos.

O normal é a regularidade. A imposição contra times que se dizem tão grandes quanto ou até maiores do que você e para quem você quer provar que estão errados. O Corinthians há um bom tempo não se impõe, não mostra a que vem nem mais na Arena e se apequena com resultados mixurucas e, mais do que isso, com a aceitação desses resultados.

Com respeito a Abel Braga e colorados, mas perder do Internacional não é normal. A fala recente de Mauro Cezar Pereira, como coube ao Flamengo, cabe ao Corinthians. Ali falava-se do Beira-Rio como palco de derrotas. Do lado de cá, falamos do 0 a 0 em Itaquera. Não se perdeu o jogo, mas foram por água abaixo os últimos pontos de um confronto direto.

"Fica aí uma mensagem que perder para o Internacional (no Beira-Rio) não é normal, só é normal na cabeça de quem não entende o que é o Flamengo", disse Mauro Cezar, em agosto, em referência a fala do então treinador rubro-negro Abel Braga sobre ser "normal perder do Internacional no Beira-Rio".

Resultados como esse último que muito bem ilustram os retrospectos dessas duas últimas temporadas do Corinthians não podem passar batidos nem serem tapados com a peneira que tem se tornado o Campeonato Paulista. Que de Paulistinha não tem nada, claro, mas está longe de ser um Paulistão como nos tempos de muito atrás. Hoje tão pouco serve para legitimar um bom ou mau trabalho, como exemplificado nessa segunda passagem de Carille.

Agora com Coelho e já já com Tiago Nunes, não é tarde para se impôr ao menos contra essa normalidade com a qual está sendo tratado o apequenamento do Corinthians a nível nacional. E mudar para 2020.

E se você abriu a coluna para reclamar do que seria um erro na manchete por fantasiar esquemas táticos de 12 jogadores, não deixe de reclamar. Eles não são mesmo normais.

Veja mais em: Campeonato Brasileiro e Retrospecto do Corinthians.

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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