A nota da discórdia
Opinião de Marco Bello
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O caso Drogba passou. O Corinthians continua imenso.
Foto: Bruno Teixeira
A nota oficial do Corinthians agradecendo ao jogador marfinense Didier Drogba pela negociação frustrada não foi bem recebida internamente no clube.
Funcionários e ex-funcionários dos departamentos de futebol e de marketing do Corinthians criticaram, alguns mais, outros menos veementemente o teor do texto.
A nota oficial agradeceu ao jogador pelas conversas com o clube, e afirmou que o atacante a partir de agora “é mais um louco do bando”.
O departamento de marketing do Corinthians, que iniciou a negociação, não teve qualquer participação na elaboração da nota oficial.
Alguns funcionários ouvidos pela coluna disseram que ficaram sabendo da nota apenas através do site oficial.
Disseram que a nota “foi um erro, que terminou de forma melancólica uma negociação mal conduzida.” “Agradeceu ao jogador por ter falado com o clube?” - perguntou outro.
A questão é que a nota é o menor dos problemas no Corinthians. Esta negociação evidenciou um problema latente no Parque São Jorge: a divisão interna que atrapalha o bom andamento das coisas.
Uma boa ideia do marketing, que causou um racha no futebol. Autorizada pelo presidente, mas mal conduzida.
O Corinthians procurou os intermediários errados, teve que recomeçar a negociação duas vezes.
Uma viagem à Londres para encontrar agentes que não estavam em contato direto com o atleta, que por acaso passava férias na África.
Seu agente principal, sem saber de nada, estava em Paris.
Os desmentidos vexatórios do presidente da existência da viagem, para não prejudicar a negociação quando do vazamento da mesma.
As declarações públicas do diretor de futebol que por muito pouco não enterraram o negócio antes mesmo dele começar de fato.
Por fim, após o jogador finalmente conversar com o presidente, o desfecho.
Depois de aceitar a oferta salarial e acenar positivamente, Drogba negou o compromisso.
Algumas pessoas envolvidas escutaram que ele será dirigente do Chelsea, portanto encerrará a carreira.
Outras, que ele voltará a jogar na América do Norte.
Seja qual for o motivo da negativa, foi uma negativa.
Ser educado, sempre. Se apequenar, não. Outro funcionário, este do futebol, ouvido pela coluna, afirmou: “Pareceu que o Drogba era maior que o Corinthians.”
Um erro, sim. Mas, como disse, o menor dos problemas.
Drogba não vem. Mas o Corinthians continua. E continua grande, imenso.
Que seus dirigentes e funcionários (de todas as áreas do clube!) saibam disso. E justifiquem usar todos os dias este escudo no peito.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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