Cristóvão é o técnico número 92 do Timão

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Celso Dario Unzelte, jornalista e pesquisador, é comentarista das televisões por assinatura ESPN/ESPN Brasil, do programa Cartão Verde (TV Cultura) e professor de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero

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Cristóvão é o técnico número 92 do Timão

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Cristóvão é o técnico número 92 do Timão

Contando os interinos, Cristóvão é o técnico número 116 do Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Respondendo a essa pergunta do Gustavo Vieira, descobrimos que Cristóvão Borges é o 92º técnico efetivo da história do Corinthians. E que contando os interinos ele é o técnico número 116.

Faça como o Gustavo Vieira! Nós, aqui, vamos continuar respondendo as dúvidas dos internautas do site Meu Timão sobre história, estatísticas ou qualquer outro tipo de curiosidade ligada ao Corinthians.

A base para as respostas será sempre o Almanaque do Timão, trabalho que desenvolvo há mais de 20 anos sobre todos os jogos, jogadores e técnicos do nosso time desde 1910. Ele virou livro em 2000, foi reeditado em 2005 e agora existe na forma do APLICATIVO ALMANAQUE DO TIMÃO, para smartphones e tablets, que pode ser baixado (de graça!!!) tanto pela Apple Store quanto pela Google Play. Nos dias (e noites) de jogos, esse aplicativo oficial do Corinthians continua sendo atualizado on line.

CELSO UNZELTE

Celso! Quantos técnicos (efetivos) o Corinthians já teve? (Apenas os efetivos.)

Quantos "interinos" ou assistentes técnicos já tivemos?

Qual o retrospecto deles (vitórias, empates, derrotas e gols pró e gols contra)? (Não o detalhado técnico a técnico, o geral dos dois, uma "comparação".)

Se possível, quem foi o "não técnico" que mais comandou o clube na história e seu retrospecto?

Gustavo Vieira Amadio

São Paulo, SP

@gustavo.vieira.amadi

Vamos por partes, Gustavo, pra gente não se perder.

Contando a fase entre 1910 e 1920, em que, na falta de um técnico oficial, o capitão era o responsável pela escalação do time, Cristóvão Borges é o técnico efetivo número 92 de toda a história corintiana. Ou o número 116, se contarmos os interinos. Considerando-se que o Corinthians ainda vai completar 106 anos, isso dá uma média de 0,86 técnico (menos de um!) por ano. Ou 1,09 técnico por temporada, contando com os interinos.

Os interinos ou assistentes técnicos que nunca foram efetivados no cargo somam 24 nomes:

1) Aguinaldo Moreira, preparador de goleiros (um jogo em 1991, entre a saída de Nelsinho e a chegada de Carlos Alberto Silva; um em 1992, entre a saída de Basílio e a chegada de Nelsinho; e dois em 1996, entre a saída de Eduardo Amorim e a chegada de Valdyr Espinosa).

2) Albino Lotito, diretor do clube (um jogo em 1943, substituindo Amílcar Barbuy, e dois em 1958, substituindo Cláudio Christóvam de Pinho).

3) Ângelo Macariello, preparador físico, treinou o time por um jogo: Corinthians 2 x 0 Inter de Limeira, pelo Campeonato Paulista, em 26/2/1989, entre a saída de José Carlos Fescina e a chegada de Ênio Andrade.

4) Cabeção (Luiz Morais), ex-goleiro corintiano e auxiliar técnico, treinou o time por um jogo: Corinthians 1 x 0 São Paulo, pelo Campeonato Paulista, em 8/8/1976, entre a saída de Filpo Núñes e a chegada de Duque.

5) Cléber Xavier, auxiliar técnico, substituindo Tite em dois jogos de 2012.

6) Dino “Pavão”, ex-jogador corintiano, auxiliar técnico de João Lima, substituindo-o por três jogos em 1961 até a chegada de Alfredo Ramos.

7) Édson “Cegonha”, ex-jogador e auxiliar de Oswaldo de Oliveira, substituindo-o emsete jogos do Rio-São Paulo e da Copa do Brasil em 2000, enquanto o titular cuidava do time no Paulista e na Libertadores.

8) Fábio Carilli, auxiliar técnico de Mano Menezes e, depois, de Tite. Dois jogos em 2010, entre a saída de Mano e a chegada de Tite, e dois em 2016, entre a saída de Tite e a chegada de Cristóvão Borges.

9) Hélio Ferreira, jogador que, junto com Servílio de Jesus e Cláudio, à época também jogadores, acumulou a função de técnico. Formou um “triunvirato” por três partidas em 1948, entre a saída de Gentil Cardoso e a chegada de Jorge de Lima (Joreca).

10) Hélio Filé, auxiliar do técnico efetivo, Cláudio Christóvam de Pinho. Treinou o time por um único jogo: Paulista de Jundiaí 2 x 3 Corinthians, amistoso, em 20/4/1958.

11) Hélio Maffia, preparador físico (2 jogos em 1983, junto com Zé Maria, entre a saída já acertada do próprio Zé Maria e a chegada de Jorge Vieira; 18 em 1984, substituindo interinamente Jair Picerni; e um em 1985, entre a saída do próprio Picerni e a chegada de Carlos Alberto Torres).

12) José Carlos Serrão, ex-jogador do São Paulo, treinou o time por um jogo, em que nem o técnico efetivo, Oswaldo de Oliveira, nem seu substituto, Édson “Cegonha”, puderam comparecer: Botafogo-RJ 1 x 0 Corinthians, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, em 25/5/2000.

13) Nesi Curi, diretor. Por causa de um atraso do técnico efetivo, Fleitas Solich, teve que assinar a súmula do jogo Paulista de Jundiaí 0 x 2 Corinthians, amistoso, em 26/5/1963.

14) Jairo Leal, auxiliar técnico de Carlos Alberto Parreira. Cinco jogos substituindo o titular do cargo em 2002 (Supercampeonato Paulista, amistoso e Copa dos Campeões) e um em 2003, entre a saída de Geninho e a chegada de Júnior.

15) João Avelino, auxiliar técnico, em dupla com o preparador físico José Teixeira quando o técnico efetivo, Oswaldo Brandão, tirou férias após a conquista do título paulista de 1977 (11 jogos, todos em 1977).

16) José Augusto, técnico das categorias de base. Dez jogos em 2007, sendo três entre a saída de Leão e a chegada de Paulo César Carpegiani e mais sete entre a saída do próprio Carpegiani e a chegada de Nelsinho.

17) José Gomes Nogueira, auxiliar de Oswaldo Brandão. Dez jogos em 1957, enquanto o técnico titular estava fora, servindo a Seleção Brasileira.

18) Márcio Araújo, auxiliar de Nelsinho, treinou o time por um jogo: Corinthians 0 x 1 Mogi-Mirim, pela Taça João Havelange, em 14/8/1993. Entre a saída de Nelsinho e a chegada de Mário Sérgio.

19) Mário Henrique de Almeida, diretor de Esportes que treinou o time por um único jogo: Juventus 3 x 0 Corinthians, amistoso, em 22/2/1942. Entre a saída de Armando Del Debbio e a entrada de Carlos Menjou.

20) Nando (Fernando Torrini), zagueiro que assumiu a condição de capitão por dois jogos em 1919, substituindo o titular Amílcar Barbuy, a serviço da Seleção Brasileira.

21) Nicanor de Carvalho, preparador físico que substituiu Jorge Vieira, afastado temporariamente por motivo de saúde (dois jogos em 1980).

22) Servílio de Jesus, jogador que, junto com Hélio e Cláudio, à época também jogadores, acumulou a função de técnico. Formou um “triunvirato” por três partidas em 1948, entre a saída de Gentil Cardoso e a chegada de Jorge de Lima (Joreca).

23) Waldir de Moraes, preparador de goleiros (dois jogos em 1998, entre a saída de Candinho e a chegada de Vanderlei Luxemburgo, e mais um em 2000, entre a saída de Oswaldo Alvarez e a volta de Candinho).

24) Wilson Coimbra, ex-goleiro do Palmeiras e preparador de goleiros. Dois jogos em 1997, entre a saída de Nelsinho e a chegada de Joel Santana.

Com técnicos efetivos (ou que um dia viriam a ser efetivados), o Corinthians entrou em campo em 5.511 vezes do total de 5.608 jogos de sua história, contabilizados até a vitória por 2 a 0 sobre o America-MG, em 29 de junho de 2016, pelo Campeonato Brasileiro. Ganhou 2.892 (52,7%), empatou 1.359 (24,7%) e perdeu 1.241 (22,6%). Não se conhecem os resultados de 19 partidas entre 1910 e 1920, 16 delas do período da várzea. Nesses jogos com técnicos efetivos, o Corinthians marcou gols 10.551 gols e sofreu 6.345.

Já nos 97 jogos com interinos que jamais tiveram a chance de se efetivar o aproveitamento cai um pouco. Foram 43 vitórias (44,4%), 25 empates (25,7%) e 29 derrotas (29,9%), 152 gols marcados e 102 sofridos.

O “não técnico” que mais comandou o clube na história foi o professor Hélio Maffia, preparador físico, com 34 jogos distribuídos em três oportunidades:

- Dois jogos em 1983, dividindo o comando com Zé Maria na conquista da Taça Cidade de Porto Alegre (Torneio Quadrangular Aplub).

- Dezoito jogos em 1984, sendo 13 deles pelo Campeonato Paulista, substituindo interinamente o já contratado Jair Picerni enquanto o titular treinava a Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

- Mais um jogo em 1985, Corinthians 1 x Santos 0, pelo Campeonato Brasileiro, em 10 de fevereiro de 1985, entre a queda de Jair Picerni e a chegada de Carlos Alberto Torres.

Aos 84 anos, a serem completados no dia 21 de julho, o professor Hélio Maffia terá um livro sobre sua carreira, escrito pelo jornalista Gustavo Longhi de Carvalho, a ser lançado na noite de 26 de julho, na Federação Paulista de Futebol. Ao todo, de seus 19 jogos como técnico do Timão, o interino Hélio Maffia ganhou sete (36,8%), empatou 9 (47,4%) e perdeu três (15,8%).

Game do Timão

Coluna do Celso Dario Unzelte

Por Celso Dario Unzelte

Celso Dario Unzelte, jornalista e pesquisador, é comentarista das televisões por assinatura ESPN/ESPN Brasil, do programa Cartão Verde (TV Cultura) e professor de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero

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