O meu melhor Corinthians de todos os tempos

Pergunte ao almanaque

Celso Dario Unzelte, jornalista e pesquisador, é comentarista das televisões por assinatura ESPN/ESPN Brasil, do programa Cartão Verde (TV Cultura) e professor de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero

ver detalhes

O meu melhor Corinthians de todos os tempos

4.1 mil visualizações 72 comentários Comunicar erro

O meu melhor Corinthians de todos os tempos

Roberto Rivellino é o maior craque do meu Corinthians de todos os tempos

Foto: Reprodução/Arquivo Celso Unzelte

Na coluna da semana passada, eu escalei o melhor Corinthians entre os jogadores que vi atuar. Mas muita gente não entendeu, cobrando a presença de craques que eu não vi. Por isso, agora vou aproveitar a coluna desta semana para escalar o meu melhor Corinthians de todos os tempos, em cima de uma recente troca de e-mails com o Vinicius Alexandre Batista de Oliveira, de Cuiabá (MT). Estão todos convidados a escalar também o seu Timão de todos os tempos!

Nós, aqui, vamos continuar respondendo as dúvidas dos internautas do site Meu Timão sobre história, estatísticas ou qualquer outro tipo de curiosidade ligada ao clube, como essa. A base para as respostas será sempre o Almanaque do Timão, trabalho que desenvolvo há mais de 20 anos sobre todos os jogos, jogadores e técnicos do nosso time desde 1910. Ele virou livro em 2000, foi reeditado em 2005 e agora existe na forma do APLICATIVO ALMANAQUE DO TIMÃO, para smartphones e tablets, que pode ser baixado (de graça!!!) via Apple Store ou Google Play. Nos dias (e noites) de jogos, esse aplicativo oficial do Corinthians continua sendo atualizado on line.

E o APLICATIVO ALMANAQUE DO TIMÃO traz uma novidade: o GAME DO TIMÃO, uma plataforma de questões de múltipla escolha em que acertos e velocidade de resposta somarão pontos para um ranking geral de usuários cadastrados. Os mais bem ranqueados receberão prêmios periódicos (semanais, mensais, semestrais e anual), como réplicas de camisas antigas, camisas oficiais, camisetas, relógios, bijuterias, bonés e livros, além de visitas acompanhadas ao Memorial do Clube, no Parque São Jorge, e até ingressos de cortesia para jogos na Arena Corinthians.

CELSO UNZELTE

Olá, Celso. Sou corinthiano e acompanho bastante seu trabalho, principalmente pelo Almanaque. Sei que você é um grande conhecedor da história do clube. Gostaria que me tirasse uma dúvida. Ela não é fundada em dados, mas numa opinião pessoal sua que gostaria de saber. Qual seria seu time histórico do Corinthians, do 1 ao 11?

Obrigado. Grande abraço!!!

Vinicius Alexandre Batista de Oliveira

@rivelinomito

Meu time ideal seria (no 4-1-4-1 do Tite):

Gilmar;

Zé Maria, Domingos da Guia, Gamarra e Wladimir;

Roberto Belangero;

Cláudio, Luizinho, Sócrates e Rivellino;

Baltazar.

Além do próprio Tite, vou me dar o direito de escalar um segundo técnico, o histórico Oswaldo Brandão, para trabalharem juntos.

Com muita dor no coração, tive que deixar o Marcelinho de fora. Para colocá-lo na segunda linha de quatro, eu teria que tirar Cláudio (o maior artilheiro da história do clube, com 305 gols), Luizinho, Sócrates ou Rivellino. Aí não dá. Como nesse esquema eu precisava de um centroavante de ofício, acabei ficando com o Baltazar.

Sobre aqueles que vi jogar (Zé Maria, Gamarra, Wladimir e Sócrates) eu já escrevi na coluna da semana passada. Sobre os demais, seguem os textos aí debaixo.

GOLEIRO – Gilmar (1951 a 1961)

Um dos melhores goleiros do Brasil e do mundo em todos os tempos, Gilmar (nascido Gylmar, com y) dos Santos Neves (*Santos, SP, 22/8/1930 - +São Paulo, SP, 25/8/2013) foi ídolo do Corinthians durante toda uma década, desde que veio do Jabaquara, de Santos, em 1951, até sair para continuar brilhando no Santos de Pelé, a partir de 1961. Teve um início difícil, quando chegou a ser considerado o culpado por uma derrota para a Portuguesa por 7 a 3 e foi afastado do resto daquele campeonato, no qual o Corinthians acabaria se sagrando campeão paulista depois de dez anos com Cabeção no gol. Mas no ano seguinte, 1952, o do bi, Gilmar estava de volta, como titular da posição.

Seguro, elástico, arrojado, foi uma das principais figuras da conquista do título paulista do IV Centenário, em 1954, principalmente por suas defesas no empate por 1 a 1 contra o Palmeiras que garantiu o troféu. Quando foi campeão do mundo com a Seleção Brasileira pela primeira vez, em 1958, na Suécia, Gilmar era jogador do Corinthians.

ZAGUEIRO – Domingos da Guia (1944 a 1948)

Considerado o melhor zagueiro do Brasil e um dos melhores do mundo em todos os tempos, titular da Seleção na Copa do Mundo de 1938, disputada na França, Domingos Antônio da Guia (*Rio de Janeiro, RJ, 19/11/1912 - +Rio de Janeiro, RJ, 18/5/2000) chegou ao Parque São Jorge já aos 31 anos, em 1944, para se tornar também um dos maiores da posição em toda a história corintiana. Sua contratação junto ao Flamengo, por cerca de 300 contos de réis (recorde sul-americano na época), revolucionou o futebol paulista. Com ela, os dirigentes corintianos pretendiam reaver o título de campeão estadual, longe do clube desde 1941.

Domingos era um nome consagrado, campeoníssimo pelo Nacional do Uruguai, Boca Juniors da Argentina e Flamengo, entre outros clubes pelos quais passou. Pelo estilo clássico (preferia sair jogando com a bola dominada e evitava dar chutões), era chamado de “Divino Mestre, apelido herdado anos depois por seu filho, Ademir da Guia, que se consagrou no Palmeiras como o Divino. No Corinthians, Domingos da Guia era o capitão. Jogou quatro anos, tempo suficiente para integrar também a Seleção Paulista e continuar sendo convocado para a Brasileira. Não conquistou nenhum título paulista (o mais importante entre os que eram disputados naquela época), mas em 1947 ganhou a Taça Cidade de São Paulo (triangular com os três primeiros colocados do Paulistão do ano anterior).

VOLANTE – Roberto Belangero (1947 a 1960)

Sobre ele, certa vez, o lateral-esquerdo Nílton Santos, considerado a Enciclopédia do Futebol, chegou a me dizer durante uma entrevista: “Ah, você é corinthiano? Então é do time do Roberto Belangero. Ele foi um dos jogadores que eu vi bater mais bonito na bola até hoje”. Quem viu Roberto Belangero jogar certamente concorda com a afirmação de Nílton Santos. Não por acaso, Roberto acabou ganhando da torcida — e de seus próprios colegas — o apelido de “Professor.

Um dos maiores centromédios (atual volante) em toda a história do clube, vestia sempre a camisa 6. Veio do Maria Zélia, da várzea paulistana, junto com Luizinho e o ponta-esquerda Colombo. Roberto Belangero teve uma primeira chance em 1947, mas subiu definitivamente dos aspirantes para o time principal em 1949, junto com seus velhos companheiros de várzea, mais Idário, ao lado do qual, e junto também de Goiano, formou a legendária linha média campeã paulista do IV Centenário em 1954: Idário, Goiano e Roberto. Ele era o contraponto de categoria no meio dessa dupla de jogadores raçudos.

Dono de um futebol clássico, elegante, era incapaz de dar um só pontapé. Uma vez de posse da bola, sempre com a cabeça erguida, decidia como iria se processar o próximo ataque corintiano. E quando as arquibancadas passaram a exigir dele mais garra, mais bravura, Roberto incorporou também esse elemento a seu futebol, que já era tão próximo da perfeição. Chegou a ser titular da Seleção Brasileira em 1957, durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo do ano seguinte, mas acabou cortado antes do embarque para a Suécia. Após ganhar passe livre como reconhecimento a seus serviços, Roberto Belangero encerrou a carreira no Newell’s Old Boys, da Argentina. Depois tornou-se técnico do próprio Corinthians, em 1964.

PONTA-DIREITA – Cláudio (1945 a 1957)

Ponta-direita de origem, aqui escalado para fazer a função do meia aberto pela direita na segunda linha de quatro homens. Ninguém, em 106 anos de Corinthians, marcou mais gols com a camisa do clube que Cláudio Christóvam de Pinho (*Santos, SP, 17/7/1922 - +Santos, SP, 1'º/5/2000). Foram nada menos que 305, nos 550 jogos que ele disputou. Para o Corinthians, porém, Cláudio representou ainda mais que isso.

Durante aqueles 12 anos, ele foi o capitão e o cérebro de uma das melhores e mais vencedoras equipes da história do clube, aquela que foi bicampeã paulista em 1951/52, campeã do IV Centenário de São Paulo, em 1954, e ganhou três vezes o Torneio Rio-São Paulo, em 1950, 1953 e 1954, entre outras conquistas. Não por acaso, Cláudio ganhou o apelido de “Gerente”, com o qual se consagrou.

Revelado pelo Santos, antes do Corinthians jogou também no Palmeiras, quando marcou o primeiro gol da história do ex-Palestra com seu novo nome, em 1942. O Corinthians foi buscá-lo em 1945, na Vila Belmiro, para onde havia voltado. Altamente técnico, Cláudio tinha duas jogadas mortais: os cruzamentos certeiros para a cabeça de Baltazar e as venenosas cobranças de faltas. Na Seleção Brasileira, foi injustiçado pelo técnico Flávio Costa na convocação para a Copa do Mundo de 1950, disputada aqui no país. Mesmo após o corte do gaúcho Tesourinha, contundido, Flávio preteriu o nome de Cláudio em favor do vascaíno Alfredo, um curinga, que nem ponta-direita era.

Quando parou de jogar, em 1958, Cláudio assumiu o cargo de técnico do Corinthians, no lugar de Oswaldo Brandão. Ainda voltaria a jogar por um curto espaço de tempo, entre 1959 e 1960, pelo São Paulo, o último dos quatro maiores clubes paulistas que ele ainda não havia defendido. Não por acaso, seu busto é um dos poucos que enfeitam os jardins do Parque São Jorge, ao lado do velho ídolo Neco, de seus companheiros Luizinho e Baltazar, de Sócrates e de Rivellino.

MEIA-DIREITA – Luizinho (1948 a 1960, 1964 a 1967 e 1996)

Luiz Trochillo (*São Paulo, SP, 7/3/1930 - +São Paulo, SP, 17/1/1998), o Luizinho, foi talvez o ídolo mais corinthiano de todos os tempos: nasceu, viveu e morreu na Zona Leste, tradicional reduto da Fiel na capital paulista. Era uma das crias do Maria Zélia, da várzea paulistana, e para vê-lo em ação no time de aspirantes muitos corintianos passaram a chegar mais cedo ao estádio, fenômeno que se repetiria anos depois com Rivellino.

Bicampeão paulista em 1951/52, campeão do Rio-São Paulo em 1950, 1953 e 1954, autor do gol de cabeça contra o Palmeiras que valeu o título paulista do IV Centenário, também em 1954, Luizinho, de apenas 1,64 metro de altura, adorava driblar seus adversários. Dizem, até, que certa vez chegou a sentar na bola, diante do enorme centromédio argentino Luiz Villa, do Palmeiras. Igualzinho ao Pequeno Polegar, personagem do conto de fadas de domínio público recontado pelo francês Charles Perrault (1628-1703). Na história, ele “driblava um ogro malvado, daí o apelido, dado pela primeira vez pelos europeus, maravilhados com o futebol (e com os dribles) de Luizinho durante a excursão do Corinthians à Turquia, Suécia, Dinamarca e Finlândia, em 1952.

Luizinho manteve-se como titular absoluto do Corinthians até 1960, quando foi para o Juventus. Voltaria ao Corinthians em 1964, para encerrar a carreira três anos depois. Em 1996, aos 65 anos, voltou a campo por cinco minutos, para ser homenageado no amistoso entre Corinthians e Coritiba que marcou a estreia de Edmundo no Timão. Naquela noite, Luizinho completou 606 partidas pelo Corinthians. Até hoje, somente o lateral-esquerdo Wladimir, com 805 jogos, esteve em campo mais vezes que ele.

MEIA-ESQUERDA – RIVELLINO (1965 A 1974)

Canhoto (na Copa de 70, no México, foi tricampeão mundial pela Seleção Brasileira jogando como falso ponta), ele não teria dificuldade em se adaptar à posição de meia aberto pela esquerda nessa linha de quatro homens. Roberto Rivellino (*São Paulo, SP, 1º/1/1946) foi não só o jogador mais capacitado tecnicamente neste primeiro século de história do Corinthians, como também um dos maiores do mundo em todos os tempos.

Sua bomba de perna esquerda, apelidada de Patada Atômica durante a Copa do Mundo de 70, e o drible curto, herança dos tempos em que começou no futebol de salão, transformaram-no em uma espécie de príncipe do futebol brasileiro nos tempos em que Pelé reinava. Mais, até, que isso: Rivellino também foi rei, o Reizinho do Parque. O apelido, dado pelo jornalista Antônio Guzman em sua coluna“”As 20 Notícias”, no jornal Diário da Noite, acabou ficou para sempre.

Depois de tentar a sorte rapidamente nas peneiras do São Paulo e principalmente nas do Palmeiras, Rivellino (na época chamado de Maloca) foi, enfim, muito bem recebido no Corinthians. Aos 18 anos, já era conhecido da Fiel, que chegava mais cedo aos estádios só para vê-lo brilhar nas preliminares, pelo timaço de aspirantes que se sagrou campeão paulista da categoria em 1964. Aos 19, ganhou a primeira oportunidade entre os profissionais, em um jogo contra o Santa Cruz, pelo Pentagonal do Recife, torneio conquistado pelo Corinthians. Marcou um dos gols da vitória por 3 x 0 e nunca mais saiu do time.

Durante os exatos dez anos em que vestiu a camisa alvinegra, Rivellino foi o próprio Corinthians. Embora tenha, sim, conquistado títulos pelo clube (como o Rio-São Paulo de 1966, repartido com Botafogo, Santos e Vasco; o Torneio do Povo de 1971, com um gol de falta dele próprio na decisão contra o Inter, no Mineirão; e o Torneio Laudo Natel, com ele novamente fazendo o primeiro gol na vitória por 2 x 1 na decisão contra o Palmeiras), Rivellino perseguia mesmo era o troféu do Campeonato Paulista, que jamais alcançou. De seus pés saía a alegria de cada vitória importante e em seus ombros era depositada a responsabilidade por todas as derrotas, como aquela da final do Campeonato Paulista de 1974, contra o Palmeiras, que acabou provocando sua saída do Corinthians para o Fluminense. Em 2014, no jogo festivo entre ex-atletas do clube que inaugurou a Arena Corinthians, Rivellino foi homenageado ao marcar, de pênalti, o primeiro gol no novo estádio.

CENTROAVANTE – BALTAZAR (1945 a 1957)

Grandes centroavantes o Corinthians teve muitos — do legendário Teleco, que entre 1934 e 1944 fez mais gols (256) do que jogos (249), ao Fenômeno Ronaldo, passando por Flávio, Casagrande, Viola, Luizão... O próprio Oswaldo Silva (*Santos, SP, 14/1/1926 - + São Paulo, SP, 25/3/1997), que ganhou o apelido Baltazar por conta da semelhança com um irmão que tinha esse nome, reconhecia que nunca foi muito bom com os pés. Mas, com a cabeça, nem Pelé teria sido melhor do que ele.”

Não havia exagero na afirmação: dos 269 gols marcados por Baltazar em seus doze anos de Corinthians, pelo menos 71 foram comprovadamente de cabeça. Não por acaso, Oswaldo (ou melhor, Baltazar) entrou para a história do futebol com um apelido: “Cabecinha de Ouro”. Inspirou músicas, como a marchinha “Gol de Baltazar”, composta em 1952 pelo corintiano Alfredo Borba (“Gol de Baltazar/Gol de Baltazar/Salta o Cabecinha, 1 x 0 no placar”, dizia o refrão). Baltazar também ganhou um automóvel em um concurso que o apontou como o craque mais popular de seu tempo. Foi, enfim, um dos maiores ídolos da história corintiana.

Quando chegou ao Parque São Jorge, vindo do Jabaquara, no final de 1945, Baltazar jogava na meia-direita. Só depois descobriu sua verdadeira vocação. Artilheiro do Rio-São Paulo de 1950, com nove gols, chamou a atenção do técnico Flávio Costa, do Vasco e da Seleção Brasileira. Foi convocado para a Copa do Mundo disputada naquele mesmo ano no Brasil, e jogaria também as Eliminatórias e o Mundial de 1954, na Suíça.

Sempre goleador, Baltazar foi o artilheiro do Campeonato Paulista de 1952, pelo Corinthians, com 27 gols. Encerrou a carreira no Juventus. Depois, em 1971, tornou-se técnico do próprio Timão.

TÉCNICO 1 – TITE (2004/2005, 2010 a 2013 e 2015/2016)

Adenor Leonardo Bachi (*Caxias do Sul, RS, 25/5/1961), o Tite, começou a ganhar notoriedade nacional como técnico em 2001, quando conquistou a Copa do Brasil pelo Grêmio justamente contra o Corinthians. Três anos depois, o Timão foi buscá-lo para ajudar uma equipe cujo futuro no Brasileiro de 2004 era preocupante. Pragmático, Tite armou um time preocupado em primeiro se defender para depois atacar. Assim ganhou vários jogos por 1 x 0 e por fim classificou o Corinthians no honroso quinto lugar de um Brasileiro em que chegou a estar ameaçado pelo rebaixamento.

No Paulista de 2005, Tite não teve tempo de contar com o Corinthians completo, com todos seus galácticos recém-contratados. Pressionado pela parceira MSI, que queria ver o argentino Daniel Passarella em seu lugar, Tite caiu após uma derrota para o São Paulo (0 x 1, 27/2/2005), pelo Paulistão, em que o lateral Coelho perdeu um pênalti no último minuto, ao cobrá-lo no lugar da estrela Tevez.

Tite, porém, voltaria no final de 2010 para, com a efetiva participação de suas ideias táticas, dar ao Corinthians os maiores títulos de sua história: o pentacampeonato brasileiro, em 2011, a inédita Libertadores e o bicampeonato mundial de clubes, ambos em 2012. Treinador mais vitorioso da história do clube, em 2015 volta, torna-se o segundo em número de partidas em toda a história corintiana (378, atrás apenas de Oswaldo Brandão, com 196 vitórias, 110 empates, 72 derrotas) e conquista mais um título, o Brasileiro de 2015, sexto da história do clube. Em junho de 2016, deixou o clube para dirigir e mudar a cara da Seleção Brasileira.

TÉCNICO 2 – OSWALDO BRANDÃO (1954 a 1958, 1964 a 1966, 1968, 1977/78 e 1980/81)

Tite pode ter conquistado mais títulos, e também os mais importantes da história do clube. Mas Oswaldo Brandão (*Taquara, RS, 18/9/1916 - + São Paulo, SP, 29/7/1989) foi o mais carismático técnico do Corinthians em todos os tempos, e por isso também merece ser lembrado. É também quem treinou o time mais vezes e com o maior número de partidas (435) até hoje, com 251 vitórias, 93 empates e 91 derrotas.

O presidente Alfredo Ignácio Trindade foi buscá-lo no Cine Santa Helena, de propriedade de seu sogro (onde Brandão estava trabalhando como gerente por falta de propostas de outros clubes), para ser campeão paulista do IV Centenário em 1954. Brandão permaneceu como técnico corintiano por mais de três anos, até o início de 1958. No período em que o Corinthians ficou sem ganhar um novo campeonato, até 1977, Brandão se consagrou em outros clubes, ganhando títulos no São Paulo e, principalmente, no Palmeiras. Mas, de vez em quando, os destinos do Corinthians e do treinador voltavam a se cruzar. Como aconteceu entre 1964 e 1966 e em 1968, quando Brandão foi supervisor de outro técnico, Aymoré Moreira, no Timão.

Em 1977, Brandão havia sido demitido da Seleção Brasileira durante as Eliminatórias para a Copa de 1978, na Argentina, e voltou ao Parque São Jorge para enfim por fim à maldição que já durava mais de duas décadas. Nas finais do Campeonato Paulista daquele ano, mais que um técnico, foi também um psicólogo. Depois de uma derrota para o Guarani (0 x 1, 23/10/1977) que praticamente alijava o Corinthians da disputa do título, trancou-se com os jogadores no vestiário. Não deixou ninguém mais entrar, nem mesmo o presidente Vicente Matheus, ávido por cortar cabeças. Ali, Brandão decretou para os seus comandados: “Agora, só depende de vocês”. A equipe ganhou todos os três jogos restantes (contra Botafogo, em Ribeirão Preto, Potuguesa e São Paulo), classificou-se para a decisão contra a Ponte Preta e levantou a tão cobiçada taça.

Diz a lenda que, na manhã do terceiro e histórico jogo, Brandão — um místico, que tinha o kardecismo como filosofia de vida — sonhou com o resultado e, de manhã, procurou Basílio, dizendo: “Você vai fazer o gol do título”. Jogada psicológica ou não, a profecia acabou dando certo.

No início dos anos 80, Oswaldo Brandão voltou a treinar o Corinthians. Aos 64 anos, não teve a mesma sorte. Despediu-se ao som dos gritos cruéis que vinham das arquibancadas: “Ado, ado, ado, Brandão está superado”. Entre o final de 1985 e o início de 1986 voltou uma vez mais ao clube, como supervisor.

Veja mais em: Ídolos do Corinthians.

Game do Timão

Coluna do Celso Dario Unzelte

Por Celso Dario Unzelte

Celso Dario Unzelte, jornalista e pesquisador, é comentarista das televisões por assinatura ESPN/ESPN Brasil, do programa Cartão Verde (TV Cultura) e professor de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero

O que você achou do post do Celso Unzelte?

  • Comentário mais curtido

    Foto do perfil de Lucas

    Ranking: 248º

    Lucas 3088 comentários

    por @lucas.mariano10

    Celso Unzelte, você é mesmo Corintiano...obrigado pelo que faz pelo maior das Américas...esse timaço ganharia muitos títulos fosse hoje...falo isso devido a raça de cada um em campo...

  • Últimos comentários

    Foto do perfil de anisio

    Ranking: 695º

    Anisio 1434 comentários

    72º. por @amoamolim

    Peço vênia meu caro Unzelte, tenho o maior respeito pelo seu trabalho, mas, escolher o técnico Tite como o melhor, ainda mais com esse elenco estrelado que na sua visão o melhor de todos os tempos, o Tite estragaria esse time, assim como estragou o time da seleção.

    Ele certamente colocaria o Ralf no lugar de Belangero, o Chicão no lugar de Da guia, o Jadson no lugar de Luisinho, Malcon no lugar de Rivelino, e Romero no lugar de Claúdio Pinho.

    Um time dessa envergadura, somente com Osvaldo Brandão, ou, o mágico Mario Travaglini, que fez um time do Corinthians com Sócrates e cia, jogar por música, pois, era assim como a imprensa tratava o Corinthians.

  • Foto do perfil de Gustavo

    Gustavo 23 comentários

    71º. por @chefgus

    Sou de São Paulo sim, moro na zona sul! Chego por aí dia 9, estou na Colômbia curtindo férias! Marcaremos, ok? Grande abraço, Mestre!

    Foto do perfil de Celso

    Celso 292 comentários

    19/11/2016 às 11h56 por @celso.unzelte

    Autografo com o maior prazer, Gustavo. Fica mais fácil se você for de São Paulo.

  • Foto do perfil de marcello

    Marcello 41 comentários

    70º. por @talavera

    Muito legal.

  • Foto do perfil de Wilson

    Ranking: 9110º

    Wilson 92 comentários

    69º. por @wilson.ribeiro

    Olá, Celso. Eu gostaria de saber quantos jogadores europeus já jogaram pelo o Corinthians em toda sua história?

    Obrigado

  • Foto do perfil de Valdir

    Ranking: 818º

    Valdir 1282 comentários

    68º. por @brasilio

    Que 4-1-4-1, pare com isso, com esse time, é 4-3-3, fácil

  • Foto do perfil de Maurício

    Maurício 39 comentários

    67º. por @mauricio.sabara

    Meu Corinthians de todos os tempos: Ronaldo, Zé Maria, Amilcar, Brandão e Wladimir; Roberto Rivellino, Sócrates e Neco; Cláudio, Luizinho e Baltazar. Técnico: Tite.

    Reserva: Cabeção, Idário, Grané, Del Debbio e Olavo; Roberto Belangero, Danilo e Neto; Marcelinho, Servílio e Teleco.

    Pra deixar bem claro caso alguém comente, o Brandão que me refiro é o José Augusto Brandão e não o Oswaldo Brandão treinador.
    Formei um meio de campo sem um volante fixo, pois como entendo tratar-se de um Corinthians "importante", não quis deixar de fora os jogadores que tem um busto no Parque São Jorge, que são justamente os três do meio e do ataque. Outro detalhe que deve ser dito para justificar minha escolha, é que o Rivellino, Sócrates e Neco também sabiam marcar, embora não ser essa suas características principais.

  • Foto do perfil de Leandro

    Ranking: 1698º

    Leandro 712 comentários

    66º. por @leandro.de.sa

    Boa noite Celso
    Sempre vejo você falando dos melhores, mas queria saber, na tua opinião, quem foi o pior ou aquele que não deveria ter vestido a camisa do Timão?
    Seba? Johnny Herrera? Cocito? Pato? Edmundo? Defederico? Bovio? Clodoaldo? Adriano? Bill? Escudero?
    Na minha opinião nada se compara ao Paulo Nunes, um cara desse nem merecia ter vestido nossa camisa

  • Foto do perfil de Luiz

    Ranking: 12º

    Luiz 24675 comentários

    65º. por @timao.in.rio

    Sim, Celso! E foi isto que eu quis dizer. Com tantos bons que ficaram de fora, os que estão dentro só podem ser bom demais.

    Foto do perfil de Celso

    Celso 292 comentários

    19/11/2016 às 11h51 por @celso.unzelte

    Só cabem 11. Em vez de ficar listando quem não entrou é melhor se perguntar quem dos escolhidos sairia para outro entrar. A dificuldade torna-se bem maior.

  • Foto do perfil de luiz

    Ranking: 4979º

    Luiz 219 comentários

    64º. por @luizhenrique

    Celso você é um grande historiador um dos maiores conhecedores do Todo Poderoso Timão.

    O time que você montou é fantástico! Os números são impressionantes, mas eu não vi nenhum deles jogar, vou marcar o meu time com o que eu vi de melhor.

    O time de 98/99/00 é o melhor de todos os tempos, mas vou tentar fazer uma mescla.

    Goleiro - Ronaldo 601

    Zagueiros - Gamarra e Chicão (ou Gil)

    Lateral esquerda - Kleber

    Lateral direita - Fagner

    Meio

    Marcelinho - Sócrates - Ralf - Neto

    Ronaldo Fenômeno e Tevez

    4-4-2

    Técnico - Tite

    Com dor no coração deixei de fora:

    Vampeta, Rincón, Edilson, Luisão e Sheik.

    É muito difícil montar esse time pelos grandes craques que já passaram aqui.

    O mais triste é ver o time atual em campo, jogadores que não são dignos de vestir nossa gloriosa camisa.

  • Foto do perfil de Celso

    Ranking: 3924º

    Celso 292 comentários

    63º. por @celso.unzelte

    Olá, Deco.
    Meus argumentos estão nos textos. É para isso que eles são escritos. Para saber em que eu me baseio, é só você lê-los...
    abraços.

    Foto do perfil de Deco

    Deco 13306 comentários

    18/11/2016 às 10h29 por @deco20

    Queria saber com base em que o Celso decide por A ou B? Apenas pelos números, pela história, por relatos de outros corinthianos?

    Pergunto por curiosidade mesmo, já que boa parte da lista não vimos jogar.