Vai na paz, Corinthians

Rafael Castilho

Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians

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Vai na paz, Corinthians

A partir desta quarta, Corinthians busca segunda taça da Libertadores

Foto: Reprodução

Mais uma vez começa a Libertadores para o Corinthians. Uma relação bem complicada.

Pois não deveria ser.

Recordo-me quando o juiz apitou o final da partida no Pacaembu na final contra o Boca Juniors. Dois a zero. Corinthians campeão.

Fiquei absolutamente feliz e emocionado. Uma noite de muita alegria. Tenho histórias incríveis e emocionantes daquele dia. Gostaria de contar pra vocês em outro momento. Na verdade, todo mundo tem suas histórias fantásticas daquela noite de julho e sobre tudo que acontecera naquele período pra lá de especial em nossa história.

Mas, é verdade também, que depois desse apito do juiz, manifestei um profundo alívio. Havia acabado aquele flagelo. Lembro-me de ter gritado alto desde o Tobogã: “Acabou essa merda. Ganhamos essa várzea”.

Sim, a Libertadores era um desafio que tínhamos de superar. Mais um dos grandes obstáculos colocados na vida do Corinthians. Não havia um corinthiano que não esperasse ansioso o dia de comemorar a Libertadores na cara dos antis.

Porém, jamais padeci desse fetiche que inebriava tanta gente que só conseguia enxergar a Libertadores como campeonato de real valor. Sempre achei superestimada a valorização desse campeonato, que para mim sempre foi um pouco fruto de uma espécie de subordinação cultural. Seria necessário sermos reconhecidos “lá fora” para de fato nos aceitarmos aqui dentro. Quem precisa muito de passaporte é porque está sem identidade.

De que adianta, depois vai jogar o mundial da FIFA de joelhos, beijando a mão e pedindo pra tirar selfie com os craques da Europa, tomam um sacode e voltam pra casa. Com o Coringão nunca foi assim. Metendo bola no meio das canetas do zagueiro do Real Madrid ou gritando “Fuck You Chelsea” na cara dos gringos, nós sabemos da nossa força e não pagamos pau pra ninguém. O Timão se impõe porque sabe que nada no mundo pode ser mais fantástico do que o próprio Corinthians.

Voltando novamente ao apito final no Pacaembu. A sensação de alívio era porque certamente a zica haveria de acabar. O Corinthians dali por diante jogaria a Libertadores sem a mesma pressão que não vinha somente dos rivais ou da grande mídia, mas da própria torcida que no segundo-tempo do jogo de domingo já gritava “É quarta-feira!”.

Acontece que o Corinthians foi lá, pegou a zica que já estava na lata do lixo e resolveu reciclar.

Nos últimos anos caiu no erro tolo de poupar titulares no Paulista pra jogar na quarta-feira de Libertadores. Colocou toda pressão em cima do campeonato. Fez a grande besteira de perder clássicos regionais com time misto e colocar um clima pra lá de pesado em partidas com adversários até mesmo mais fracos.

Espero que esse ano não seja assim. Espero que tenhamos aprendido a lição.

Quero muito que o Corinthians seja campeão da Libertadores em 2018.

Mas, honestamente, o Corinthians ganhou o jogo que tinha que ganhar no sábado passado. Não me venham com essa conversa de “paulistinha” porque arrogância não combina conosco. Ganhamos do Palmeiras (a quarta partida seguida) e isso, por si só, já é uma grande vitória. Além, do mais, para os pragmáticos de plantão, dá muito mais confiança pra jogar qualquer outro campeonato, inclusive a Libertadores.

Corinthians, boa sorte na Copa Libertadores. Vai na fé! Vamos jogar com raça e com o coração. Mas, sem aquele estresse. O povão estará contigo.

Vai (na paz) Corinthians!

Veja mais em: Libertadores da América.

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Por Rafael Castilho

Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians

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