Chicão, com exclusividade, para o Meu Timão

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Chicão, com exclusividade, para o Meu Timão

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Chicão, com exclusividade, para o Meu Timão

Chicão em 2009, após marcar o segundo gol em vitória de 3x1 sobre o SPFC.

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Chicão, ou Anderson Sebastião Cardoso, resolveu deixar os gramados aos 35 anos. Chicão tem números muito expressivos com a camisa do Corinthians: seis temporadas no clube, 247 jogos, 42 gols e oito títulos. (veja os 42 gols de Chicão no Corinthians aqui)

O único defensor do Corinthians com mais gols que Chicão é Grané, que marcou 50 nas decádas de 1920 e 30.

Chicão chegou ao Corinthians já com 27 anos e mesmo tendo jogado por outros clubes, ainda é o 'Chicão do Corinthians', sendo até hoje ovacionado pela torcida toda vez que aparece na Arena.

Batemos um papo rápido com Chicão, onde ele fala um pouco de sua carreira e planos para o futuro.

Então chegou o dia, não Chicão? O dia que você deixa os gramados como jogador e entra para a história. Você se sente preparado para este momento? É uma sensação de perda?

Muito preparado. Foram sete meses em casa pensando muito até tomar essa decisão, decisão difícil mas que um dia teria que acontecer. Acho que chegou o momento de passar de dentro do campo para fora dele. Claro que você fica chateado por isso, mas tem que ser consciente; um dia tudo isso acaba, um dia iria acontecer.

O que é mais fácil, torcer pelo Corinthians ou jogar pelo Corinthians?

Acho que é mais fácil torcer, porque lá dentro da Arena você tem a responsabilidade de representar 30 milhões. Eu fui um dos poucos que tiveram essa oportunidade e tenham a certeza que lá dentro de campo sempre entrei com esse pensamento. Uma coisa que sempre carreguei comigo foi a vontade de vencer, pois sabia que muitos estariam felizes com o resultado final: títulos.

Acho que é ponto pacífico que seu melhor momento foi no Corinthians, que por sinal é seu time do coração. Mas além de jogar pelo Corinthians, jogou contra o Corinthians também, por vários clubes. Como foi sua sensação, dos dois lados? A torcida corinthiana é tudo isso que falam ou é exagero? (Chicão esteve inclusive em uma vitória do Figueirense por 3x1 no Pacaembu em 2006, que derrubou o técnico Geninho)

A sensação foi um pouco estranha, pois construí uma história no clube que poucos tem e vão conseguir ter, mas a partir do momento que começa o jogo, tenho que ser profissional e fazer o melhor para o clube que estou defendendo. Com relação a torcida, é tudo isso mais um pouco ainda, pois eu sentia essa sensação de dentro e hoje sinto fora de campo o carinho que eles têm por mim.

A sensação dentro de campo quando o time toma gol, a torcida começa a gritar mais... e é nisso que o jogador tira forças de onde não tem. Então faz a diferença sim.

Você não ganhou quase nada pelo Corinthians, não? Só Campeonato Brasileiro A e B, Copa do Brasil, Paulista, Libertadores, Recopa e Mundial. Você pode contar três momentos marcantes para você?

Difícil achar só três momentos,foram vários desde quando cheguei, realizando o meu sonho de jogar no clube. Fiz gol no acesso, no título da Série B, na semi final de 2008 contra o Botafogo no Morumbi e na final
2009 contra o Santos na Vila Belmiro, onde o Ronaldo fez aqueles dois lindos gols... e não posso e nunca vou esquecer o lance do gol do Mundial, onde eu achei o Paulinho no meio de dois jogadores naquela jogada que terminou no gol do Guerrero.

E quando começa a jogada do gol do Mundial de Clubes, naquele momento você achou que estava fazendo a jogada do gol do título?

Não imaginava, mas sempre fui um atleta que procurava fazer algo que fosse ajudar no gol, e aquele lance acabou se tornando um dos gols mais importante na minha história e a do clube. Fiquei muito feliz, pois todos os jogadores tocaram na bola pra acontecer o gol. Isso era trabalho em equipe.

Você é o segundo maior zagueiro-artilheiro da história do Corinthians (42 gols em 247 jogos), mas sempre fez muitos gols nas equipes em que passou. A que você credita esta facilidade para fazer os gols? Alguma dica para batedores de falta? Quais são seus gols favoritos?

Então, fazer gol nunca foi uma obsessão mas sempre procurei fazer algo diferente, já que zagueiro sempre aparece fazendo gol de cabeça... pensei assim: 'preciso ser diferente'. Aí tive uma oportunidade de treinar falta e pênalti, não pensei duas vezes, fui, trabalhei e consegui colher frutos. Além dos gols que citei acima, tem o que fiz contra o Fluminense na Copa do Brasil, no Maracanã.

Quais são seus planos para o futuro, Chicão? Ser técnico, preparador físico, dirigente, empresário?

Pensei em trabalhar no futebol, dar sequência naquilo que construí e poder ajudar aqueles que estão começando com a minha experiência.

Apesar da experiência como jogador e líder ser importante, a crescente profissionalização do futebol no Brasil tem exigido cada vez mais dos que trabalham no esporte. Como você pretende se preparar para isso?

Além de estudar, precisa ter também vontade, não basta achar que vai estar no futebol por ego ou vaidade. Precisa querer e ter vontade.

O futebol precisa de pessoas de caráter, que pensem pra frente, em crescer, ajudar, não tirar vantagem. Senão nunca vamos crescer, estaremos estagnados no mesmo lugar.

Um dos grandes problemas de jogadores a meu ver é a falta de dedicação à carreira, o que termina abreviando muitas histórias que poderiam ser grandiosas. O que você acha que pode ser feito para evitar isso?

Acho que o jogador não pode pensar 'sou jogador de futebol'... Ele tem que pensar assim: 'sou atleta profissional'. E se comportar como atleta, ser interessado no que está fazendo. Não é só chegar em um CT, treinar, dar tchau e vamos pro jogo. Muitas vezes eu pedia para o Fernando (Fernando Lázaro, do CIFUT) os jogos da equipe adversária. Pedia as faltas, os pênaltis para ver o que o goleiro fazia; pedia pra analisar o atacante que eu iria jogar contra, como ele driblava, para que lado ele saía, que perna ele ia girar e chutar.

Então o atleta tem que ter interesse em saber o que vai enfrentar, aprender a ser profissional.

Resumindo, acho que essa é a diferença do futebol brasileiro para o resto. 'Ser mais profissional', pois já ouvi muitas pessoas falando que lá fora se treina menos, então o detalhe está aí: o profissionalismo dos atletas.

Você distribui brinquedos todos os anos para crianças de sua cidade. Esta experiência é recompensadora?

Isso foi uma iniciativa que tive nove anos atrás, e isso me faz um bem tão grande... poder ajudar quem não tem condições. Todos os anos comprando os brinquedos e vendo o sorriso das crianças, não tem preço. E nunca pensei se teria algo em troca, pois quando se faz o bem, se colhe o bem naturalmente. Um exemplo foi a minha carreira, as conquistas e como falei, se Deus permitir isso vai durar por muitos e muitos anos.

Escale um time com seus amigos do Corinthians! Como sou bacana, te deixo escalar até seis reservas.

Cássio: pessoa gente fina demais e ótimo goleiro.
Alessandro: para mim é um irmão que consegui dentro do futebol.
Paulo André: técnico e muito bom pelo alto.
Castán: Libertadores resume tudo.
André Santos: qualidade.
Ralf: espírito e gana de vencer.
Jorge Henrique: muito competente taticamente.
Paulinho: faro de gol, mesmo sendo volante.
Ronaldo: o que dizer desse cara? Vou resumir: ídolo.
Danilo: lenda.
Émerson Sheik: por tudo que fez pela gente nos gramados.

Peço desculpas aos outros pois não dá para colocar todos aqui, mas fica aqui o meu agradecimento:

Douglas, Liedson, Alex , William (zagueiro), William (atacante), Dentinho, Cristian, Elias e Fábio Santos.

Valeu, Chicão! Boa sorte no seus próximos projetos. Ouça-me no Podcastimão e me xingue no Twitter. Vai Corinthians!

Coluna do Teleco 1910

Por Teleco 1910

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