Desorganização no jogo do Sub-23 me fez correr risco e ter arma apontada a mim

Tomás Rosolino

Tomás Rosolino é jornalista faz um tempo. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, ex-Agora SP e Gazeta Esportiva. Hoje no Meu Timão. Vejo muito esporte, todo dia, o dia todo.

ver detalhes

Desorganização no jogo do sub-23 me fez correr risco de prejuízo e ter arma apontada para mim

Coluna do Tomás Rosolino

Opinião de Tomás Rosolino

16 mil visualizações 123 comentários Comunicar erro

Desorganização no jogo do sub-23 me fez correr risco de prejuízo e ter arma apontada para mim

Assim encontrei o portão de entrada da imprensa - e ele permaneceu dessa maneira por 45 minutos

Foto: Tomás Rosolino/Meu Timão

Saí da minha casa hoje em meio ao temporal que caía na cidade de São Paulo para cobrir dois jogos - Brasileiro de Aspirantes e Brasileiro sub-20 - no Parque São Jorge, local em que tinha um total de 100% de boas lembranças profissionais. Até hoje. Um misto de desorganização e certo azar me fizeram tomar forte chuva do lado de fora por 40 minutos e sofrer um enquadro policial.

Cheguei em cima da hora, às 13h59, descendo do Uber no portão do tamboréu, local por onde entrei no Dérbi do sub-20 e no jogo entre Corinthians e Santos pelo Brasileiro feminino, as duas coberturas que fiz no pós-quarentena. O portão preto de entrada, porém, estava fechado, sem nenhuma pessoa por perto - a chuva havia perdido força e resolvi esperar.

Comuniquei a assessoria de imprensa do clube que eu estava ali e fui informado que logo abririam. Nesse meio tempo, a chuva ficou muito mais forte e eu aguentei por cerca de dez minutos o temporal, caminhando até a entrada do estacionamento, distante cerca de 200m dali, para ver se conseguia entrar. Novamente fui orientado a esperar no tamboréu.

O jogo já tinha 20 minutos de bola rolando quando tornei ao portão e, pasmem, nada havia mudado. Um fotógrafo chegou ao local e perguntou se eu também estava esperando. Disse que sim e ele resolveu esperar ao meu lado. A chuva não aliviava, comuniquei outras duas vezes que estava ali e determinei que, se não abrissem até 16h35, iria embora.

Mesa e cadeira onde normalmente fica a fiscalização para entrada no Parque São Jorge

Mesa e cadeira onde normalmente fica a fiscalização para entrada no Parque São Jorge

Tomás Rosolino/Meu Timão

Às 16h33 liguei para a assessoria do clube e, ao mesmo tempo em que fui atendido, o fotógrafo pediu para eu virar. Estava de frente para o portão, batendo e tentando enxergar para ver se alguém vinha. Ao olhar para trás, dois policiais estavam com as respectivas armas apontadas para mim e pedindo para eu desligar o celular.

Respondi que era da imprensa, assim como o fotógrafo, mas o policial alegou que não havia sinal nenhum de entrada de jornalistas por ali - e tinha razão. Manteve a arma apontada e sua parceira me pediu para virar de costas enquanto ele revistava a moto do fotógrafo. Disse não haver arma e passou a dizer que eu estava "vacilando" ali.

Respondi que estava apenas trabalhando, que fui orientado três vezes a esperar ali e já havia entrado no estádio por ali nas últimas semanas. Os dois, que pediram minha identificação e viram que não havia antecedentes criminais, responderam que ali era lugar de "fuga de bandidos" e "usuários de drogas", alertando que meu equipamento (laptop, celular e câmera) só não havia sido levado por algum criminoso por sorte.

O policial disse que estava saindo dali e orientou ambos a não ficar lá por motivos de segurança. Disse que, se ficássemos, era por nossa conta em risco. Já eram 16h41 e ninguém havia aparecido para abrir um simples portão. Resolvi que era hora de ir para casa e terminar minha cobertura, infelizmente, vendo pela TV os jogos em questão.

Já fui procurado pelo clube com um pedido de desculpas e comuniquei aos funcionários o quão lamentável foi o episódio. Me foi passado que a CBF orientou que o portão ficasse fechado a partir das 14h (não havia nenhum aviso sobre isso em lugar nenhum, além de nunca acontecer em qualquer competição da entidade desde que me tornei jornalista).

De qualquer forma, urge a necessidade de clube, federação e polícia melhorarem o acesso da imprensa ao Parque São Jorge. Sofri uma abordagem enquanto apenas tentava trabalhar, mas poderia ter sido roubado em um ponto, nas palavras do próprio policial, de constante trânsito de criminosos.

Por fim, queria lamentar a impossibilidade de trazer um relato melhor do que aconteceu dentro de campo nos jogos em questão. O Meu Timão sempre tenta acompanhar tudo do Corinthians e, infelizmente, dessa vez ficamos pela TV.

Veja mais em: Corinthians Sub-23 e Parque São Jorge.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Coluna do Tomás Rosolino

Por Tomás Rosolino

Tomás Rosolino é jornalista faz um tempo. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, ex-Agora SP e Gazeta Esportiva. Hoje no Meu Timão. Vejo muito esporte, todo dia, o dia todo.

O que você achou do post do Tomás Rosolino?