Corinthians sofreu desrespeito sem precedentes da CBF e precisa reagir
Opinião de Tomás Rosolino
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Augusto Melo durante partida do Corinthians em Itaquera
Foto: Jhony Inacio / Meu Timão
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tomou um lado ao marcar os jogos de volta da semifinal da Copa do Brasil para o final de semana, mudando a tabela básica e ignorando a posição do Corinthians. Apertado pela baixa pontuação no Brasileiro, principal torneio do país, o clube não queria jogar desfalcado dos seus atletas de seleção no importante embate com o Athletico. Sumariamente ignorado para agradar a um capricho do Flamengo, cabe ao Corinthians reagir e mostrar o peso histórico desse episódio, um claro desrespeito ao clube, escancarado e amplamente registrado durante a última semana.
A desculpa de “impossibilidade de marcar” não tem cabimento, era só colocar Vasco e Atlético no dia 16. Realmente só isso, nada mais seria necessário. Fica ainda mais cômico quando o mesmo ofício que diz que os clubes não poderiam jogar no dia 17 confirma que ambos vão jogar no próprio dia 17, mas pelo Campeonato Brasileiro. Um escárnio.
Há tempos não via uma demonstração tão clara de favorecimento institucional, a famosa “força nos bastidores”, ainda mais numa disputa de mata-mata. Para o Corinthians é ainda pior: vai ficar sem ao menos dois possíveis titulares num jogo de 6 pontos do Brasileiro contra o Athletico. Uma derrota nesse jogo pode significar rebaixamento para a Série B. Tudo isso sob alegação de “preservar o espetáculo” da entidade.
A nota oficial do Corinthians usa muitos eufemismos e alguns jargões. Entendo o pouco tempo entre notícia da definição da semi e publicação da nota, mas o Timão poderia ser mais claro e direto: a CBF, que deveria ser neutra e garantista, tomou o lado do Flamengo. A competição está comprometida pelo próprio organizador e o clube se resguarda ao direito de jogar apenas para cumprir sua parte do regulamento.
Daí pode se partir para um rompimento institucional. Seria uma medida drástica e sem precedentes, mas se nem esse desrespeito óbvio e escancarado da CBF com o clube for uma justificativa plausível, nada mais é. Cessão de CT para a seleção, jogadores fora da Data-FIFA, todo o know how que levou o Brasil à prata olímpica no Feminino são movimentos a serem repensados. Isso pra ficar em coisas que aconteceram nos últimos meses.
Vejam, não é só a medida em si. É todo o cenário construído, a demora absurda na definição, a divulgação em um sábado à noite na expectativa de menor repercussão, as justificativas sem pé nem cabeça.
O argumento infantil de 2 x 1 a favor da mudança, ignorando o óbvio posicionamento contrário do Vasco como se fosse uma brincadeira escolar. “Ah, você só sugeriu mudar para o dia 16, não falou nem que sim nem que não”. O mais ardiloso dos advogados teria certa vergonha de sustentar essa tese.
Tudo isso, pra mim, foi pior do que qualquer erro de arbitragem, qualquer desorganização logística. Muito pior. O clube do Parque São Jorge, membro histórico do futebol nacional, foi tratado como um clube de bairro irrelevante. “Opa, tá bom que você não quer, vai jogar desfalcado no Brasileiro e a decisão da Copa do Brasil no fim de semana mesmo assim. Ponto final”.
O presidente Augusto Melo tem em mãos a possibilidade de fazer desse episódio um marco histórico para o Corinthians. A oposição, tão preocupada com os rumos recentes do clube, aliás, também deveria mostrar que realmente se importa com o Corinthians e formar uma força-tarefa para responder à altura da ofensa institucional recebida. A ver se alguém ali coloca o Timão acima dos interesses pessoais.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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