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O erro de achar que o técnico era o único problema

Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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O erro de achar que o técnico era o único problema

Vagner Mancini mudou a perspectiva do time no Brasileirão, mas os problemas do clube como um todo requerem transformações maiores

Foto: Danilo Fernandes/ Meu Timão

A mudança de perspectiva para o Corinthians após a chegada de Vagner Mancini permite ao torcedor um final de ano com uma mistura louca de sentimentos: o alívio do rebaixamento já impossível, certa euforia porque a classificação à Libertadores é viável, e uma pitada de remorso, por imaginar que essa transformação, se ocorrida antes, permitiria sonhar com algum título nesta temporada.

O coração corinthiano aguenta tudo isso, mas não pode se enganar. Mancini está fazendo um grande trabalho e merece todos os nossos aplausos, mas seu sucesso não pode servir para esquecer que o clube Corinthians tem problemas sérios há muito tempo, e a crise recente, em parte era reflexo disso.

O trabalho de Mancini tem dois grandes méritos: isolar o elenco dos problemas institucionais do clube e conseguir montar, com as peças disponíveis, um time competitivo. Não é um time brilhante, e ele nem teve tempo pra fazer tanto. É um time que joga bem, e que é capaz de jogar de igual pra igual contra qualquer um no Brasil.

Não é o primeiro que obtêm resultado semelhante, e não quero, com isso, diminuir o trabalho do atual treinador. Pelo contrário, os que alcançaram tal façanha antes, no passado recente, foram Tite e Fábio Carille, que inclusive chegaram a ter equipes brilhantes quando o tempo permitiu desenvolver melhor seus trabalhos, e Mancini merece também esse tempo.

A questão é que tanto Tite quanto Carille fizeram grandes trabalhos e conquistaram títulos enquanto o Corinthians alimentava uma bola de neve de problemas: planejamento equivocado, contratações inexplicáveis, relações perigosas com empresários que prejudicam o clube, tudo isso gerando uma dívida que cresce e que se transforma em uma bomba de tempo que ninguém sabe se vai explodir no ano que vem ou dentro de cinco anos, mas vai acontecer.

Vez ou outra, esses problemas atingem o elenco. O elenco do Corinthians não é ruim, não deveria ter flertado com o rebaixamento como estava fazendo há cerca de dois meses. Se isso aconteceu é porque os problemas extracampo estavam influindo no trabalho.

Para que o sucesso de Vagner Mancini continue, que é o que queremos todos, precisamos que a administração de Duílio Monteiro Alves dê a ele três coisas, que juntas seriam a resolução desses problemas estruturais do clube: um planejamento coerente (temos um exemplo a ser seguido dentro de casa, que é a excelente gestão da equipe feminina); montagem de elenco com as peças que o treinador pedir, e não as empurradas por empresários com amizades dentro do clube; um plano para solucionar o problema da dívida a médio ou longo prazo, de forma a dar tranquilidade ao elenco.

Se isso não acontecer, esse sucesso atual terá prazo de validade. O treinador pode dar o melhor de si, mas uma hora os problemas, se não tratados, voltarão à tona. E aí já não é mais questão de competência.

Também é uma chance para Duílio mostrar que a sua não é uma mera continuação da gestão de Andrés Sanches, e que ele não só projeta um Corinthians vencedor para 2021, mas sim um clube capaz de manter essa pegada durante toda a década.

Veja mais em: Vagner Mancini.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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