O adeus a Zague, querido amigo e atleta corinthianista

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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O adeus a Zague, querido amigo e atleta corinthianista

Zague, no PSJ, em Setembro de 2015: com Bruna Guiseline e Regina Cardeal, neta do Neco

Foto: Walter F. Jr.

Foi em setembro de 2015, em uma atividade do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO), marcada para o Parque São Jorge. Todos ansiosos para conhecer o carismático craque do passado.

Então, o notável historiador do Timão, Maurício Sabará, me liga e comunica:

- Walter, precisamos pegar o Zague em casa.

Não tomei como ônus, mas como bônus. Uma maravilha servir de motorista vip para um dos ídolos do meu pai. Seguindo as coordenadas, logo encontramos o sorridente baiano no portão do edifício.

Ele nos abraçou como se fôssemos velhos amigos. E, de cara, emendou:

- Sabe que tenho muito orgulho de ter jogado no Corinthians, viu...

O caminho já foi de reminiscências. Ele nos conta que, muito serelepe, corria atrás da pelota nos campinhos e praias de Salvador. Uma tia percebeu seu ziguezaguear vertiginoso, coisa de dar tontura nos adversários. Daí, o apelido: Zague.

Na mesa do teatro, no Parque São Jorge, ao lado do coordenador do NECO, Rafael Castilho, nosso antigo atacante narrou os "causos" de sua excelente passagem pelo Timão, pelo qual anotou nada menos que 128 gols em 242 partidas.

Ora, mas por que poucos torcedores o conhecem? Justamente porque atuou durante o período do jejum de títulos da esquadra mosqueteira.

Zague foi contratado, em 1956, depois de uma excepcional atuação pelo Botafogo Sport Club, de Salvador, diante do Corinthians.

Mal havia se instalado em São Paulo, já o convocaram para uma partida importante contra o Santos, na Vila Belmiro, pelo Paulistão.

O rapaz de 22 anos não se intimidou. Marcou dois gols na goleada de 4 a 0 sobre o Peixe.

Ali, já revelou suas principais características. Usava mais o pé esquerdo, tinha um futebol rápido, mas refinado. Enfim, sabia ziguezaguear diante dos médios e beques adversários.

Polivalente, podia jogar como centroavante, ponta-esquerda ou nas duas meias.

Permaneceu no Time do Povo até 1961, com uma breve passagem pelo Santos (1959). Depois, foi jogar no América do México.

Lá, pelo voluntarismo no ataque, setor no qual, por vezes, atuava sozinho, ganhou o apelido de Lobo Solitário. Estufou as redes adversárias por 209 vezes e ajudou a equipe a conquistar seu primeiro título nacional da era profissional, na temporada 1965/1966.

Deixou de herança aos mexicanos o filho, o craque Zaguinho, que representou a seleção daquele país na Copa de 1994.

Ao fim da palestra-entrevista, Zague nos agradeceu emocionado a oportunidade de retornar ao Parque São Jorge e contar sobre suas aventuras no futebol.

De repente, mais uma tarefa. Óbvio, levar Zague de volta para casa. Como fui até lá guiado por indicações no celular, não prestei atenção ao caminho. Fiava-me, agora, no GPS mental de Zague.

Eita! E não é que Zague, que pouco saía de seu apartamento, se confunde todo pelas ruas do bairro! É sério: rodamos, em zigue-zague, quase meia hora pelas ruas do Belém e do Belenzinho.

Zague ria e se divertia com a perambulação noturna. De vez em quando, contava de um drible que dera num palmeirense ou de gol que marcara contra o Santos.

Até que enfim, reencontramos o prédio. Zague me pareceu triste por precisar dizer adeus. O bom baiano se afeiçoara a nós. E o sentimento, com certeza, tornou-se recíproco e eterno.

Nesta terça-feira, soubemos que esse querido amigo subiu à arquibancada de cima, aos 86 anos.

Pois que, de novo, elétrico e menino, encontre felicidade nas peladas do céu. Que lá se divirta com Luizinho, Baltazar, Paulo, Idário, Gylmar e Rafael.

Obrigado de coração por tudo, caro companheiro. Goleador Zague: PRESENTE!

Veja mais em: Ídolos do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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