Revoltado?! Você tem motivos

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

ver detalhes

Revoltado?! Você tem motivos

Coluna do Walter Falceta

Opinião de Walter Falceta

116 mil visualizações 174 comentários Comunicar erro

Revoltado?! Você tem motivos

A face de um time conformado com o fracasso

Foto: Reprodução

Um) Acompanho o Corinthians no campo, regularmente, desde 1971. Nunca vi equipe tão passiva e conformada como esta que levou baile histórico da Ponte Preta, nesta quente tarde campineira.

Dois) Saudade do bravo Timão que bateu a valorosa Ponte, em 1977. Vi, não me esqueço. Orgulho para sempre.

Três) Você, torcedor, tem motivos para reclamar. Porque este é o time do povo, e somos nós a fazê-lo, como determinou nosso primeiro presidente, Miguel Battaglia. Ao adquirir ingressos, comprar produtos licenciados, pagar o pay-per-view ou mesmo assistir à propaganda da TV aberta, você paga os salários milionários daqueles que envergam o manto sagrado.

Quatro) Vamos começar pela questão estrutural. A famigerada Lei Pelé não libertou o atleta. Balela. Ela simplesmente o retirou do controle dos clubes e o remeteu aos dentes dos tubarões intermediários. Em tempos recentes, o Corinthians é o clube mais gentil com esses aproveitadores.

Cinco) O clube vem se transformando, paulatinamente, em uma grande vitrine, um balcão de negócios. O importante é lucrar, lucrar, lucrar. Na visão desses mercadores do esporte, pouco vale o interesse daqueles que amam o clube e sofrem por ele.

Seis) A atual diretoria tem feito do Corinthians um centro de negócios permanente. É desmanche sobre desmanche. O interesse é enriquecer os tubarões. Eles são a prioridade; e não você, torcedor.

Sete) No começo deste ano, um “corinthiano”, dono de avião folheado a ouro, tinha dez atletas do elenco. Foi pelo interesse desse mascate que o péssimo André lesou o Corinthians por tanto tempo.

Oito) O Corinthians deste sábado mostrou a ideia de impermanência que rege as relações internas no clube. As pessoas aparecem e desaparecem num passe de mágica. Tudo se desmancha no ar. Se assim é, como exigir comprometimento?

Nove) Por isso, antes mesmo da expulsão de Balbuena, o alvinegro já se mostrava prostrado em campo, como se iniciasse uma prorrogação depois de 90 minutos extenuantes.

Dez) O volante no ofício, Cristian, que recebe quase meio milhão de reais mensais, parecia atuar em câmera lenta, num casados x solteiros. Seu “passe” de cabeça para o pontepretano Roger resumiu sua performance, sempre lenta e imprecisa, desde que retornou ao PSJ.

Onze) Com dez, o Corinthians parecia jogar com sete. Sem atitude, os atletas fizeram o tempo passar. Objetivo aparente: bater o ponto e curtir o sábado. Se desejamos alguma exceção, talvez seja o goleiro Cassio, que evitou vexame maior, especialmente ao defender chute à queima roupa do mesmo Roger.

Doze) Está revoltado? Você tem razão. Que seja, no entanto, uma revolta pacífica, sem violência, em que a disputa se dê no campo das ideias. Você, corinthiano, se faz o time, se dele cuida, tem o direito de exigir responsabilidade, respeito e vergonha na cara daqueles que nos representam. Que o fim anunciado do infame Chapão, inicie a justa rebelião.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

O que você achou do post do Walter Falceta?