Da generosa bola à pobreza do espírito humano

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Da generosa bola à pobreza do espírito humano

Caso Lidu e Eduardo: mancha na reputação do rival

Foto: Reprodução

O esporte é, frequentemente, palco das mais tocantes demonstrações de altruísmo, respeito e solidariedade.

Em 1949, por exemplo, o Torino, da Itália, perdeu sua fantástica equipe em um acidente aéreo. No restante do campeonato, escalou seu time juvenil. De forma fraterna, os outros grandes clubes italianos tomaram medida semelhante.

Exemplo de grandeza também foi oferecido pelo Atlético Nacional, da Colômbia, que ofereceu o título da Copa Sulamericana à Chapecoense, além de prestar-lhe belíssima homenagem no Atanasio Girardot.

Nosso Corinthians, em nobre gesto de desprendimento, tingiu de verde parte de seu site oficial, quebrando um paradigma.

Mas o futebol também nos apresenta o pior do espírito humano: a mesquinhez, o egoísmo e a ausência de empatia.

O mais novos corinthianos talvez não conheçam este episódio. Portanto, convém contá-lo novamente, ainda que de forma resumida.

Em 1969, fazíamos excelente campanha no Campeonato Paulista e a torcida imaginava que quebraríamos o jejum iniciado em 1954.

Em 28 de abril de 1969, porém, após um empate com o São Bento, sofremos terrível perda. O ótimo lateral direito Lidu e o ponta esquerda Eduardo, estrelas do time corinthiano, morreram em um acidente automobilístico na Marginal do Tietê.

Houve comoção geral na cidade. Choro e consternação nas ruas, bares, construções. No campo esportivo, enfraqueceu-se demais a equipe mosqueteira.

Solicitou então o Corinthians a inscrição de dois novos jogadores. Para que a medida fosse aprovada pela federação, bastava o sim unânime dos clubes participantes.

Todas as agremiações, sensibilizadas, votaram a favor, exceto a Sociedade Esportiva Palmeiras. Por esse motivo, aliás, o Palestra ganhou o apelido de porco, animal que os corinthianos levaram ao Morumbi no primeiro jogo entre as equipes após o ocorrido.

Nesta quarta-feira, o Brasil ficou estarrecido com mais um vergonhoso evento envolvendo o Internacional de Porto Alegre.

O cartola e dublê de tubarão intermediário Fernando Carvalho, o mesmo do famigerado DVD que procurou destruir a reputação do Corinthians, emitiu declaração flagrantemente desrespeitosa em relação à Chape e às vítimas do acidente em Medellín.

Em tom de lamúria, afirmou que o adiamento da última rodada do Brasileirão prejudicaria seu clube, que tenta desesperadamente escapar do descenso.

Tomado de insensibilidade insana, comparou as duas ocorrências, afirmando: “temos nossa própria tragédia particular, que é fugir do rebaixamento”.

É o mesmo Inter dos cartolas que protagonizaram o caso Sandro Hiroshi, o esquema Paysandu e, em tempo recente, a chicana que tentava, no tapetão, subtrair pontos do Vitória.

A dor do desastre na Colômbia uniu, pelo menos por um curto período de tempo, os amantes do futebol em todo o mundo.

Criou-se, mais uma vez, uma corrente solidária, em que o amor da civilidade substituiu o ódio da barbárie.

Mais uma lição para o espírito humano. Pena que nem todos a tenham assimilado.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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