[Walter Falceta] Flavio Prado e o jornalismo de deturpação

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Flavio Prado e o jornalismo de deturpação

Flavio Prado e o jornalismo de deturpação

Flavio Prado: distorcendo a história de forma irresponsável

Foto: Reprodução: canal do Youtube da Jovem Pan Esportes

Flavio Prado não gosta do Corinthians e adora detratar a torcida corinthiana. É um direito dele. Como jornalista, no entanto, imagina-se que tenha como obrigação pautar-se pela verdade, narrando os fatos de modo correto e isento.

Em abril deste ano, criou em delírio uma versão falsa da justa conquista corinthiana, em 1977. Foi pela rádio Jovem Pan, a mesma que hospeda Fernando Sampaio, profissional que irresponsavelmente incitou a violência contra atletas corinthianos, quando da mais recente partida entre São Paulo e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro.

Vociferando, enraivecido, Prado afirmou que o título conquistado por Palhinha, Wladimir, Zé Maria e Basílio era nada mais que uma obra da Ditadura Militar. Nesta quarta-feira, retomou suas teses conspiratórias, em desrespeito aos veteranos atletas de Ponte Preta e Corinthians.

A história mostra que jamais houve qualquer predileção daquele regime pelo clube de Parque São Jorge. Desde que foi instaurado, em 1964, até 1977, o Corinthians não conquistou nenhum título de expressão.

Se a ideia era adular a massa corinthiana, os militares podiam ter intercedido em favor da equipe mosqueteira, por exemplo, em 1967, 1969, 1972, 1974 e 1976, quando esteve perto de sagrar-se campeão.

Prado não conhece a história do Brasil ou a adultera em favor de suas teses. Afirma na TV e no rádio que a Ditadura estaria assustada com o resultado de uma eleição realizada, segundo ele, "meses antes" da disputa contra a Ponte Preta.

Refere-se à derrota de Carvalho Pinto, da Arena (partido ligado ao governo da época), para Orestes Quércia, do então MDB, na disputa para o Senado.

Na verdade, o tal pleito ocorreu anos antes, mais precisamente em novembro de 1974! Além disso, não seriam realizadas eleições em 1977, mas no fim do ano seguinte.

Há outro fato histórico que mereceria estudo de Flavio Prado. Em abril de 1977, seis meses antes da decisão, o governo militar já havia tomado suas precauções para manter o controle do parlamento federal.

O governo Geisel criara, por exemplo, os chamados senadores biônicos (escolhidos sem consulta popular), impôs restrições à propaganda política e manteve no modelo indireto a escolha dos governadores, prevista para 1978.

Além disso, exatamente no dia anterior à terceira partida, o presidente Geisel havia sufocado uma tentativa de golpe (dentro do golpe), tentada pelo general linha dura Silvio Frota. Estava, portanto, fortalecido e contava com o apoio do alto comando das forças armadas.

Outra tese sustentada pelo jornalista é aquela que aponta uma enorme superioridade da equipe campineira sobre a esquadra de Parque São Jorge.

Vale uma análise honesta e detalhada. No primeiro turno, o Corinthians fez 26 pontos; a Ponte Preta, 23 pontos. No segundo turno, ambas as equipes somaram 29 pontos. O Corinthians foi às semifinais na definição dos critérios técnicos. Derrotou o São Paulo por 2 a 1. Na decisão, bateu o Palmeiras por 1 a 0. Somem-se aí mais quatro pontos.

Assim, sagrou-se campeão da Taça Governador do Estado de São Paulo.

Na terceira fase, oito equipes foram divididas em duas chaves. A Ponte Preta venceu a sua, com 12 pontos. O Corinthians terminou no topo da outra, com 9 pontos.

O Timão chegou à final, portanto, com 68 pontos, contra 64 da Ponte Preta. Na decisão, duas vitórias corinthianas e uma do adversário.

Em nenhum momento, até hoje, qualquer jogador da Ponte Preta afirmou tem "afinado" em razão de supostas pressões do militares. Pelo contrário, valorizaram a conquista da equipe de Parque São Jorge.

Vale ainda lembrar que antes da correta expulsão de Rui Rei, na terceira partida, o Corinthians realizava boa partida e já havia levado perigo à meta de Carlos em mais de uma ocasião.

Que sejam valorizadas as campanhas das duas equipes alvinegras. E que seus craques sejam respeitados pelos profissionais de imprensa. Jornalismo é ofício de gente moralmente grande, responsável e capaz de honrar a tarefa de informar.

Veja mais em: História do Corinthians.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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