Jô e Pratto nas mãos da mídia

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Jô e Pratto nas mãos da mídia

Jô e Pratto nas mãos da mídia

Renata Fan: diferença de ênfase

Foto: Divulgação Rede Bandeirantes

Peço ao caro leitor licença para compartilhar aqui a pergunta do amigo jornalista Gracindo Caram, ex-profissional da Rádio Jovem Pan:

- Será que hoje uma bela e determinada apresentadora de programa esportivo-futebolístico na TV aberta vai chamar o centroavante do SPFC, Lucas Pratto, que é branco, de "ladrão", porque fez com a mão um gol não anulado pelo juiz?

Respondo em partes.

1) Assisti ao programa Jogo Aberto, da Rede Bandeirantes. Em conversa com o ex-atleta Denílson, a apresentadora Renata Fan considerou irregular, sim, o tento marcado pelo atacante sãopaulino. No entanto, folclorizou o episódio e, como esperado, não criminalizou o argentino, como fizera com o corinthiano Jô.

2) Penso que os lances são ligeiramente diferentes. Sem o apoio da ciência, arrisco dizer que a bola de Marquinhos Gabriel inevitavelmente vazaria a meta vascaína, mesmo sem a intervenção de Jô. O sutil toque de mão do Pratto, no entanto, me parece fundamental ao gol do Tricolor do Morumbi.

3) Penso que a mídia tentou, desde o primeiro momento, encontrar justificativas para diferenciar moralmente os dois episódios. A rigor, eventuais erros a favor do Corinthians sempre geram indignação em forma de faniquito. Essa síndrome é antiga, pois a mídia quatrocentona até hoje se incomoda com a presença indigesta do clube dos carroceiros na liga maior.

4) Em tempo recente, essa ideia foi fortalecida pela campanha sem trégua do publicitário Milton Neves contra o Corinthians, expressa no bordão "apito amigo". Repetida mil vezes, ao estilo Goebbels, essa mentira se converteu em verdade no inconsciente coletivo.

5) A mesma mídia não se indignou com os três tentos legítimos do Corinthians anulados contra Coritiba, Flamengo e Cruzeiro, que dariam à agremiação de Parque São Jorge seis outros pontos na tabela de classificação. Nem se incomodou com a mão de Luís Fabiano no gol do mesmo Vasco, no primeiro turno do Brasileiro. A eventual denúncia foi morna e, por vezes, realizada de má vontade.

6) No caso de Pratto, as platitudes são de natureza também ontológica. O "ser" singularizado atua pelo São Paulo Futebol Clube, instituição que representa a nobreza da "gente bandeirante". São os honestíssimos, os competentíssimos e, lógico, os "soberanos". No caso de Jô e do Corinthians, os adjetivos comumente utilizados são outros.

É chover no molhado? Provavelmente. Mas cabe acender alguma luz, mesmo que tênue, na escuridão do pensamento em que se encontra mergulhada a mídia brasileira, indignada seletiva e pouco empenhada em cumprir sua missão educadora para a cidadania.

Parabéns, Gracindo! Estamos de olho.

Segue o vídeo que o jornalista nos enviou.

https://www.facebook.com/OFielMosqueteiro/videos/931717563658004/?fref=mentions&pnref=story

Veja mais em: Campeonato Brasileiro.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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