Romeu Tuma Júnior anuncia retorno à presidência do Conselho Deliberativo do Corinthians
14 mil visualizações 356 comentários Reportar erro
Por Felipe Sales

Romeu Tuma Júnior está de volta à presidência do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians
Rodrigo Vessoni / Meu Timão
Nesta segunda-feira, Romeu Tuma Júnior anunciou seu retorno ao cargo de presidente do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians após dois meses de licença. Em comunicado enviado aos demais conselheiros, ele afirmou que, durante o período afastado, acompanhou atentamente a situação do clube e retorna com a convicção de que o momento exige serenidade, responsabilidade institucional e senso de urgência.
Durante a nota à qual o Meu Timão teve acesso, Tuma afirma que teve o cuidado de consultar formalmente a existência de eventuais denúncias contra ele na Comissão de Ética e Disciplina (CE). Segundo ele, apesar das especulações e interpretações veiculadas publicamente desde março deste ano, não há qualquer procedimento formal instaurado. Ou seja, não existe nada que sustente as versões de que teria sido afastado ou exercido qualquer tipo de pressão indevida sobre a diretoria executiva, presidida por Osmar Stabile.
Na mensagem, Romeu Tuma Júnior também ressalta que a decisão proferida na última sexta-feira pela juíza da 1ª Vara de Registros Públicos de São Paulo “nada tem a ver” com sua volta ao cargo, afirmando que a escolha de retornar já estava tomada anteriormente. A decisão citada diz respeito à rejeição do pedido relacionado à reunião que afastou provisoriamente Tuma da presidência do Conselho Deliberativo, em 23 de março. A disputa girava em torno da validade da ata do encontro registrada em cartório pelo clube no dia 13 de abril, documento que formalizava o afastamento do dirigente.
O Meu Timão teve acesso à decisão da juíza Luciana Carone Nucci Eugênio Mahuad. A magistrada julgou improcedente o pedido e tornou sem efeito o registro oficial do documento em cartório, após requerimento de Romeu Tuma Júnior, que contestava a legalidade da votação.
Na ocasião, Osmar Stabile havia solicitado o afastamento cautelar de Tuma após acusá-lo de ameaças, assédio e coação durante uma discussão ocorrida em um jantar nas dependências do Parque São Jorge. Maria Ângela Ocampos, então primeira-secretária do CD, considerou a reunião irregular e tentou encerrar a sessão. Ainda assim, os conselheiros deram continuidade à votação sob o comando do segundo-secretário Denis Piovesan e aprovaram o afastamento por 115 votos favoráveis e 15 contrários.
Segundo a juíza, houve vício no procedimento, uma vez que o Estatuto do Corinthians determina que reuniões extraordinárias do Conselho Deliberativo só podem ser convocadas pelo presidente do órgão — no caso, Romeu Tuma Júnior —, ainda que o pedido tenha partido de Osmar Stabile, como ocorreu no edital assinado pelo mandatário da diretoria. De acordo com a decisão, cabia ao cartório verificar essa irregularidade formal.
Além disso, Tuma Júnior reforçou que “não pretende, de forma alguma”, assumir a presidência do Timão durante a viagem de Osmar Stabile aos Estados Unidos. Atualmente, o presidente corinthiano está em solo norte-americano a convite da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), participando de um evento voltado à gestão esportiva com representantes da Major League Soccer (MLS), principal liga de futebol dos Estados Unidos, além de executivos de outras ligas do país.
Vale lembrar que o segundo vice-presidente da diretoria, Armando Mendonça, está licenciado do cargo até o início do próximo mês em meio aos desdobramentos da investigação sobre o suposto desvio de materiais esportivos da Nike. Ele é apontado como uma das figuras centrais do episódio e foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Assim, em caso de ausência de Stabile, o presidente do CD, Romeu Tuma Júnior, assumiria o cargo. Porém, segundo o próprio Osmar Stabile, em contato com o Meu Timão, ele segue despachando de maneira virtual.
Diante desse cenário, Tuma destacou que, no exercício de suas funções à frente do Conselho Deliberativo, dará prioridade a reunir todos os esforços necessários para unir o Corinthians em torno da votação da reforma do Estatuto. A Assembleia Geral (AG) dos associados está marcada para o próximo sábado, e o objetivo é que o pleito seja realizado em clima de ordem, com o resultado das urnas respeitado tanto institucionalmente quanto juridicamente.
Além disso, o dirigente afirmou que pretende contribuir para a pacificação institucional do clube, algo que considera de interesse de todos os envolvidos, bem como garantir a plena normalidade dos trabalhos da Comissão Eleitoral, tendo em vista as eleições presidenciais e para renovação do Conselho Deliberativo, previstas para novembro deste ano.
Pedido de afastamento, avanço na reforma do Estatuto e saída dos ex-presidentes do quadro de associados do Corinthians

Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo, ex-presidentes do Corinthians
Danilo Fernandes e Jhonny Inácio / Meu Timão
Em 13 de abril, Romeu Tuma Júnior se licenciou da presidência do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians. O dirigente tomou a decisão após a liminar que suspendeu a Assembleia Geral (AG) dos associados para a reforma do Estatuto do clube, que estava marcada para o dia 18 de abril, no Parque São Jorge.
No despacho, ao qual o Meu Timão teve acesso, Tuma alegou haver uma “construção de uma operação política destinada a bloquear a vontade dos associados”. O presidente do CD acusou Osmar Stabile, presidente do Corinthians, de tentar inviabilizar a reforma estatutária.
Horas depois, o clube confirmou a suspensão da assembleia em razão de uma ação judicial movida por Felipe Ezabella, conselheiro trienal e integrante do Conselho de Orientação (Cori). Em resposta ao movimento, Tuma afirmou que Stabile “se utiliza de terceiro para propor a ação, porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor”.
Romeu Tuma Júnior também sustentou que a cronologia da ação liminar indicaria uma antecipação deliberada dos prazos por parte da diretoria executiva para impedir a votação diante das datas previstas para análise do pedido. O conselheiro voltou a classificar a iniciativa como “autoritária” e “golpista”.
Desde o início da tentativa de reforma do Estatuto, o processo foi marcado por turbulências entre os poderes do Parque São Jorge. No fim de 2025, os conselheiros se reuniram para deliberar sobre a forma de votação do anteprojeto na Assembleia Geral. No entanto, houve alegações de que os documentos não haviam sido disponibilizados previamente aos membros do órgão, o que levou ao adiamento da votação e à realização de 11 audiências públicas, nas quais os temas foram debatidos ao longo de 2025 e 2026.
Ao término dessas audiências, Tuma Júnior convocou novamente o Conselho Deliberativo, em março de 2026, para discutir a realização da AG. A reunião, porém, terminou em confusão após declarações feitas por Osmar Stabile logo no início do encontro, o que provocou o encerramento antecipado da sessão sem que o projeto fosse votado. Na ocasião, Stabile fez duras acusações contra Tuma, sugerindo tentativa de interferência em sua gestão e ameaças, além de protocolar um pedido de afastamento na Comissão de Ética (CE).
Dias depois, os conselheiros aprovaram o afastamento de Tuma. O dirigente, contudo, não reconheceu a validade da votação e permaneceu no cargo até solicitar licença, em abril. Na última sexta-feira, a Justiça de São Paulo anulou a reunião que havia determinado seu afastamento.
Durante os mais de dois meses de licença de Romeu Tuma Júnior, o Conselho Deliberativo foi presidido por Leonardo Pantaleão, vice-presidente do órgão. Coube a ele conduzir os passos finais da reforma estatutária, incluindo a votação do texto-base e dos destaques pelo Conselho Deliberativo, além da convocação da Assembleia Geral marcada para o próximo sábado.
Pantaleão também presidiu as reuniões que resultaram na expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez do quadro associativo do clube, em razão do uso indevido do cartão corporativo entre 2018 e 2020. Da mesma forma, conduziu os processos que culminaram nas expulsões do presidente destituído Augusto Melo e dos conselheiros Maria Ângela Ocampos, Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé. O motivo foi a invasão ao Parque São Jorge em 31 de maio de 2025, quando o grupo tentou recolocar Melo na presidência.
Além desses casos, em 28 de maio deste ano, o ex-presidente Duilio Monteiro Alves anunciou a renúncia ao título de sócio remido — que possuía desde o nascimento —, alegando não acreditar mais nas pessoas envolvidas na política do clube. O ex-mandatário deixou o quadro associativo enquanto ainda é alvo de apurações internas relacionadas ao uso do cartão corporativo do Corinthians durante sua gestão, que poderiam resultar em advertência, suspensão e até a expulsão do clube.
Confira o comunicado na íntegra
Prezados(as) Conselheiros(as), boa tarde!
Após o período de licença do cargo, durante o qual acompanhei atentamente e avaliei a situação do Clube, retorno à Presidência do Conselho Deliberativo com a convicção de que o momento exige serenidade, responsabilidade institucional e senso de urgência.
Informo que tive o cuidado de consultar formalmente a existência de eventuais denúncias contra mim na Comissão de Ética. Apesar das especulações e interpretações veiculadas publicamente desde março deste ano, não há qualquer procedimento formal instaurado, ou seja, não há nada que sustente as versões de que eu teria sido afastado ou de que teria exercido qualquer tipo de pressão indevida sobre a Diretoria Executiva. Acrescento que a decisão proferida na última sexta-feira pela juíza da 1ª Vara de Registros Públicos nada tem a ver com minha decisão, que já estava tomada. Seria desnecessário dizer, mas ressalto mesmo assim, que não pretendo de forma alguma assumir a presidência do clube durante a viagem do presidente Osmar Stabile no exercício de suas funções. Portanto, reassumo minhas funções na Presidência do Conselho Deliberativo, conclamando todos os seus membros a dar prioridade máxima à vida institucional do clube:
1. Reunir todos os esforços necessários para unir o Corinthians em torno da votação da Reforma do Estatuto, de modo que a Assembleia Geral dos associados seja realizada em clima de ordem e o resultado das urnas seja respeitado institucional e juridicamente;
2. Contribuir para uma pacificação institucional, a qual tenho certeza ser do interesse de todos, e para a plena normalidade dos trabalhos da Comissão Eleitoral, tendo em vista o pleito presidencial e de renovação deste Conselho Deliberativo, em novembro próximo.
Como sempre, contarei com a colaboração dos(as) conselheiros(as) vitalícios e trienais comprometidos com o interesse maior do Sport Club Corinthians Paulista.
Respeitosamente,
Romeu Tuma Junior