O dia em que a chuva lavou a alma Corinthiana

1º de novembro de 2014. Uma data comum no calendário, mas que carrega um peso especial no meu coração. Era a 32ª rodada do Campeonato Brasileiro e o Corinthians enfrentava o Coritiba, em Itaquera. Mas aquele sábado ficou marcado por algo muito maior que o placar final. Foi o reencontro de duas paixões: a do filho com o pai e a de ambos com o Corinthians, na casa nova do povo — a Neo Química Arena.

Desde 2009, quando estivemos juntos pela última vez no Pacaembu, não dividíamos um momento como aquele. Lá se iam cinco anos desde que gritamos juntos por um gol do Timão ao vivo, e aquela era a primeira vez que pisávamos, lado a lado, no novo templo Corinthiano. O coração batia forte, o frio na barriga era o mesmo de quando meu pai me levou pela primeira vez ao estádio. Ele, o homem que me apresentou ao Sport Club Corinthians Paulista, minha maior paixão.

O jogo começou duro. O Coritiba abriu dois gols de vantagem no primeiro tempo, com direito a um golaço de Alex — que, ironicamente, encerraria sua carreira naquele dia, com o último gol da vida. A torcida não parava, mas o clima era de tensão. E como se já não bastasse o sofrimento em campo, o céu de Itaquera resolveu desabar. A chuva, que já caía fina desde o início, se transformou num verdadeiro dilúvio no segundo tempo. Mas a Fiel não arreda o pé. A Fiel não se cala. A Fiel canta mais alto.

Logo aos 30 segundos da etapa final, Romero colocou fogo no jogo com um gol que reacendeu as esperanças. A arena vibrou. A torcida, mesmo ensopada, empurrou o time com cada grito. A água escorria pelas arquibancadas, mas ninguém arredava o pé. Era mais que um jogo, era uma luta contra o tempo, contra o placar, contra o destino.

E então, aos 49 minutos do segundo tempo, quando a última gota de fé parecia prestes a se esvair, veio a redenção: escanteio para o Corinthians, bola na área, e o volante Bruno Henrique, de cabeça, empata o jogo. Explosão. Abraço. Grito. Choro. Eu e meu pai, juntos, em êxtase. A chuva já não incomodava. Pelo contrário: parecia lavar a alma Corinthiana ali, naquele momento. Era como se o universo inteiro tivesse conspirado para aquele instante mágico.

Foi um empate. Mas, para nós, foi uma vitória. A vitória do amor, da memória, da resistência, da tradição. Um jogo que ficará para sempre guardado como um dos mais emocionantes da minha vida. Porque foi ao lado dele. Do homem que me ensinou o que é ser Corinthians.

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