Jogos fora de casa e um dos grandes prazeres que tenho na vida
Desde muito cedo, acompanhar ao meu Corinthians, da maneira que fosse, passou a ser um dos grandes prazeres da minha vida.
Com seus ou sete anos, me lembro do ritual de me deitar todo torto numa poltrona, só pra ficar ao lado do meu pai e ouvir às partidas num pequeno radinho Motorola.
Já adulto, morando fora do país e enfrentando o fuso horário, assisti a jogos dentro do metrô, ou com o celular escondido debaixo do monitor do computador, enquanto me dividia entre minha paixão e reuniões de trabalho tocadas em outro idioma.
Nunca medi esforços pra ver meu time e essa paixão acabou sendo passada também para meus filhos.
Não me esqueço nem dos momentos mais doloridos em 2007. Naquele ano, mesmo com um time que nos levaria ao maior tombo da nossa história, fui ao Pacaembú, esperei ansiosamente por cada partida, pq por pior que fosse nosso time, nossa situação, não estávamos mortos. A falta de qualidade era óbvia, mas a presença daquela raça que sempre nos conduziu, também. Caímos, mas lutamos.
Na série B, resgatamos nosso orgulho e a entrega daquele time nos fez acabar com qualquer diferença entre séries. Éramos fortes, brigávamos em campo, ninguém era indiferente ao Corinthians.
Hoje, temos um time com a terceira maior folha salarial do país. Um elenco com jogadores de várias seleções, uma estrela holandesa, o ex técnico da seleção.
Tudo isso, em meio a maior crise financeira que o clube já viveu.
Em campo, especialmente quando jogamos fora de casa, aquele espírito, marca da nossa camisa até nos piores momentos, desaparece.
Jogamos para administrar um resultado, que sequer nos é favorável. Não marcamos pressão e contamos com o erro do adversário. Quando o erro acontece e retomamos a posse, a regra é não acelerar, segurar a bola em busca de uma falta, ou tocar de lado, pra trás, pra não correr o risco do erro em um passe mais aprofundado.
Nosso ímpeto pra atacar só nasce se tomamos um ou dois gols do adversário, antes disso, o empate nos é suficiente.
E não é de hoje. Esse mesmo elenco só mudou de postura em 2024, quando o risco de queda não permitia mais a perda de pontos fora de casa e a dupla Diaz invocou o discurso da nossa grandeza.
Permanência garantida, título paulista conquistado, não há mais porque se esfolar em campo.
Hoje, quando ganhamos, como contra o Ceará, é quase sem querer, sem forçar, em partidas em que nem os 3 pontos nos trazem algum orgulho.
Aquela ansiedade e alegria por ver nossa camisa em campo, aos poucos vai sendo assassinada, ficando na lembrança. Esperar por um jogo do Corinthians, especialmente gira de casa, hoje, é ter quase a certeza de mais uma noite de frustração e vergonha.
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