EXCLUSIVO: Advogada que barrou ação no Corinthians vira alvo de ataques online
Ela entrou em campo quando o jogo já parecia decidido nos bastidores e virou o placar. Desde então, passou a jogar também fora dele.
A advogada criminalista Dra. Nádia Dörr Estolaski se tornou alvo de uma sequência de publicações com acusações graves após ter atuado na defesa de Roberto Libânes, hoje conselheiro do Corinthians, em um caso que envolvia sua elegibilidade dentro do clube.
No centro da disputa está uma tentativa, segundo pessoas próximas ao caso, de inviabilizar a candidatura de Libânes ao conselho deliberativo por meio de ações judiciais nos Juizados Especiais. A estratégia, ainda de acordo com essas fontes, consistiria em acumular condenações por crimes contra a honra, o que poderia torná-lo inelegível com base na legislação vigente.
A defesa, conduzida por Nádia Estolaski, contestou as ações. Sustentou ausência de provas, apontou uso indevido do sistema judicial e conseguiu reverter decisões que poderiam barrar a candidatura. Libânes seguiu na disputa e acabou eleito por uma das chapas mais votadas do pleito.
“Era um conjunto de ações frágeis, sem base consistente. A Justiça reconheceu isso”, disse um interlocutor ligado ao processo, sob condição de anonimato.
A vitória jurídica não encerrou o caso. Pelo contrário.
Após o episódio, começaram a circular textos em um blog esportivo conhecido no meio corinthiano, com acusações contra a advogada. As publicações mencionam supostos envolvimentos em irregularidades, sem apresentar, segundo a defesa, provas concretas.
Nádia reagiu judicialmente. Obteve uma decisão liminar que determinou a retirada do conteúdo, sob pena de multa diária. A Justiça entendeu que havia indícios de violação à honra e à imagem.
Além disso, foi aberta uma investigação para apurar a conduta do responsável pelas publicações.
“Não se trata de censura. Trata-se de responsabilização. Liberdade de expressão não cobre imputação de crime sem prova”, afirmou a advogada.
O autor das publicações, Paulo Cezar de Andrade Prado, mantém um blog há anos voltado à cobertura dos bastidores do futebol paulista.
Levantamentos em bases públicas mostram que ele responde a um número elevado de processos judiciais, muitos deles relacionados a acusações de difamação e danos morais. Há registros de condenações e também episódios de prisão decorrentes dessas ações.
Em decisões recentes, a Justiça voltou a responsabilizá-lo por conteúdos publicados, incluindo indenizações e retratações obrigatórias.
Procurado, ele não respondeu até a conclusão desta reportagem. O espaço segue aberto.
O episódio ocorre em meio a um ambiente de forte polarização interna no Corinthians. De um lado, grupos associados à chamada “velha guarda”; de outro, conselheiros e associados que defendem maior transparência na gestão.
A eleição que levou Libânes ao conselho é vista por aliados como um marco dessa mudança.
“Foi uma disputa dura. E não terminou na urna”, disse um conselheiro.
A ação civil segue em andamento, assim como o inquérito policial. A expectativa é que novos desdobramentos ocorram nos próximos meses.
Enquanto isso, a advogada mantém a atuação profissional e diz que não pretende recuar.
“Quem trabalha dentro da lei não tem o que temer. Agora, cada um vai responder pelo que fez”, afirmou.
Nos bastidores do clube, o caso ainda repercute e deve continuar sendo tema de disputa, não só jurídica, mas também política.
Esta reportagem ouviu fontes ligadas às partes envolvidas e consultou documentos judiciais. O espaço permanece aberto para manifestações de todos os citados.
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