Dupla estratégia e banho tático de Carille

Fórum do Corinthians
Tópico Lendário Entenda as regras

Vinicius #783 @vinicius.reboucas1 em 20/08/2019 às 08:05

Se um dia o técnico Fábio Carille declarou não saber os motivos que o levaram a vencer o Paulista desse ano, o discurso pós-jogo contra o Botafogo poderia ter sido o oposto. O técnico foi responsável direto pelo triunfo (2x0) contundente sobre o alvinegro carioca no último sábado (17).

Carille submeteu o velho conhecido Eduardo Barroca a um banho tático de causar pesadelos. Com direito a duas estratégias para frear os impulsos do visitantes. Uma para cada tempo. Ambas bem executadas (novamente) pelo time considerado misto. Sinal de que os reservas pedem passagem.

Ciente de que Barroca gosta de armar equipes que construam o jogo com base na posse de bola, Carille armou o Corinthians em um 4-1-4-1 distribuído para uma marcação sob pressão logo na saída de bola do adversário. Estratégia que ditou o ritmo do primeiro tempo. Buscou, com sucesso, os erros de um Botafogo que passou boa parte da primeira etapa apertado em seu próprio campo, como é possível ver na imagem congelada da finalização de Everaldo.

Nas raras oportunidades em que o time de Barroca conseguiu vencer essa pressão, os avançados do Corinthians (Everaldo, Vital, Urso e Pedrinho) retornavam para compor o padrão das duas linhas defensivas corintianas. Por sinal, elas não estiveram tão abaixo do meio-campo, como de costume, e funcionaram de forma harmônica com uma transição em contra-ataque. Deu a possibilidade de vantagem no 1x1 aos nossos pontas, algo crucial no primeiro gol.

Pela direita, Pedrinho mais uma vez espetacular, ajudado por Fagner e Urso (que não atropelou ninguém e fez bem seu papel de 'jogador surpresa'). Um trio entrosado. Pela esquerda (em pleno funcionamento), um Everaldo sem firulas, Vital impecável e Carlos Augusto como bom apoiador (mas que precisa amadurecer). Boselli dispensa comentários no pivô e finalização.

Desta forma não há dúvidas de que o placar poderia ter sido maior ainda no primeiro tempo. Um volume de 14 finalizações é bastante significativo. Principalmente quando impõe um ritmo de trabalho alucinante ao goleiro. Gatito foi bombardeado.

Para o segundo tempo o panorama mudou completamente. No entanto, mais uma vez Carille ditou a norma da casa. Estava ciente da disposição de Barroca em fazer o Botafogo impor o ritmo de jogo. Deu a bola e armou a arapuca para novos contra-golpes. Funcionou bem. O adversário mais uma vez sentiu a pancada. A posse de bola em 57% para o time da estrela solitária foi ilusória. O máximo que conseguiu articular foi um bola no travessão. Os jogadores sequer se entenderam em campo.

Do lado de cá, o volume ofensivo diminuiu mas permaneceu letal. Everaldo acabou coroado pela objetividade. Ampliou o placar com categoria. Na origem do lance, destacada abaixo, lançamento de Manoel para Pedrinho não foi por acaso. O próprio Everaldo, livre, no lado oposto ao do garoto é uma prova disso. Fruto da disposição tática. Também é possível notar como a última linha de marcação está entre 10 e 15 metros à frente da grande área. O que deu mais campo e melhor compactação time.

A partir daí as substituições foram compreensíveis. Dar ritmo a Gustavo e Jadson. Manter a intensidade no contra-ataque e recomposição com Clayson. Nenhum dos três conseguiu mostrar algo relevante. Era de se esperar. O centroavante e o armador estão há tempos afastados por problemas distintos. E Clayson foi Clayson. Ele sempre é.

Ficou bastante claro após essa apresentação que Carille foi responsável direto pela construção do jogo (parabéns para ele), assim como o fato de Corinthians atualmente ter 'duas equipes' para encarar seus desafios. Uma para segurar o adversário (e a vibração da torcida), outra para propor o jogo (e encantar elogios). Tudo isso perpassa pelas características de Love x Boselli, Vital x Sornoza e Avelar x Carlos Augusto.

Finalmente o leque de possibilidades se abriu no Joaquim Grava. Mas a questão é: essa separação de funções é mesmo necessária?

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Melhores respostas

Luan Carlos Da Silva #880 @luan.carlos.da.silva em 20/08/2019 às 10:12

Ótimo tópico cara, muito boa a sua análise

Mikael Freitas #4.816 @mikael.freitas em 20/08/2019 às 13:20

Boa, mano! Por mais análises assim. Certa ou errada, sei lá, gostei.

Últimas respostas

Sandro Cecco Pereira #3.353 @cecco em 27/08/2019 às 08:48

O que foi que te falei irmão, Viu, Fora Carille, kkkkkkkkkkkkkkk se passar na quinta ele é o cara. Se não passar a casa cai, kkkkkk.

SANDRO #3353 @cecco em 20/08/2019 às 15:21

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Mas deixa o Corinthians perder uma ai, que os Nutelas de Plantãos, os sabem tudo de esuema tático já pedem a Contratação do Diniz.

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Paulo Cézar Gonsalles #2.505 @pc.olimpia em 22/08/2019 às 23:15

Falou tudo, apesar de ter assistido o jogo você me enriqueceu com detalhes que passaram despercebidos.

Fábio Chamusca De Carvalho #547 @fabiomcbaltz em 22/08/2019 às 22:28

Amorim... Boa lembrança... Mas a minha referencia ao nascimento dizia respeito mais ao estilo defensivo mesmo. Em contraste ao jogo bonito que Luxa fazia acontecer durante a década de 90, sabe?

Sobre os defensores, sobra só tédio mesmo. Hilario é ver o time funcionando melhor do jeito que a gente enxerga e faz coro forte pra acontecer (até parte da mídia também), e ainda assim eles dizerem que Carille é gênio. E que os meses de irritação e todos os jogos horríveis na verdade eram parte de um grande plano espetacular. Que tudo era programado. Hehehehe

Vinicius #783 @vinicius.reboucas1 em 21/08/2019 às 03:51

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Ainda tenho minhas ressalvas quanto a esse nascimento. A semelhança de trajetória com Eduardo Amorim é muito viva. É preciso vê-lo em outro céu para saber se há possibilidade de decolagem. Por aqui a coisa anda muito confortável.

Outra curiosidade, além dos apelidos, é o fato da torcida defendê-lo com unhas e dentes. Li mais de uma vez apelidos como 'EmpaTite' e 'MaSno Menezes' em fóruns. Hoje a blindagem é absoluta. Toda e qualquer falha, por mais absurda que seja, tem uma ampla defesa e inúmeros argumentos. A maioria vazios. Outros tantos que começam bem e terminam com '4 títulos em 2 anos' ou 'bom é Fulano, Sicrano, Beltrano'.

O crivo é alto com os jogadores, baixo com o técnico. Como se os atletas fossem responsáveis pela desorganização tática do primeiro semestre. Ou pela retranca que perdura até hoje, principalmente nos grandes jogos. Se esquecem que sentado no banco há alguém que não está disposto a perder o emprego por causa de sequência de derrotas. E nada melhor que um empate para maquiar desempenhos.

Felipe Lacerda #612 @lipao88 em 22/08/2019 às 10:35

Analise sensacional! Parabéns

Carlos Eduardo Victorino @carlos.eduardo.victo em 21/08/2019 às 19:48

Certíssimo boa analise mas o vou te falar a entrada do Gil no time deu mais solides e confiança a defesa até o futebol do Manoel cresceu da pra sonhar com voos mais altos com esse novo coringão.

Igor Gonçalves @igor.goncalves10 em 21/08/2019 às 14:25

Todo jogo na Arena tem que jogar dessa forma marcando em cima, dando um sufoco no adversário.

Lucas Gabriel Da Silva #7.395 @lucat em 21/08/2019 às 13:47

Foi uma ótima analise, curti e só sei que o time titular esta ai, principalmente para continuar avançando na sulamericana e ganhar jogoa chave do Brasileiro e pensar em título

Vinicius Rebouças #783 @vinicius.reboucas1 em 21/08/2019 às 13:22

Pode ser que sim, por muitos. Por mim, não. Até porque o último jogo terminou em empate com inúmeros defeitos, mas deixei claro que o resultado foi satisfatório. Empate no Beira-Rio atualmente é lucro.

Se o time tivesse acertado uma bola que arrancasse os três pontos, esse frase seria a única coisa a implementar naquela análise. Porque de resto, seria exatamente igual.

Frede #608 @frede.alves1 em 21/08/2019 às 11:15

" " Eu também acho. Mas não é o que se via... Agoras paleta de cores está sendo lembrada. Talvez pelas vitórias?

Frede Alves #608 @frede.alves1 em 21/08/2019 às 11:15

Eu também acho. Mas não é o que se via... Agoras paleta de cores está sendo lembrada. Talvez pelas vitórias?

Vinicius #783 @vinicius.reboucas1 em 21/08/2019 às 09:40

" "

Não tem nada mascarado, Frede. São situações completamente diferentes. E não é impossível elogiar o time na derrota. Da mesma forma que é possível criticar um ponto negativo na vitória. Não é binário.

Você quer colocar situações e análises de pontos completamente diferentes no mesmo saco. O problema é que nada do mundo é preto e branco. Existe uma paleta com muitas cores entre os dois extremos.

Deco 20 #68 @deco20 em 21/08/2019 às 10:50

Show de bola!