O Confronto dos 2 Melhores Volantes do Mundo
Assim era divulgado o jogo entre Corinthians X Real Madrid pelo Mundial de Clubes de 2000, entre outros atrativos.
Mas antes é importante resgatar a história de como se chegou a isso.
Rincón foi contratado pelo Corinthians em 1997, veio junto com o Edílson para um 2º semestre inexplicavelmente complicado de briga contra o rebaixamento em um ano que havia começado promissor pela parceria com o Banco Excel.
O jogo mais marcante dessa sofrida campanha talvez tenha sido uma vitória por 1x0 contra o Flamengo no Morumbi, pela penúltima rodada, com gol do Edílson.
Mesmo sem ter o ingresso pra ilustrar o tópico, eu estava lá entre os pouco mais de 12 mil presentes naquele jogo e em campo havia um time com condições de realizar uma campanha melhor do que a que vinha sendo feita.
Entre os bons nomes daquele time estava um Freddy Rincón ainda diferente do que viria a se consagrar no clube.
Com a chegada do técnico Luxemburgo no ano seguinte tudo mudou e, para contextualizar o futebol daquela época, vale destacar: Gamarra veio do Benfica, Vampeta veio do PSV da Holanda para ser o lateral direito daquele time e o Rincón que já estava no clube desde a temporada passada havia sido contratado junto ao Real Madrid.
Muito rápido ficou claro que a qualidade do Vampeta não poderia ficar restrita a uma faixa de campo e logo ele se firmou como segundo volante, mas a transformação do Rincón em um volante de contenção foi mais gradual.
Quando chegou ao Corinthians, Rincón figurava no top 3 de maiores artilheiros da seleção colombiana e sua consolidação como 1º volante no time se deu, de fato, na finalíssima do Brasileiro de 1998 quando a equipe atuou com o quarteto de meio campo que ficou famoso por compor o esquadrão do final do milênio passado.
Já como capitão no bicampeonato nacional em 1999 no time comandado por Oswaldo de Oliveira, o craque colombiano era tratado pela alcunha de melhor volante do mundo pelo então técnico da Seleção, Vanderlei Luxemburgo, em uma época em que os jogadores não precisavam estar na Europa para serem reconhecidos aqui.
E foi assim que Rincón chegou no Mundial de Clubes da FIFA para encarar o duelo que a imprensa denominou como sendo entre o dos dois maiores volantes do mundo, contra o argentino Fernando Redondo, do Real Madrid.
Na foto do tópico poderia constar a imagem do ingresso do jogo contra o Al Nassr, que eu também tenho aqui e no qual o Rincón fez o gol da classificação nos minutos finais, com o Corinthians atuando com um a menos (o lateral Daniel havia sido expulso) em um gramado pesado castigado por um dilúvio, mas o clássico do grupo foi cercado de situações.
Como já se sabe, Edílson roubou a cena com 2 gols e esse jogo fez dele o melhor jogador da competição, mas também debaixo de muita chuva, Corinthians X Real Madrid realizaram o que a tratou como melhor jogo do campeonato.
A chegada no Morumbi no começo de noite de uma sexta-feira chuvosa foi tumultuada, eu mesmo só consegui entrar no estádio próximo ao instante que o Real abre o placar e a minha recordação daquele jogo é de surpresa e tensão.
Surpresa porque, mesmo emendando a temporada sem férias, o Corinthians tinha um timaço que era favorito contra quase todo mundo e zebra contra ninguém, se impunha em todos os jogos, independente do resultado.
Mas no gramado pesado do Morumbi aquele dia o Corinthians teve imensa dificuldade em dominar o Real Madrid e eu não estava acostumado a ver aquele time não ter o controle do jogo.
A partida foi tensa, tanto que o Dida precisou defender um pênalti no final que, se tivesse entrado, teria significado a nossa desclassificação na sequência, mas no olhar de todos analistas foi destacado como mesmo em meio a aquele jogo tenso, com o gramado encharcado, Rincón e Redondo desfilaram um futebol digno dos dois melhores volantes do mundo.
E ressalte-se que na final, também diante da tensão daqueles 120 minutos mais pênaltis, na minha análise do jogo o Rincón foi o melhor em campo e depois todos ficamos sabendo das histórias contadas por aquele grupo de como ele alugou uma mansão nas cabeças de Romário, Edmundo e Juninho Pernambucano para tomar conta da decisão.
Freddy Eusébio Gustavo Rincón Valencia era o jogador mentalmente mais focado para a conquista daquele Mundial.
Lembro dele na época dizendo que sabia que não teria chance de ser campeão do mundo de seleções pela Colômbia, mas que ia fazer de tudo pra ser o primeiro a levantar um troféu de Campeão Mundial de Clubes da FIFA.
Na imagem da sua alegria ao realizar esse sonho, Rincón vive pra sempre na história do futebol e eternamente dentro dos nossos corações.
Obrigado, Rincón! 👏🏼👏🏼👏🏼
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