Anticorinthianismo: origem, efeitos e como isolar
Não foi surpresa, relatos, aqui no fórum, de foguetório em alguns bairros quando da perda da invencibilidade do Timão. O ódio faz com que se comemore mais a queda do inimigo que as próprias conquistas. A comemoração diante da derrota de nosso time é mais que a festa pelo tropeço do líder: é apenas um sintoma do anticorinthianismo, esse fenômeno que o Corinthians carrega desde a fundação, já que é a única agremiação do país criada por operários (os outros surgiram da elite). Embora o Flamengo hoje também possa ser identificado como time de massa (eu estava em Vitória, ES, quando da sua eliminação pelo San Lorenzo na Liberta e ouvi os urros de satisfação ecoarem nas janelas), não se pode dizer que exista um antiflameguismo: a mídia carioca tende a defender seus times como um todo, enquanto aqui em São Paulo grassa o anticorintianismo na imprensa. Notamos que na arbitragem (pelas notas das matérias do Meutimão se apercebe) a má vontade para com o Timão é flagrante, em 2016 e, agora em 2017, a coisa está medonha. Um arroubo de anticorinthianismo de Renato Gaúcho foi tratado como coisa normal pela mídia: “o Corinthians vai despencar”; e precisou ele próprio se retratar para denunciarem a falta de ética de sua declaração. O anticorinthianismo existe porque, segundo Lourenço Diaféria descreve em “Coração Corinthiano”, excelente livro publicado pela infelizmente extinta Fundação Nestlé de Cultura, “é o povo quem prossegue sendo a estrutura invisível do clube, que se materializa nas arquibancadas dos estádios (e nas ruas) ao longo de décadas, independente do time estar bem ou mal, independente de vitórias ou derrotas, independente de crises ou glórias. Os adversários pasmam. Os desafetos se remoem de inveja. Os indiferentes dissimulam sua admiração.”
É a alegria de viver e de torcer pelo Corinthians do povão que gera esse ódio todo ao qual denominamos anticorinthianismo. Já fiz um post aqui aconselhando abraçar os adversários anticorinthianos(não o inimigo, pois futebol não é guerra)para amenizar os efeitos desse sentimento. Devolva o ódio com amor, isso deveria ser uma premissa em todas as instâncias da vida. Compreenda como é difícil para um não-corinthiano aguentar a força com que digerimos o sofrimento de nossas derrotas e principalmente a felicidade quando o Corinthians vence (parece que é tudo que nos basta no cotidiano), e que aquilo não tem preço (o Palmeiras, com aquela dinheirama toda da Crefisa, não consegue essa bênção nem atravessando nossos jogadores). Se vocês forem abraçá-los e eles forem falsos, como o beijo que o Milton Neves deu na camisa do Jadson, não fiquem ressentidos. Se eles recusarem o abraço, não liguem. Quando encostarem a cabeça no travesseiro, saberão dar valor a seu gesto e ficarão um tiquinho menos antis. Como diz a oração de São Francisco de Assis, que eu procure mais amar que ser amado; compreender, que ser compreendido. Compreender como é difícil para um não-corinthiano. Porque ser corinthiano é ser feliz só por torcer pelo Corinthians. PVC, dê cá um abraço! Vai, Corinthians!
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