Para você, o que é um ídolo?
Por conta das últimas especulações, Romero foi alvo de várias indagações entre corintianos, em especial a pergunta se ele era um ídolo do clube.
Bem, farei minha análise sobre ídolo : Ídolo para mim é aquele que, além de ter um ótimo aproveitamento técnico e ser importante para conquistas e vitórias, tem um ciclo completo dentro do clube, encerrando-se um vínculo que teve começo, meio e fim. Penso que esse vínculo se baseia no reconhecimento por parte dos torcedores, encerramento sem conturbação e histórico de títulos (isso é relativo, pois Rivelino não teve) e sem rejeição dentro do clube.
Nesse contexto eu penso que ídolo tem que ter histórico bom pelo clube, ter um ciclo completo com demonstração de respeito pela camisa e técnica - não somente gols ou passes, mas taticamente também, além de sua entrega.
Além do Ídolo tem o grande jogador - aquele que jogou muito, mas seu ciclo no Corinthians não rendeu uma imagem de ídolo.
Quem eu acho que pode ser ídolo? É UMA OPINIÃO MINHA:
Neto - Sim. Teve um ciclo completo no Corinthians - começo, meio e saiu pelas portas da frente. Foi importante para uma conquista histórica para o Corinthians, sempre se dedicou, demonstrou respeito e entrega com o clube (OBS: Falo baseado nos vídeos dele. Não vi ele jogar). Além do mais ele é um claro torcedor do Corinthians. Pode tumultuar no ar, criar polêmicas, atuou em outro clube - o que não o descaracteriza em nada.
Danilo 20 - Sim, sem dúvidas! Lembro que Danilo passou por um período inicial muito complicado com o Corinthians entre 2010 e o começo de 2011. Era reserva do Boquita, depois Tcheco, Defederico, Jucilei fez muito papel de segundo meia com Nelsinho Baptista... Foi muito criticado no começo de 2011 pela falta de velocidade com apelidos de ''Danilento'', mas chegou no Brasileirão daquele ano e ganhou a confiança do Tite, rei das assistências no Brasileirão de 2011, gols decisivos contra Vasco e SP e sempre trabalhando sem se rebelar com a reserva. Em 2012 foi maestro em uma conquista inédita da América com um gol histórico contra o Santos e passe de calcanhar para o Emerson na Final. Contra o Chelsea foi o termômetro do time e quase fez o gol do título. Foi decisivo no primeiro semestre de 2013 com gol do título Paulista e o melhor em campo na final da Recopa. Não foi bem no resto do semestre, 2014 teve lesões e foi cobrado na invasão do CT, mas tinha deixado claro que iria cumprir o contrato e foi decisivo na reta final daquele time reconstruído pelo Mano e que classificou para a Libertadores. Continuou em 2015 e foi importante no primeiro semestre de 2015 com gols, mas não tinha nem como comparar a fase e a forma física com o meio ''RENADSON''. Se lesionou, trabalhou e por fim, em 2018, encerrou seu ciclo com dois gols importantes e um de bicicleta. Encerrou seu ciclo aí. Tudo isso pensa que o caracteriza como ídolo.
Jorge Henrique - Sim. Apesar de ter pisado na bola com o Tite, não comprometeu sua imagem com o clube. Chegou em 2009, participou de uma tremenda revolução dentro do Corinthians, com conquista de um Paulistão invicto, dando passes, se aplicando em campo, taticamente ajudou muito os volantes como o Elias na saída de bola e marcação. Fez gols extremamente importante contra o Internacional de Tite nas finais da Copa do Brasil, onde o Internacional era considerado o melhor time do país. Teve um 2009 muito reverenciado ao lado de Elias e Ronaldo. Em 2010 fez o gol que quebrou um tabu de quase 4 anos contra o Palmeiras, foi muito importante naquela arrancada do time em 2010. E há quem diga que não fomos campeões por sua lesão. Em 2011 foi extremamente importante de novo com Tite, deu muitos passes para gols, teve empenho e fez alguns gols como nos 5x0 contra o SP. É um dos poucos atacantes que fizeram gols em todos os rivais. 2012 nem precisa comentar! Foi uma peça chave. Colocou Willian e Douglas no banco na Libertadores. Fez a parte tática como ninguém, era raça pura! Mudou a final do Mundial de 2012 colocando o Douglas novamente no banco e anulando as laterais do Chelsea. Terminou o Paulistão não atuando, pois foi suspenso pelo Tite e encerrou sua trajetória. Embora possa ser contestada sua saída, lembro que aquela semana muita gente ficou indignada nos fóruns do MeuTimão. Teve uma que foi clássica :'' Queria jogar como o Messi para levar um monte de mulheres no CT e ver alguém me cobrar'' Hahahahahaha. Na minha avaliação isso não lhe trouxe nenhum rótulo. Considero um ídolo.
Ronaldo - Sim. Sem dúvidas! Apesar de sua saída também ter tido um impacto pela saída do Roberto Carlos que alegou estar sendo ameaçado pela torcida após a eliminação para o Tolima. Ronaldo, dentro e fora de campo foi uma referência do Corinthians pós-série B: Trouxe grandes patrocinadores, deu visibilidade internacional para o clube, gerou expectativas na torcida e nos jogadores. Foi um nome de peso. No campo, Ronaldo mostrou muita qualidade com gols absurdos como aquele contra o Santos na final, arrancadas sensacionais como contra o São Paulo no Morumbi, gol aos 47 contra o Palmeiras e outros lances como passes como aquele que acabou no gol do Douglas na semifinal do Paulistão 2009. Na Copa do Brasil também foi decisivo contra o Atlético - PR e com o gol na final, além da assistência para o André Santos. Em 2010 teve inúmeros problemas físicos e lesões. Ficou de fora quase toda a temporada, mas nas 16 que disputou no Brasileirão 2010 ele não perdeu nenhuma partida. Foi autor de um golaço contra o Santo André em 2009 e fez uma Libertadores boa, embora na maior parte fora também. Ronaldo inegavelmente mudou a história do Corinthians. Trouxe uma grande exposição do clube na mídia e sem dúvidas um novo modelo de gestão no clube se criou com sua vinda aqui. Tecnicamente, acho que o Ronaldo foi bem, fez 35 gols em 69 jogos. Uma média considerável! Naquela época ele tinha problemas crônicos com lesões e estava fora de forma. Ronaldo foi um marco na história do clube.
Paolo Guerrero - Muito polêmica essa parte, mas para mim ele NÃO É ÍDOLO. Ele foi um grandíssimo jogador! NA MINHA OPINIÃO, tecnicamente, foi o melhor atacante do século XXI no Corinthians. Ronaldo teve uma média superior, mas vale lembrar que Guerrero teve participações em todos os cantos do campo. Marcava, brigava, movimentava, fazia pivô como ninguém, gol de cabeça, direita, esquerda; corria e puxava o time. Guerrero teve inúmeros recursos técnicos inigualável no Brasil. Fez 8 gols em 2012, entre eles dois muito importantes no título mundial de 2012. Lembro que foi especulado pelo Chelsea antes de começar 2013. Fez um Paulistão consistente demais em 2013, fazia pivô, chutava de longe, marcava, dava assistências. Consagrava-se aí um matador. Depois da eliminação para o Boca ele ficou sem marcar por um tempo e foi decisivo na Recopa Sulamericana. Acho inclusive que foi melhor que o Danilo - craque da final - nas duas partidas. Lesionou-se seriamente contra o Atlético-MG e isso foi decisivo para o baixo rendimento, de 27 gols em 38 jogos e eliminação na Copa do Brasil para o Grêmio. Começou 2014 com jogos abaixo da média, foi agredido pela torcida na invasão do CT, lesionou-se, mas acabou ofuscando Alexandre Pato - o prejuízo de inúmeros milhões e futebol de centavos - mas voltou em um grandíssimo estilo, foi certeiro no campeonato, marcou gol em todos os rivais de São Paulo. Foi autor de 15 gols na Arena, decisivo em clássicos e o cara dos jogos grandes. Foi um dos destaques da Copa do Brasil de 2014, onde fatalmente a bola desviou nele e acabou no gol de 4x1 Atlético-MG. Fez o gol na decisão contra o Grêmio na disputa da vaga para a Libertadores. Contra o Fluminense ele consagrou um feito para poucos: gols em todos os chamados grandes do país. Terminou o brasileirão como o melhor atacante da competição e recebeu o prêmio Bola. Diante de tudo isso começava o problema. Em 2014 a diretoria tentava renovar o vínculo dele com o Corinthians que encerrava-se. O grande problema disso começou logo no ''efeito Pato''. Teve algumas matérias que já abordavam que as diferenças no Corinthians não eram entre Emerson e Pato, mas sim entre Guerrero e Pato. A contratação de Pato irritou os campeões mundiais. Dá para entender. Mas como Guerrero colocou o futebol no bolso ele queria uma valorização. O efeito Pato criou o efeito Guerrero. O próprio Meutimão divulgou na época que Guerrero recebeu uma proposta similar a do Flamengo em 2014, mas esperou até 2015, onde o momento do país estava complicado e o Corinthians teve que abaixar. Isso virou uma grande novela, no começo de 2015 foi desgastando mais a relação e do nada saiu que ele pediu a dispensa na véspera de um clássico. Em seu último jogo fez um corpo-mole tremendo. Então não penso que foi por ter trocado de clube, mas a situação que o Guerrero criou e saiu. É um grandíssimo jogador, sem sombra de dúvidas, mas para mim não um ídolo. Ele chegaria fácil aos 100 gols com o Corinthians.
Carlitos Tevez - É relativo. Pessoalmente, para mim, sim ele é ídolo. Inegável que Tevez teve um futebol muito técnico e principalmente raçudo. Tevez resgatou algo que faltava no Corinthians desde aquele time de 2002: Dedicação. Contestou-se o valor da transação, mas Tevez nem precisou de muito tempo para mostrar o quão craque ele era. Já no começo chegou fazendo gols, dava muitos passes, tinha uma movimentação bem ampla, se dedicava ao extremo e até enfrentou o Marquinhos, onde um tinha 1,69m e outro 1,90m. Apesar do time ser chamado de ''Galácticos'', somente Tevez vingou e nunca fez corpo-mole. Foi destaque naquele 7X1 contra o Santos, foi o maior goleador do Corinthians em campeonatos de pontos corridos com 20 gols e apenas 20 anos. Chutava de longe, fez dois gols absurdos contra o Palmeiras - um deles anulado - e formou uma dupla fantástica com o Nilmar. Em 2006, ano de Copa do Mundo, seu foco diminuiu, dá para compreender a cabeça de uma pessoa com 21 anos considerada o substituto natural de Palermo ou Maradona. Fez 5 gols na Libertadores, mas caiu muito na pilha do River Plate, em especial na volta. Foi injustiçado, ao meu ver, em perder a braçadeira por sua dificuldade de falar, e começou a ter muitos problemas internos com o Leão e focou mais ainda na seleção argentina. Kia viu a oportunidade no momento que ele fez um golaço contra o Fortaleza e fez gestos de silencio para a torcida. Fez 46 gols em 78 jogos. Uma média absurda! Não acho que Tevez teria muito mais tempo aqui pelo que representava seu futebol, embora sua carreira tenha sido um pouco similar a carreira do Robinho. Outra coisa que pesou foi o momento conturbado na política do Corinthians. Da noite para o dia romperam com a MSI, Dualib era investigado, elenco estava insatisfeito com Leão, pressão e decepção da torcida após eliminação para o River Plate. Com esse cenário, penso que ele com 21 ficou pressionado, coisa que não tinha sido visto até então e pegou o bonde para a Inglaterra. Eu opinando, penso que o ciclo dele foi conturbado, mas nada que arruinou sua relação com a torcida. Vide 2011, onde houve uma febre aqui mesmo no site pela possibilidade de sua chegada. Isso vai de cada um. Ao meu ver ele pode ser considerado ídolo. Isso é pessoal, ok?
Elias - Pode parecer injusto, mas não o considero ídolo. Elias teve duas passagens muito boas pelo Corinthians. Ajudou a reerguer o clube na segunda divisão, foi considerado por Ronaldo o melhor jogador do Paulistão 2009, já era carrasco do São Paulo, fez surgir no Corinthians uma similaridade com o Vampeta, algo que não ocorria faz tempo, apesar de novo, chamava a responsabilidade, pique maloqueiro, passava muito bem e chegava mais ainda. 2010 foi melhor ainda! Fez vários gols, em especial na Libertadores com 3; 4 gols contra o São Paulo, fez gol no Santos e foi eleito o melhor volante do campeonato. Daí resolveu seguir seu sonho europeu. Algo normal e comum. Depois retornou em 2014. Antes disso foi reverenciado no Pacaembu, onde ganhamos do Flamengo por 4x0. Fez alguns bons jogos, deu passes para gols, fez uns gols e chegou em 2015, onde seu futebol voltou a ser de alto nível. Tite montou um esquadrão que fatalmente não ganhou a Libertadores, onde novamente Elias fez gols - 4. No Paulistão de 2015 terminamos o campeonato de maneira invicta, mas eliminados para o Palmeiras, onde se Elias convertesse o pênalti decisivo estaríamos na final, pois já era o quinto e último. Seríamos campeões invictos novamente contra o Santos. No Brasileirão de 2015 teve participação decisiva, chamou a responsabilidade e foi eleito o melhor volante novamente com aquele esquadrão. Mas o problema foi em 2016, onde não quis assumir a responsabilidade após o desmanche de 2015 e começou a lembrar o Guerrero com corpo-mole e saiu definitivamente para o mesmo Sporting que o rejeitou, alegando o sonho de jogar a Champions. Elias teve a faca e o queijo na mão para estar em um patamar acima do Fagner e Cássio, mas desandou quando cobrado. Essa atitude dele refletiu nos encontros seguintes contra o Corinthians na Zona Leste, onde nem ao menos foi aplaudido pela torcida igual 2013. Seu ciclo aqui encerrou-se de uma maneira deprimente, fugindo do desafio para enfrentar um desafio menor ainda, já que o Sporting não teria chance alguma de ser campeão,
Enfim, esse são alguns exemplos conhecidos e recentes. Nem precisa falar de Chicão, Alessandro, Ralf e Paulinho. Tudo que representaram já demonstra que tiveram um ciclo grandioso no Corinthians.
Na minha concepção, ídolo está atrelado ao todo do atleta no clube: Referência técnica na função, conquistas e um ciclo completo no clube, onde esse ciclo demonstra toda a reverência do atleta com a torcida e o clube.
Para você, o que é um ídolo?
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