Time de craques muito além do campo

Time de craques muito além do campo

Os jogadores estão todos lá, mas o menos importante é ver a bola na rede na série Rebeldes do Futebol, cujo primeiro episódio vai ao ar amanhã, às 17 h, na TV Cultura. A atração é a versão fragmentada do documentário homônimo, que mostra a história de ídolos do futebol que, além de muitos gols, têm no currículo lutas públicas por democracia, paz e liberdade.

A estreia é dedicada a Sócrates (1954-2011), com ênfase em sua passagem pelo Corinthians nos anos 1980, período em que o time tentava driblar a ditadura militar e fomentava o movimento popular para a abertura política. Os depoimentos de envolvidos na equipe, como ex-jogador Wladimir, e do publicitário Washington Olivetto, fervoroso torcedor do Timão, trazem relatos curiosos dos bastidores dos vestiários.

Produzido na França pelo canal Arte France, em parceria com empresas internacionais, como a Al-Jazira, Rebeldes do Futebol é ancorado por Eric Cantona, ex-jogador e ator, que faz intervenções dramáticas entre os depoimentos. Em uma de suas aparições, o apresentador afirma que quer mostrar o esporte com "valores sobre os homens, pois o futebol é para educar as pessoas". Apesar de ter sido feito na Europa, o programa conta com trechos extraídos do acervo da TV Cultura.

"Grande parte das imagens de cobertura deste primeiro episódio pertence a gravações e entrevistas feitas pela TV Cultura, algumas até exclusivas. Temos sequências raras do Sócrates fazendo alongamento, tomando banho no vestiário, em ação no campo e definindo a democracia corintiana em entrevista, durante a ditadura militar. Um rico material catalogado no nosso banco de imagens", conta Celso Giannini, coordenador de pós-produção da emissora responsável pela negociação.

Sob o comando do sociólogo Adilson Monteiro Alves, diretor de futebol do Corinthians naquela época, Sócrates era uma das figuras que atraíam atenção pela chamada democracia corintiana, sistema estabelecido pela equipe em que todas as decisões eram votadas, desde uma simples parada do ônibus para que os jogadores fossem ao banheiro. Entre as histórias citadas, está o episódio em que Walter Casagrande queria voltar mais cedo de um jogo no Japão para ficar com a namorada. O pedido do passou pelo crivo de seus companheiros, que optaram por sua permanência.

Com o passar do tempo, o acordo entre os atletas foi despertando o interesse da sociedade. Na mira dos holofotes, o time começou a fazer campanhas, como uma em que incentivava a população a votar nas eleições diretas para governador, em que candidatos da oposição tiveram êxito.

Enquanto o ex-presidente Lula fala sobre a paixão pela camisa do time, o craque Raí relembra os momentos ao lado de Sócrates. "Eu tinha dificuldade de vê-lo como meu irmão, eu o via como um ídolo. Quando ele chegava em casa, eu demorava dias para perceber que ele era meu irmão", revela na série.

Os episódios seguintes vão tratar de atletas de outros países, como Didier Drogba. Capitão da seleção da Costa do Marfim, ele tentou intervir na guerra civil daquele país e conseguiu um cessar-fogo entre os combatentes. Na lista estão ainda o chileno Carlos Caszely, que bateu de frente com a ditadura de Pinochet e teve a irmã torturada em resposta, e o bósnio Pedrag Pasic, contrário aos conflitos religiosos na região dos Bálcãs.

Fonte: Estadão

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