Naming rights: Timão revê estratégia comercial e destaca importância de parcerias

Naming rights: Timão revê estratégia comercial e destaca importância de parcerias

Por Meu Timão

Com atraso superior a dois anos, venda dos naming rights deixou de ser fundamental para o Corinthians

Com atraso superior a dois anos, venda dos naming rights deixou de ser fundamental para o Corinthians

Foto: Rodrigo Coca / Ag. Corinthians

O atraso na venda dos naming rights da Arena Corinthians tem gerado amplos debates entre os torcedores alvinegros. Com boa parte de sua receita vinculada ao pagamento do estádio, a diretoria do Timão busca conceder o nome do “sonho corinthiano” por R$ 400 milhões durante 20 anos. Mas se engana quem pensa que o clube não possui alternativas perante o impasse.

“A gente usa a Arena como uma plataforma de engajamento. A empresa, hoje, não quer mais chegar e colocar um anúncio no telão simplesmente. Ela quer o telão, ela quer trazer clientes no camarote, ela quer fazer uma parceria, enfim. Tem vários âmbitos dentro da Arena que a gente pode envolver essa empresa”, afirma Thiago de Rose, gerente de planejamento da Arena Corinthians.

De acordo com o especialista, o primeiro passo é firmar ações e parcerias de categoria que visem aumentar a relação entre o estádio alvinegro e as corporações. “Podemos ter 100 ações rolando ao mesmo tempo em um jogo, diversas coisinhas pontuais em todos os setores, todas as propriedades da Arena. Essas ações, quando você as combina, você consegue formar pacotes para vender para as empresas”, explica.

“Acima disso, a gente tem os sector rights, que são os direitos de nome de cada setor. Então, por exemplo, a arquibancada Norte pode se chamar Nissan. Então a Nissan tem o nome do setor Norte, tem direito a envelopar o local com coisas da empresa, a expor um carro na entrada, fazer cadastros, enfim. Mil coisas que ela pode realizar nesse setor e você vai montando pacotes”, acrescenta.

Ainda segundo Thiago, as negociações com possíveis interessados nos naming rights da Arena partem “de baixo para cima”. “Falamos: ‘Nissan, você quer montar um pacote? Vamos fazer uma parceria, você tem R$ 2 milhões para investir por ano? ‘Ah, mas eu gostei dessa ideia do sector rights, o Norte poderia ser o setor Sentra, o Sul poderia ser outro... ’. ‘Pô, esse pacotão (sic) que você fez já deu R$ 10 milhões. Porque você não pega mais isso e aquilo e dá nome ao estádio? ’”, exemplifica.

“Então a gente tenta inverter a lógica da negociação, porque você nunca vai ter sucesso se você chegar para uma empresa e falar: ‘Ah, compra o naming rights porque você vai ter o nome do estádio, você vai ter uma placa na fachada’. As empresas não funcionam assim, não há como ter sucesso nisso”, conta.

Recentemente, o Corinthians firmou uma parceria com alunos de MBA em Gestão Esportiva de uma universidade norte-americana para conhecer detalhes sobre o mercado, ainda pouco difundido no Brasil. “Eles dissecaram os 40 principais acordos dos EUA e passaram para gente. Uma negociação de naming rights demora, em média, seis meses para ser concluída. Se lá é assim, que é um mercado maduro, imagina aqui no Brasil”, reconhece.

Nesta quarta-feira, o portal LANCE!NET revelou que a Hyundai, montadora de automóveis sul-coreana, negocia os direitos de nome do estádio de Itaquera com o Corinthians. De acordo com a publicação, a empresa quer reduzir o período de contrato e o valor solicitado pelo clube. “Se você tiver cinco parceiros de categoria já dá o valor do naming rights. Então talvez nem precise, se você trabalhar o resto, você não precisa nem de naming rights”, completa.

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