'À cidade do 7x1, capital do Estado do Cabo Douglas', por Ricardo Maritan

'À cidade do 7x1, capital do Estado do Cabo Douglas', por Ricardo Maritan

Por Meu Timão

Apesar da felicidade pela vitória no jogo contra o Atlético-MG, em Belo Horizonte, nem tudo foi alegre para os corinthianos. Especialmente para aqueles que visitaram a cidade e viveram verdadeiro clima de guerra.

A truculência da polícia, retratada em nota oficial pela Gaviões da Fiel, virou um desabafo em forma de carta - de um torcedor - que é advogado e conselheiro do Corinthians - indignado com a violência sofrida do lado de fora do Independência.

Na carta, dirigida ao governador mineiro, Ricardo expôs a sequência de erros e detalhes da truculência da PM mineira contra os corinthianos. O autor autorizou ao MEU TIMÃO a reprodução da carta, que segue na íntegra com os detalhes da "ação" da polícia.

Confira na íntegra a carta de Ricardo Maritan

À cidade do 7x1, CAPITAL DO Estado do Cabo DOUGLAS

Excelentíssimo Senhor Governador do Estado de Minas Gerais Fernando Pimentel

Conheci a capital do seu Estado no ano de 1999, quando participei do Congresso da UNE, oportunidade na qual também tive o privilégio de conhecer o Mineirão, na final do Campeonato Mineiro de Futebol, vencido pelo Atlético-MG, 1x0, gol de Marques - prata da casa Corinthiana e ídolo Atleticano - sobre o América-MG.

Fiquei encantado com a capital do seu Estado. Tamanha identificação com o povo Mineiro me propiciou novamente visitar Belo Horizonte, no mesmo ano, para assistir à primeira final do Campeonato Brasileiro, entre Atlético-MG x Corinthians, um 3x2 épico para o time da casa, no Mineirão, revertido posteriormente pelo Time do Povo em seus domínios e se sagrando tri-campeão Brasileiro, sendo o Bi conquistado em cima dos Mineiros no ano anterior.

De lá para cá foram muitas visitas ao seu Estado, sendo a grande propulsora das minhas visitas a paixão que tenho pelo futebol.

Retornei algumas vezes, não só para acompanhar o Sport Club Corinthians Paulista, como também, para prestigiar a nossa amada seleção Brasileira.

Estive presente na semi-final da Copa das Confederações, jogo vencido por nós sobre o Uruguai, com direito a pênalti defendido por nosso arqueiro e com o gol derradeiro da classificação para a final, feito pelo então Corinthiano Paulinho, quase no final da partida.

Na Copa do Mundo, voltei a Capital do seu Estado em mais duas oportunidades!

Sofri como os quase 200 milhões de Brasileiros na disputa de pênaltis vencida contra os Chilenos e lamentavelmente estava presente no fatídico 7x1. Sai do Mineirazzo perplexo, desnorteado, talvez na maior frustração desportiva da minha vida.

Como o senhor deve imaginar senhor Governador, sou apaixonado por futebol, sou apaixonado pelo Corinthians.

Há quase dois anos fui abençoado em conhecer uma Gaúcha, igualmente apaixonada por futebol, que me acompanha Brasil e mundo afora, para compartilhar comigo dessa paixão de assistir partidas de Futebol.

Já tivemos a oportunidade de juntos, assistirmos jogos como visitantes em diversas cidades como Salvador, Rio de Janeiro, Florianópolis, Santos, Bragança Paulista, Porto Alegre, acredite Governador, que até a pré temporada do Timão, na Flórida- EUA, tivemos o privilégio de nos fazermos presentes.

Ocorre que com o feriado prolongado, pois minha namorada é funcionária pública, nos programamos não só, para assistir à partida da "decisão" do campeonato Brasileiro 2015, bem como, quis apresentar e desbravar as Minas Gerais com a Gaúcha.

Chegamos na quinta à noite. Visitamos as lindíssimas cidades de Ouro Preto e Mariana, e seguimos para BH, no intuito de ver um grande jogo de futebol.

Ocorre senhor governador, que o que vimos, presenciamos e tivemos o desprazer de vivenciar foi absurdamente lamentável. A Polícia Militar do seu Estado nos tratou muito mal, covardemente!

Foram 1800 Corinthianos que pagaram o ingresso mais caro de um visitante nesse Brasileirão 2015! Poderiam ser 6000 Corinthianos caso o Dirigente maior do clube Atleticano não fosse amador e mesquinho, e mandasse a partida no Mineirão, estádio de Copa do Mundo.

Acredito que seu primeiro erro, senhor Governador, tenha sido a omissão em não tentar convencer o seu dirigente local em propiciar para a grandeza do campeonato e para a capital do seu Estado uma nova invasão Corinthiana, gerando receita e renda para os Mineiros, em época de grande crise financeira que assola o País!

Acredite senhor governador, se o jogo fosse realizado no Mineirão, a Fiel torcida Corinthiana se faria presente com quantos ingressos fossem disponibilizados, reeditando assim mais uma invasão, como as do Rio de Janeiro em 1976 e 2000, ou como a do Japão, do outro lado do mundo em 2012. Seria mais uma história linda dessa nação na Capital do seu Estado.

Já que o dirigente maior do Clube Atlético Mineiro quis mandar o jogo num estádio acanhado, pequeno, sem condições de receber um jogo de tamanha grandeza, abrindo mão de uma renda que talvez fosse a maior do campeonato, fazendo não só do Time visitante que é o melhor ataque, a melhor defesa, melhor mandante e visitante, com a maior média de pontos conquistados até agora, com o time que menos falta fez no campeonato liderando também o quesito "Fair Play", mas também teria o maior público e renda como visitante, deixando de quebra os Mineiros com uma renda extra que uma nova invasão com certeza proporcionaria, com gastos em hotéis, restaurantes, postos de combustíveis, locadoras de carros, táxis, enfim, com o comércio local.

Mesquinhez levada adiante, o mínimo que seu Estado deveria fazer senhor Governador, era propiciar segurança aos visitantes.

Fomos recebidos com bala de borracha, bombas de efeito moral, spray de pimenta, tudo indistintamente e sem motivação nenhuma, a não ser declarações atrapalhadas dos dirigentes locais.

Moradores das proximidades, Mineiros, foram agredidos e desrespeitados dentro de suas próprias residências simplesmente por darem guarida a torcida Corinthiana que era massacrada e agredida gratuitamente.

Negros, brancos, mulheres, homens, crianças, adultos, idosos, portadores de necessidades especiais, não alfabetizados e letrados. Todos os 1800 Corinthianos presentes na Capital do seu Estado, governador, no Estádio do Independência, sentiram o cheiro de pólvora dos tiros de borracha, ouviram os estampidos das bombas de efeito moral, lacrimejaram com o Spray de pimenta, e não com um gol derradeiro como deveria ser com a paixão nacional.

Como emblemática fica a cena lamentável de horror vivida fora do Estádio, assim que o árbitro iniciou a partida, pois desde as 16h30 a PM/MG não permitia o acesso ao Estádio! Foram momentos de terror por nós vividos, com a perpetuação da imagem do cabo Douglas, em minha memória, covarde, apontando a sua arma para nós e efetuando disparos com balas de borracha, indistintamente, contra a nação Corinthiana. Muita gente ficou ferida e machucada, não só física, mas também, psicologicamente.

Um amigo e colega de Conselho foi alvejado, à queima roupa, por bala de borracha. Graças a Deus comigo e com a minha namorada nada de grave aconteceu, apenas o grande susto! Conseguimos, atônitos e chocados, entrar para ver o jogo apenas no intervalo da partida. ABSURDO E LAMENTÁVEL!!!

MANCHARAM O CAMPEONATO!

O que se viu na receptividade a nação Corinthiana foi de uma covardia que eu nunca tinha presenciado na minha vida. Autoritarismo e abuso de poder por parte da Polícia Militar de MG uma ação vergonhosa que expôs o despreparo na ação da corporação em evento de massa dessa magnitude.

Cheguei a pouco em São Paulo e o que vejo nas redes sociais é que o tratamento dispensado a torcida do Corinthians foi algo orquestrado por quem comanda a PM, e não um fato isolado depois de iniciada a partida. As caravanas das torcidas organizadas sofreram na chegada e na saída de BH.

Senhor Governador, a justiça já se iniciou com a valentia dos guerreiros jogadores Corinthianos, que num ato de desagravo, não só da torcida, mas também do seu comandante, que foi atingido por cusparadas, jogaram como verdadeiros heróis e mostraram que futebol não é guerra E que, apesar de terem o sono perturbado por péssimos anfitriões, com rojões durante toda a madrugada anterior, sem que a PM local tomasse qualquer providência de repressão, dentro de campo fizeram a Justiça com a sonora goleada sobre o Time, cidade e Estado que não soube nos receber dignamente.

A Torcida Corinthiana, mais uma vez, fez o seu show dentro do Estádio, calando os 17 mil Atleticanos com uma festa durante toda a partida, com direito a Olé!

Espero, senhor Governador, que os fatos aqui narrados sejam apurados e que os responsáveis sejam punidos! Desejo que o povo Mineiro, outrora tão receptivo e acolhedor, não sofra mais com a mesquinhez de Dirigente amador, egoísta e sem visão e com a omissão de um governador que não tomou as providências para assegurar a boa receptividade dos apenas adversários e não inimigos!

Sinceramente senhor Governador, quando tiver novamente evento Futebolístico no seu Estado, vou reavaliar se devo me fazer presente, no máximo chegando e saindo no dia do jogo, pois assim como aconteceu em Recife na final da Copa do Brasil de 2008, com a péssima receptividade que tivemos, cidade que nunca mais voltei, nem a passeio, e caso se confirme o título antecipado do Corinthians no Brasileirão 2015, embora esteja na programação - juntamente com a Gaúcha - não me farei presente no jogo contra o Sport Recife. Acredite, já fiz um cruzeiro marítimo com parada em Recife e me recusei a descer. Assim é a nação Alvinegra do Parque São Jorge. Apaixonada e Fiel, não esquecendo nunca de quem um dia lhe tratou mal.

Não seja omisso senhor Governador e tome as providências administrativas para apurar a forma covarde com que a sua Polícia Militar recepcionou os Corinthianos.

Espero que os responsáveis sejam exemplarmente punidos e que os excessos nunca mais se repitam com quem quer que seja!

Saudações Corinthianas e rumo ao Hexa!!!

Vai Corinthians!!!

Ricardo Fernandes Maritan, 36, advogado e Conselheiro do Sport Club Corinthians Paulista, apaixonado por futebol

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