Terceira via na eleição do Corinthians, Felipe Ezabella fala ao Meu Timão dos planos e objetivos

Terceira via na eleição do Corinthians, Felipe Ezabella fala ao Meu Timão dos planos e objetivos

Felipe Ezabella atendeu à reportagem do Meu Timão em seu escritório

Felipe Ezabella atendeu à reportagem do Meu Timão em seu escritório

Foto: Meu Timão / Larissa Lima

Após trazer as impressões e metas de Romeu Tuma Jr. e Antonio Roque Citadini, o Meu Timão apresenta o terceiro candidato à presidência do Corinthians na eleição de 3 de fevereiro. Nome esse que surge como uma espécie de terceira via aos associados: Felipe Ezabella.

Aos 39 anos, o advogado foi escolhido para ser o representante do Movimento Corinthians Grande, que ainda traz Fernando Alba e Fábio Carrenho como vices. A chapa é composta por ex-diretores de gestões anteriores que ajudaram na reconstrução do clube após o rebaixamento. Além do próprio candidato à presidência (ex-esportes terrestres), Rogério Mollica (jurídico), Fausto Bittar Filho (base), Raul Corrêa da Silva (financeiro) e Sergio Alvarenga (jurídico) trabalharam em gestões anteriores.

CANDIDATOS AO MEU TIMÃO:
Andrés Sanchez: "Institucionalmente o Corinthians deu uma parada"
Antonio Roque Citadini: "O Corinthians é o Corinthians e basta"
Romeu Tuma Júnior: "Não faço promessas, assumo compromissos"

De acordo com seus idealizadores, foi a partir de ideias difundidas em parceria com a Universidade do Futebol que nasceu o plano de gestão a ser implementado em caso de vitória. Aumento de receitas, resolução das questões que envolvem à Arena Corinthians - incluindo a administração da mesma em dias sem jogos -, mais transparência nas finanças e a criação de uma equipe B sob critérios pré-definidos são alguns dos seus principais objetivos.

Acompanhe os principais trechos da entrevista exclusiva

Felipe Ezabella falou de sua trajetória no Corinthians

Felipe Ezabella falou de sua trajetória no Corinthians

Meu Timão / Larissa Lima

Meu Timão: O que te levou a querer ser presidente? O que te motivou?

Felipe Ezabella: Tenho sido bastante perguntado sobre isso. Quando penso o que me levou a querer ser o presidente do Corinthians, vem na minha cabeça a coisa mais natural do mundo: penso na minha trajetória de vida pessoal e profissional. Do meu avô, do meu pai, que nasceram no Tatuapé, eu aprendi a ler com jornais que falavam do Corinthians, frequentei o clube desde a infância, na vida profissional como advogado me especializei no direito esportivo, fiz diversos cursos de gestão esportiva. Me envolvi na política do clube desde cedo, em 2007, com apenas 29 anos, eu era vice-presidente de esportes. Com 25 anos, já estava envolvido nas ações judiciais para tirar o Dualib. Com 26 anos, fui eleito conselheiro. Então, para mim, é a coisa mais natural para mim esse meu envolvimento no esporte como gestor, administrador, como advogado... é a evolução da minha vida.

Qual o plano de candidatura como princípio de administração do clube?

Temos que retomar alguns pontos que ficaram parados lá atrás, como a transparência. O clube precisa dar um salto na administração de forma geral, na governança, uma organização melhor dos departamentos, divulgação dos balancetes, organizar melhor a situação de cargo e salário dentro do clube, ter um departamento comercial bem agressivo para tentar atrair novos parceiros, para geral receita. O clube ainda é muito dependente da receita de TV e, eventualmente, das vendas de atletas. A gente precisa retomar as outras receitas.

O dinheiro "mais fácil" é a televisão, que você negocia a cada três, quatro anos. Tem também a venda dos atletas. Ambos rendem muito dinheiro, e você acaba esquecendo do pingadinho, do arroz com feijão, que é trabalhar diariamente o branding (gestão da marca), o conceito da marca, se é o Time do Povo, etc. E o departamento comercial buscar lojas, parceiros, enfim, buscar receitas. E também tem um outro braço de receita que está parado que é o estádio, que não pode ter apenas a venda de ingressos. É preciso vender o dia a dia do estádio, eventos, recebendo pessoas...

O que pode falar sobre a transparência dos números do clube? O Sporting (POR), por exemplo, divulga os valores das vendas e compras de jogadores...

O mecanismo utilizado pelos clubes portugueses é um diferencial que temos de buscar ao longo dos anos. Qual é esse sistema? Eles estão na Bolsa de Valores. O Brasil ainda não está preparado para ver seus clubes na Bolsa, precisam de regras específicas de CVM (Comissão de Valores Mobiliários)... esse é um caminho inevitável. O clube continua existindo, cria um outro CNPJ, que ele pode ter 100% desse outro CNPJ, pode ter um parceiro, dois... mas sempre com o controle para evitar que chegue um estrangeiro e leve o clube. Há um controle de fiscalização por terem esse tipo de administração, fiscalização além dos órgãos internos dos clubes, que quase sempre têm um lado político, como Conselho Deliberativo, Conselho de Orientação, Conselho Fiscal, além da auditoria permanente. Mas quando entra no sistema de Bolsa de Valores, passa a ter um órgão fiscalizador externo. Aí, sim, teria esse tipo de informação detalhada. Inclusive os parceiros... isso é o nível máximo de transparência. Com isso, um presidente teria de cumprir. A sanção não seria apenas uma advertência aqui, ali... teria um processo grave, de consequências graves.

O clube vem apresentando déficit orçamentário. O que é possível fazer para encontrar o equilíbrio financeiro?

Temos de ter uma política agressiva de receitas, ter dinheiro em caixa para não depender de adiantamentos ou de terceiros. Num primeiro momento, quem assumir o clube precisará de dinheiro para resolver os problemas mais emergenciais. Será necessário, talvez, buscar dinheiro com contratos dentro do triênio e administrar o clube. Mas, ao longo desses dois, três anos de mandato, tentar fazer uma geração de caixa para que seja possível entregar numa situação financeira mais favorável.

Como minimizar os gastos com jogadores emprestados? O plano de governo da chapa fala num time B... seria isso?

Nos estudos que fizemos, o Corinthians tem média de 30, 40 entradas e saídas de atletas. Tem uma movimentação intensa. Pode fazer contratações que deram ou não certo, tem os que saíram da base, entre 16 e 20 anos... e o clube acaba emprestando para diversos clubes e jogando até contra o Corinthians. Identificamos que ter uma equipe B seria importante, não a equipe B de forma pejorativa que se fala por aí.

Uma equipe B que a gente possa ter um aproveitamento dos jogadores sob contrato, que possam disputar um campeonato competitivo, e colocá-los para jogar. Você, em determinado momento, poderá precisar de um jogador e buscaria na equipe B, que jogaria no mesma esquema tático. A equipe B estaria integrada à profissional. Poderia até jogar na Arena, por que não? Corinthians será um do que defenderá a ideia, mas seria interessante mais clubes fazerem o mesmo. Esse campeonato agora de aspirantes, que o Esporte Interativo está transmitindo, pode ser o embrião. O Osmar Loss, que passou pela base e Bragantino, poderia ter tido uma perna na equipe B. Além disso, hoje há mercados diferentes, como China, Índia, Oriente Médio... você pode negociá-los nesses mercados.

Ezabella quer uma equipe B com critérios para render dinheiro ao clube

Ezabella quer uma equipe B com critérios para render dinheiro ao clube

Meu Timão / Larissa Lima

Qual percentual mínimo você acha que o Corinthians deveria ter dos jogadores da base?

Temos de ter o máximo possível. Falar em 100% é fora da realidade, é não conhecer nada do que acontece no mundo do futebol. Se o jogador começar no clube, ainda antes do primeiro contrato, é possível que seus direitos econômicos sejam todos do clube. Agora, o clube não tem jogadores só formados em casa, tem o departamento de capacitação, os olheiros...exemplo: surge um jogador de 17 anos no interior, com dois caminhos a seguir pelo clube. Você compra o cara, mas aí tem de ter um dinheiro que hoje o clube não tem, ou você faz uma parceria com o clube que ele estava, deixado um percentual do jogador. Se o jogador explodir, todos os lados ganham. Negociação seria caso a caso. Há uma terceira possibilidade: você traz com um valor fixado pela parte dos direitos do outro clube. Depois, diante de uma chance de ser vendido, você exerce o direito e compra esse percentual, ficando depois com 100% dele. O Corinthians não pode ser vitrine de ninguém.

Qual sua opinião sobre a Omni?

Ela cresceu muito, ultrapassou. Quando eu cheguei no clube em 2007, a Omni estava lá, fazendo cadastros, cuidando das catracas, etc. Ela foi desenvolvendo e aumentando o relacionamento com o Corinthians, acabou entrando em setores que não eram dela, como estacionamento, teatro, etc. O sistema Omni, de ingressos, funciona. Eu sou Fiel Torcedor, você compra, você entra nos jogos, dá certo. Mas a grande questão da Omni é a parte comercial, isso que precisamos sentar e rever. Foram feitos quatro, cinco aditivos... é possível, sim, ter um novo aditivo e o clube ter mais influência no contrato. O pessoal fala em rescisão. Como eu posso falar nisso se não sei se tem multa? Se pode? Seria leviano da minha parte, ainda mais como advogado. Mas temos mesmo de sentar e conversar, porque muitos torcedores e associados querem isso. Se não puder melhorar, o contrato vai acabar em 2019. O próximo presidente resolverá isso.

Você acha possível ver o sócio-torcedor com direito a voto no clube?

É um tema que precisa ser debatido dentro do clube. Há cerca de cinco, seis anos, eu cheguei a propor uma emenda que colocava a possibilidade de o sócio-torcedor, após determinado período, com regra e critério, poderia eleger uma parte do Conselho. Seria uma espécie de porta de entrada para essa questão das eleições. Mas não deixaram nem abrir a discussão, morreu no nascedouro. Deveria, no mínimo, discutir. Talvez se chegue a conclusão que não é o ideal, talvez ao contrário. Mas precisamos discutir. Seria fundamental, ao menos, que o associado do clube também fosse sócio-torcedor, seria uma categoria que ajudaria a aumentar a quantidade de pessoas ligadas ao clube. O associado do clube teria direito a compra dos ingressos, além dos descontos que são oferecidos aos sócios-torcedores.

Em relação à Arena, como explorar melhor os espaços? O que pode ser feito?

Como frequentador de estádios e arena, penso o básico que todo mundo fala e o clube não conseguiu implementar: precisamos usá-lo nos 365 dias do ano, não apenas nos 40 dias que têm jogos. Estacionamento? Precisamos terminar e deixá-lo aberto o dia todo. Com mais fluxo de gente, a loja venderá mais. Poderíamos ter uma farmácia, uma escola, outro comércio... precisa ter uma operação diária, abrir os camarotes para eventos, precisa ter um fluxo maior de gente. O tour tem sido uma experiência legal, melhorou o movimento, mas ainda é pouco. Talvez, ter o museu lá. É possível, inclusive, atrair pessoas que não são corinthianos. Fazer mais shows, mais feiras... ainda não se conseguiu fazer isso. Na verdade, o prédio Oeste foi feito para isso (mais eventos). A Norte, a Sul e a Leste estão cumprindo bem seu papel, mas o Oeste ainda não conseguimos vendê-lo.

O que pensa sobre a dívida em si? Qual o plano para equacionar os valores a serem pagos?

O Conselho Deliberativo montou uma comissão, que apresentou conclusões que todos que frequentam o clube têm em mente: é preciso resolver os imbróglios com Odebrecht e Caixa Econômica Federal. O empréstimo do banco, como qualquer financiamento de carro ou apartamento, você senta e alonga a dívida se estiver com dificuldade para pagar. Os valores que envolvem a Odebrecht, alguns deles com juros elevados, com causa e consequência das obras que não foram feitas, é preciso ter uma mesão de negociação. Dura. Negociar com os CIDs, tirando os valores do estádio e deixando com a construtora. Precisamos fazer numa mesa que não é essa que está sendo feita, tem de ser na mesa do fórum arbitral, com mediadores que ajudem as partes a se entenderem. Que se resolva isso da forma mais rápida possível. Precisamos fazer um acordo para que a Odebrecht saia do negócio, o clube não pode permanecer com ela no estádio. Entendemos tudo que ela passa, entendemos que mudaram seus executivos, que ela continue com sua vida, mas nós do Corinthians não queremos mais se relacionar com a Odebrecht. Nós precisamos operar o estádio, tocar a vida sem a construtora. É preciso terminar com as obras com outra parceira, precisamos ter uma nova parceira para fazer a manutenção, que sabemos que é cara. Tem de ser uma negociação complexa, sabemos que existem muitos contratos e garantias, inclusive as matrículas do clube. Nos debruçar sobre isso é uma das metas mais urgentes.

Ainda há possibilidade do naming rights?

Penso que é possível, mesmo que o melhor momento tenha passado. Mas volto um pouco: isso foi vendido para o corinthiano de forma errada. Se falava que custaria R$ 20 milhões em 20 anos, o que daria R$ 400 milhões. Mas falaram isso sem um estudo de mercado, um estudo comercial. Pode vir um xeque, um bilionário, uma empresa chinesa e pagar, mas sabemos que estudos já mostraram que não existe esse valor de mercado. Com esse valor as empresas podem ter um retorno de mídia bem maior do que num naming rights de um estádio. Para se ter uma ideia, a Juventus na Itália tem seu estádio novo. Na véspera da final da Champions, o clube anunciou a venda do nome por 3 milhões de euros/ano (cerca de R$ 11 milhões), num acordo para cinco anos. Isso num mercado italiano, mais acostumado. Esquece Estados Unidos, é outra curva. Os estádios europeus não chegam a R$ 20 milhões em 20 anos. Pode ter? Pode. Mas não há estudo de mercado que justifique esse valor. Se conseguirmos valores menores e menos tempo, devemos fazer desde que seja uma empresa que possa honrar seu combinado. Aquele valor falado era o que fechava a conta do estádio, por isso se falou naqueles valores.

Sobre os ingressos, a política de preços está legal?

O preço da Norte a R$ 40 seria como um preço do cinema. O que falta, talvez por meio de um estudo, é que tenha mais ingressos a esse valor. A Sul já é mais, a Leste um pouco mais ainda. Se tivermos a chance de colocar mais gente pagando menos, seria interessante. Mas diminuir menos do que esses 40 reais eu penso que é difícil. É algo que não depende apenas do clube, precisa dos parceiros. Mas podemos pensar nisso, sim. É preciso estudar. Temos de ter a cultura de levar mais torcedores à Arena, seja num jogo sub-17, num sub-20, feminino...esse é o caminho. Pessoal de Itaquera passa na frente e não consegue entrar? Não pode isso. Dá para fazer um trabalho para atender a todas as demandas. Com mais gente, você movimenta bares, restaurantes, etc. É preciso oferecer a chance de todos terem a chance de conhecer o estádio.

O que pensa sobre a Fazendinha?

A curto prazo não se pode fazer muita coisa porque as matrículas ali estão presas à Arena. Mas daria para fazer um estudo, que não temos, de melhor aproveitamento da área. Além do estádio, há todo um espaço na parte de trás. Já se falaram em fazer tudo... posto de gasolina, prédios, etc. Demanda de um estudo, mas que precisaria passar por Cori, Conselho e até Assembleia Geral.

Por fim, um recado ao torcedor e ao associado do Corinthians...

O torcedor e o associado do clube podem esperar muito trabalho. Sou um cara novo, vou completar 40 anos em fevereiro, tenho experiência administrativa no clube por ter passado em outros departamentos, tenho experiência profissional na área esportiva, de gestão de entidades. Muito suor, que é o que a Fiel gosta. Vou me afastar do escritório para dedicar exclusivamente ao clube e ter a chance de implementar as principais ideias do plano de gestão. Em relação ao associado que irá votar, peço que conheça aos poucos mais sobre mim, por meio do site e das redes sociais, que critiquem e elogiem, e acreditem que é possível melhorar. A urna é um lugar que você deposita esperança, não deposita ódio nem raiva de ninguém. Que tenham esperança que o Movimento Corinthians Grande vai melhorar o clube, estamos aptos e confiantes que seremos eleitos.

Veja mais em: Eleições no Corinthians.

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