Aos 101 anos, Dualib faleceu nesta terça-feira em São Paulo

Aos 101 anos, Dualib faleceu nesta terça-feira em São Paulo

Foto: Arquivo pessoal

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Relembre polêmicas e conquistas dos 14 anos de Dualib na presidência do Corinthians

Faleceu na madrugada desta terça-feira o ex-presidente do Corinthians Alberto Dualib , aos 101 anos de idade. Em 14 anos de mandato, o cartola colecionou sucessos, fracassos, polêmicas e entrou para a história como uma das figuras mais ambíguas do clube.

Natural de Glicério, cidade do interior de São Paulo, na região de Araçatuba, Dualib já era empresário quando começou sua caminhada política no Corinthians, em 1960, ocupando um cargo diretivo. Em 93, assumiu o função principal do clube.

Logo no final daquele ano, o mandatário protagonizou um dos muitos casos emblemáticos que acumulou ao longo da carreira. Segundo ele, em entrevista ao UOL, tirou dinheiro do próprio bolso para comprar o passe de Marcelinho Carioca, fato que jamais foi comprovado.

Os gastos extravagantes deram resultado a curto prazo. O time também se sagrou campeão da Copa Bandeirante, em 1994, e do Campeonato Paulista e Copa do Brasil, em 1995.

Em 1997, Dualib deu início a uma prática que o acompanhou no restante de sua história no Timão, motivo de suas principais glórias e, posteriormente, seus grandes problemas: a parceria com grandes empresas que investiriam dinheiro no clube. A primeira delas durou um ano, de 97 a 98, com o Banco Excel, e teve a contratação do atacante Túlio Maravilha como principal feito e acabou com a conquista do Campeonato Brasileiro.

A segunda delas foi firmada com o fundo norte-americano Hicks Muse Tate & Furst (HMTF), em 1999. A empresa ajudou o presidente a montar o elenco campeão brasileiro em 1999 e mundial em 2000. A parceria foi rompida já em 2001, quando o grupo retirou seus investimentos do futebol brasileiro alegando insatisfação com o retorno financeiro.

A última e mais problemática parceria aconteceu de 2004 a 2007, com a MSI, um fundo de investimento sediado em Londres , representado no Brasil pelo empresário iraniano Kia Joorabchian, responsável pela contratação de grandes nomes como Tévez, Mascherano, Nilmar e Carlos Alberto. A parceria resultou na conquista do Brasileirão de 2005, que por si só foi rodeado de polêmicas e escândalos envolvendo a “máfia do apito”.

O desgaste da relação entre Dualib e Kia começou a se tornar público em 2006, com as investigações sobre a origem do dinheiro da MSI. A Polícia Federal passou a investigar a relação entre a empresa e o clube, acusados de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

Em 2007, o contrato que deveria durar dez anos foi rompido, Kia retornou a Londres e deixou o Corinthians de Dualib com uma dívida de 90 milhões de reais entre luvas, contratos e salários.

Protestos da torcida, o movimento "Fora Dualib" e uma enorme crise dentro de campo marcaram o último ano do mandatário no cargo central do Corinthians. Em setembro de 2007, ele não teve outra opção a não ser renunciar à presidência do clube após 14 anos e 14 títulos.

No ano seguinte, após ser investigado pelo Ministério Público, ex-presidente também teve seu nome retirado do quadro de sócios do clube. Após mais de uma década, em 2019, a medida virou tema de discussão entre alguns conselheiros, que a tentavam reverter desde o ano passado, cientes da frágil condição de saúde de Dualib.

Desde o início de julho, Dualib estava internado no Hospital Santa Catarina, em São Paulo. Ele era viúvo de sua esposa Elvira há oito anos e deixa três filhos vivos.

Veja mais em: História do Corinthians.

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