A era MSI

A era MSI
Kia Joorabchian foi a principal cara da MSI no Corinthians

Em agosto de 2004 foi firmado um contrato de parceria entre Corinthians e a MSI (Media Sports Investmentes), um fundo de investimento sediado em Londres, representado no Brasil pelo empresário iraniano Kia Joorabchian.

O contrato garantia à MSI o controle do departamento de futebol do Corinthians durante 10 anos, negociando contratos e, assim, podendo realizar lucro na venda de jogadores. Para o clube, a vantagem seria contar com um elenco de alto nível (trazido pela MSI) e com os benefícios prometidos pela empresa (como a construção de um estádio e a criação de um canal de TV por assinatura exclusivo) - realizações distantes na época para o clube.

No primeiro ano a MSI investiu cerca de 115 milhões de reais em contratações e trouxe ao Corinthians nomes como Tevez , Mascherano, Nilmar, Carlos Alberto, Roger e o técnico argentino Daniel Passarella (demitido depois de perder para o São Paulo no Pacaembu, na terceira rodada do Brasileirão). Esse investimento rendeu ao Corinthians o título de Campeão Brasileiro de 2005, apesar da polêmica e escândalos envolvendo a “máfia do apito”*.

Em 2006, a parceria começa a entrar em crise, com as investigações sobre a origem do dinheiro da MSI, os desentendimentos entre Kia e os dirigentes do Corinthians e a fatídica derrota na Libertadores para o River Plate, que revoltou a Fiel.

As investigações da Polícia Federal geraram uma série de acusações contra a MSI, Kia Joorabchian, Alberto Dualib e Nesi Curi (então presidente e vice-presidente do clube, respectivamente). Os crimes listados foram: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

Descobriu-se também o envolvimento do magnata russo Boris Berezoski como sendo a cabeça por trás do negócio. Boris é famoso por seu envolvimento com a máfia russa, o que reforça a idéia de que a MSI veio ao Corinthians com a forte intenção de tornar lícito o dinheiro de fontes obscuras: fala-se em movimentos da ordem de 61 milhões de dólares de origem desconhecida.

Após os escândalos, a MSI deixou sua sede no Brasil abandonada, e Kia e Boris voltaram para Londres sem punição. Deixaram o Corinthians com uma dívida de 90 milhões de reais entre luvas, contratos e salários, onde se destacam a dívida ao jogador Nilmar e ao técnico Passarella.

Em junho de 2007 o contrato foi, por fim, rompido. E a torcida corinthiana pressionou a saída da antiga administração, envolvida nos crimes cometidos pela MSI: os torcedores foram as ruas e protestaram pela queda de Alberto Dualib. A crise também se estendeu no futebol: em 2007 o Corinthians sofreu o pior revés de sua história: a queda para a série B do Brasileiro, fruto de um elenco mal formado e um time em dívida.

A partir de 2008, na série B, já sob o comando de Andrés Sanchez na presidência, o Corinthians começa a reestruturação para superar os problemas deixados pela parceria MSI e pela má administração dos anos anteriores, que já não buscavam o crescimento do clube e sim o lucro direto aos dirigentes.

*Embora os rivais, inconformados com mais um título do Corinthians, insistam em desclassificar a conquista, os eventos de manipulação dos jogos não tiveram nenhuma relação com a parceria MSI / Corinthians. As decisões “compradas” foram patrocinadas por sites de apostas e nos jogos manipulados apitados por Edílson Pereira, o Corinthians havia sido prejudicado: uma derrota de 4 a 2 para o Santos e outra derrota para o São Paulo, pelo placar de 3 a 2. Os jogos foram remarcados por decisão unânime dos clubes, e o Corinthians, em melhor fase (e sem a manipulação da arbitragem) conquistou um empate e uma vitória, ultrapassando em número de pontos o Internacional, e levando o título.

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