A invasão Corinthiana no Maracanã

A invasão Corinthiana no Maracanã
Maracanã lotado com bandeiras e torcedores do Corinthians
Foto: Reprodução/Corinthians

Em 5 de dezembro de 1976, o maior e mais surpreendente evento da história do futebol brasileiro (e talvez do mundo) aconteceu em pleno Maracanã: mais de 70 mil torcedores corinthianos saíram de São Paulo e lotaram as arquibancadas do estádio para apoiar o Corinthians no jogo único da semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano.

Embora esta não tenha sido a primeira invasão promovida pela torcida alvinegra, com certeza foi e, ainda é, a mais inacreditável. A afinidade da Fiel com invasões começou 45 anos antes, quando milhares de torcedores foram até a Vila Belmiro para assistir ao clássico com o Santos, que aconteceu no dia 4 de janeiro de 1931, valendo o Campeonato Paulista.

Já em 1976, o Corinthians vinha de 22 anos de jejum de títulos e tinha a chance de chegar à final caso vencesse o Fluminense, clube favorito à vaga. O clima era de decisão: jogo pegado, chuva no gramado e o estádio completamente dividido entre as duas torcidas.

Como tudo começou

Para promover a partida, houve um esforço coletivo entre os dois cartolas: Francisco Horta, então presidente do Fluminense, em acordo com Vicente Matheus, trouxe para São Paulo os 70 mil ingressos, pagos antecipadamente pelo Corinthians.

No entanto, o presidente do adversário cometeu um erro: acreditou que tantos ingressos jamais fossem usados, e provocou a nação corinthiana com sua declaração: “Que os vivos saiam de casa e os mortos saiam das tumbas para torcer pelo Corinthians no Maracanã, porque o Fluminense vai ganhar a partida”.

Ônibus indo para o estádio

A surpreendente invasão

A Fiel saiu com suas bandeiras, camisas e o grito de apoio. Com a vontade de suar pelo time nas arquibancadas, de ser o 12º jogador, de estar lá, para o Corinthians. Queimando a língua de quem não acreditou, a torcida promoveu o maior deslocamento humano em tempos de paz da história. No Japão, em 2012, outro recorde ainda seria batido: agora, os alvinegros também são responsáveis pelo maior deslocamento humano intercontinental.

O resultado disso foi a invasão em massa da Fiel, que apoiou durante os 90 minutos, e fez um Corinthians fortalecido em campo e que levou o jogo para uma decisão por pênaltis, deixando o time mais perto do fim do tabu.

Os números impressionam: oficialmente, só da torcida organizada Gaviões da Fiel saíram 300 ônibus de São Paulo. Em dados não oficiais, fala-se em cerca de mil ônibus corinthianos lotando a Via Dutra, que exigiu do Detran uma operação inédita para permitir o fluxo na rodovia, chamada “Operação Corinthians”, quando houve recorde de tráfego.

Embora o espetáculo, a chuva, a garra dos jogadores em campo fossem por si só memoráveis para a história do clube, naquele dia, o Corinthians era mais. Foram 12 em campo com uma torcida incrível e apaixonada, que jogou com o time cada segundo da partida. Naquele dia, a Fiel estava lá, mais forte do nunca, não mais como coadjuvante, mas como protagonista de uma das histórias mais bonitas do time do povo.

Revista da época

Como foi a partida

Dentro de campo, o Fluminense abriu o placar com Carlos Alberto Pintinho e ia se classificando para a final através do duelo único. Porém, o Corinthians conseguiu empatar aos 30 minutos do primeiro tempo. Em cobrança de escanteio de Vaguinho, Geraldão cabeceou sem direção, mas Ruço estava ligado no lance e aplicou uma meia bicicleta para fazer um golaço.

No segundo tempo, pouco futebol foi apresentado. Uma tempestade atingiu o Maracanã e deixou o gramado com poucas condições para a bola rolar. Contudo, o juiz Saul Mendes não quis interromper o confronto, que prosseguiu até o seu fim. Assim, a decisão foi para os pênaltis e o goleiro Tobias fez a sua parte.

Neca, Ruço, Moisés e Zé Maria balançaram as redes. Enquanto isso, Rodrigues Neto e Carlos Alberto Torres tiveram suas penalidades defendidas pelo goleiro alvinegro. Dessa forma, o Timão se classificou para a grande final, onde enfrentou o Internacional.

Campo molhado no Maracanã durante Invasão Corinthiana

A decisão final

Para as finais, o Internacional, com medo de uma segunda invasão não disponibilizou ingressos para o Corinthians, e as estradas foram bloqueadas pela polícia gaúcha. O jogo terminou com uma vitória de 2 a 0 para o rival e deixou o sonho do fim do jejum para o ano seguinte, quando o Corinthians iria conquistar o Paulista e acabar, enfim, com o tabu.

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