O clássico Corinthians e Palmeiras

O clássico Corinthians e Palmeiras
O osso que nunca cozinhou é guardado até hoje no Memorial do Corinthians

O clássico entre Corinthians e Palmeiras possui episódios que jamais serão esquecidos na história do esporte. As alegrias e tristezas completam as estrofes e parágrafos, tanto das memórias do clube alvinegro, como dos adversários. A rivalidade é intensa e ultrapassa até mesmo as barreiras do futebol, virando até tema de livro, devido ao engajamento político das torcidas no período de pós-guerra mundial e ditadura varguista no Brasil.

Há mais de um século, Corinthians e Palmeiras entram em campo para provocar o brilho no sorriso ou o derramar de lágrimas do torcedor. O Dérbi, cujo nome foi atribuído pelo jornalista Thomaz Mazzoni, da Gazeta Esportiva, na década de 40, ganhou o apelido porque a palavra significa um grande evento esportivo realizado entre equipes vizinhas. Sempre que os dois times da mesma cidade se encontravam, era difícil apontar um vencedor.

Primórdios do clássico

A primeira partida foi no dia 6 de maio de 1917, quando o Palmeiras, ainda chamado de Palestra Itália, ganhou o jogo com um placar elástico de 3 a 0. Todos os gols do duelo, válido pelo primeiro turno do Campeonato Paulista, foram marcados por Caetano. O palco da disputa foi o Estádio Parque Antarctica. A escalação do capitão Amílcar Barbuy, numa época em que não existiam técnicos, tinha Russo, Adelino, Casemiro González, Ciasca, Plínio, César Nunes, Américo, Marconi, Amílcar, Apparício e Neco.

O Corinthians só conseguiu uma vitória em cima do Palmeiras em 3 de maio de 1919, quando venceu por 3 a 2. No Estádio da Floresta, os tentos alvinegros foram de Américo, Garcia e Roverso. Naquele dia, as equipes disputaram o primeiro jogo da Taça Pinoni. O capitão Nando, que substituiu Amílcar Barbuy a serviço da Seleção Brasileira, escalou Medaglia, Nando, César Nunes, Gano, Bororó, Roverso, Américo, Alberto, Garcia, Rogério e Dante.

Início da história entre Corinthians e Palmeiras

Goleadas e jogadores importantes

Algumas goleadas marcaram o clássico. A primeira foi aplicada pelo Timão no dia 8 de julho de 1923. Na ocasião, Rodrigues, Tatu, Neco e Peres balançaram as redes pelo lado corinthiano. O placar final foi de 4 a 1 no Estádio da Floresta. Depois de seis anos, no dia 1º de dezembro de 1929, mais um chocolate aconteceu. O Corinthians voltou a vencer pelo mesmo placar e, ainda, faturou o Campeonato Paulista em cima do rival. Aquele foi o sétimo estadual da história alvinegra. Os gols foram de Filó, De Maria, duas vezes, e Gambinha.

No entanto, veio uma goleada amarga para a Fiel no ano seguinte. No dia 24 de agosto de 1930, o Palmeiras venceu por 4 a 0 no Campeonato Paulista. O duelo foi no Estádio Parque Antarctica. A maior diferença de tentos da história do Dérbi também foi cometida pelo rival da Barra Funda. No dia 5 de novembro de 1933, o Palmeiras venceu o Timão por 8 a 0. 

Do lado corinthiano, as maiores goleadas registradas foram em 1952 e 1982. Nas duas vezes, o time do Parque São Jorge derrotou o arquirrival por 5 a 1. Na primeira, Carbone marcou três gols. Além dele, Luizinho e Cláudio completaram. O confronto ocorreu no estádio do Pacaembu, em partida válida pela Taça Cidade de São Paulo. Já a segunda, teve tentos de Biro-Biro, Sócrates e Casagrande, que anotou um hat-trick. Dessa vez, a disputa foi no estádio do Morumbi, pelo primeiro turno do Campeonato Paulista.

Os maiores artilheiros do Dérbi pertencem ao Corinthians. Cláudio lidera com 21 gols, seguido por Baltazar com 20 e Luizinho com 19. Do outro lado, Heitor foi o que mais balançou as redes e tem 17 tentos anotados. O jogador que mais esteve em campo no clássico foi Ademir da Guia com 59 participações. O atleta corinthiano com mais confrontos no currículo foi Cláudio. Ao todo, ele atuou em 51 ocasiões. Oswaldo Brandão foi o técnico com mais jogos por ambos os lados. Foram 36 Dérbis pelo Palmeiras e 30 pelo Timão.

Cláudio é o maior artilheiro do clássico entre Corinthians e Palmeiras

Provocação recíproca

A “Canja do Porco” é mais um conto que faz do clássico um evento único no futebol. Em 1918, torcedores do Palmeiras compraram um osso e atiraram na vidraça de uma pensão da Rua Boa Vista, onde a delegação alvinegra almoçava. No objeto, estava a seguinte frase: “O Corinthians é canja para o Palestra”. O fato aconteceu horas antes de um jogo pelo Campeonato Paulista. Naquele dia, o Timão conseguiu um empate heroico por 3 a 3.

Em resposta à soberba do rival, o osso foi guardado na galeria de troféus do Corinthians, que completou a frase: “Esse osso era para a canja. Mas não cozinhou por ser duro demais”.

Osso no Memorial do Corinthians

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