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Presidente da Gaviões celebra expulsões de ex-mandatários e cobra transparência de Stabile

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Por Victor Bhering e Rafael Jacobucci

Ale celebrou o momento vivido pela política corinthiana e fez questão de destacar a atuação do Ministério Público nas investigações que envolvem ex-dirigentes do clube

Ale celebrou o momento vivido pela política corinthiana e fez questão de destacar a atuação do Ministério Público nas investigações que envolvem ex-dirigentes do clube

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Na noite desta segunda-feira, o Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou a expulsão do ex-presidente Augusto Melo do quadro associativo do clube. Após a divulgação do resultado, torcedores se reuniram do lado de fora do Parque São Jorge para comemorar a decisão, em um ato liderado por integrantes de torcidas organizadas.

Entre os presentes estava Alexandre Domênico, o Ale, presidente da Gaviões da Fiel. O dirigente celebrou o momento vivido pela política corinthiana, marcado também pela expulsão de Andrés Sanchez e pela renúncia de Duilio Monteiro Alves do quadro associativo do clube nos últimos dias.

"Deveria ser oficializada a 'Semana do Corinthiano', que marcou o início de uma limpeza moral dentro do Parque São Jorge. Essa é uma vitória de toda a torcida. A partir do momento que o corinthiano começou a se politizar mais sobre a política interna do clube, isso passou a incomodar, e os mecanismos internos começaram a ser destruídos. Ainda há muita coisa a ser feita. Hoje é um dia de alívio e de felicidade. A torcida depositou uma confiança muito grande nesses três ex-presidentes, mas infelizmente eles seguiram um caminho errado, e a Fiel, junto com o sistema interno, conseguiu derrubá-los", iniciou em entrevista coletiva no Parque São Jorge.

Ale também fez questão de destacar a atuação do Ministério Público de São Paulo nas investigações que envolvem ex-dirigentes do Corinthians. Atualmente, Andrés é investigado pelos crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário, enquanto Duilio responde judicialmente por questões ligadas ao uso do cartão corporativo durante sua gestão. Já Augusto Melo foi denunciado no caso VaideBet.

"Devemos muito à promotoria do Ministério Público, que descobriu o uso de cartões corporativos e outras falcatruas no Parque São Jorge. Agora, nosso foco principal é continuar acompanhando o Corinthians onde ele estiver, mas também ficar de olhos bem atentos a Osmar Stabile. Focamos muito nas expulsões dos três ex-presidenciáveis, mas restam dúvidas que queremos esclarecer com a atual gestão; isso não vai passar batido", afirmou.

Outro tema abordado pelo presidente da Gaviões foi a Assembleia Geral de Sócios marcada para o próximo dia 20 de junho, que discutirá mudanças no estatuto do clube. Entre os assuntos em debate está a ampliação da participação dos torcedores nos processos eleitorais do Corinthians.

"No próximo dia 20 haverá a reforma do estatuto. É fundamental o sócio entender que o corinthiano 'do portão para fora' quer participar deste momento democrático e escolher o presidente, tendo o direito de acertar e errar. Não queremos inchar o clube, não queremos acesso à piscina, bocha ou peteca; queremos apenas, minimamente, o direito de votar. Esperamos que olhem para esse projeto com clareza", declarou.

Questionado sobre o legado de Augusto Melo e se o ex-presidente teria causado mais danos ao clube do que Andrés Sanchez, Ale preferiu não estabelecer comparações, mas destacou a frustração da torcida organizada com a gestão encerrada recentemente.

"Não sei se ele é pior ou igual ao Andrés Sanchez, tanto para os Gaviões quanto para o corinthiano em geral, porque ele enganou a Fiel. Nós o apoiamos oficialmente porque não havia como apoiar a continuidade do grupo que estava no poder, e ele fez o que fez. Ele prometeu na nossa cara que tudo seria diferente. Pelas promessas diárias que fazia quando vínhamos aqui, parecia que estávamos saindo do Real Madrid. Por isso, ver a saída dele tem um gosto especial pela quebra de confiança", disse.

Apesar de celebrar a nova fase política do Corinthians, o dirigente ressaltou que a crise administrativa continua. Ele exigiu respostas da gestão de Osmar Stabile, marcada por recorrentes polêmicas centralizadas nas decisões do mandatário.

"O corinthiano está aliviado, mas sabemos que os problemas internos continuam e que estamos sob transfer ban. Stabile precisa encontrar uma maneira de começar a quitar essas dívidas para o clube minimamente respirar. A cobrança agora é em cima dele, que nos deve satisfações", comentou.

Em seguida, Ale cobrou mais transparência e criticou o distanciamento entre a diretoria e os torcedores. O dirigente exigiu explicações sobre problemas administrativos, como o caso da empresa de segurança irregular aberta em nome do então gerente operacional Fernando José da Silva, e financeiros, como o transfer ban da Fifa decorrente da dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação de José Martínez.

"Achei que ele começaria a se defender. É o mal de todo presidente não dar satisfação à Fiel Torcida. Ele sobe ao quinto andar para se explicar para cinco ou seis pessoas, sendo que existem 35 milhões de corinthianos que se politizaram e querem saber o que está acontecendo. Questões como contratos de empresa e segurança estão no nosso radar. Ele precisa explicar como pagará esse monte de transfer ban e detalhar a compra excessiva de celulares. Com a limpeza moral dos três ex-presidentes concluída, o foco total agora está em Stabile", acrescentou.

Intervenção judicial e a Gaviões

Durante a coletiva, o presidente da Gaviões também falou sobre os pedidos de intervenção judicial na administração do clube. Segundo ele, a torcida buscou informações jurídicas antes de definir qualquer posicionamento oficial sobre o tema.

"Tivemos uma reunião importante com os mentores do pedido de intervenção judicial. Ouvimos muito que os Gaviões deveriam apoiar oficialmente tudo o que é postado sobre o tema, então fomos tirar essa dúvida: o que mudaria com o apoio oficial da torcida? A resposta deles foi clara: neste momento, não muda absolutamente nada. A Justiça não aceita pressão externa; ela aceita as leis", explicou.

Ale afirmou ainda que a torcida mantém discussões internas sobre alternativas de governança para o Corinthians, mas ressaltou que não existe, neste momento, um posicionamento institucional favorável à intervenção judicial ou a outros modelos de gestão.

"Temos nossas opiniões internas na torcida, ninguém é bobo e muita gente não acredita mais no atual modelo de governança, mas oficialmente ainda não podemos nos manifestar sobre a intervenção ou sobre a SAFiel. O corinthiano precisa entender que não basta a torcida apoiar para a intervenção acontecer no dia seguinte. Não é assim que funciona", pontuou.

Em tom mais crítico, o dirigente demonstrou descrença na atual estrutura política do Parque São Jorge e defendeu a chegada de pessoas mais preparadas para conduzir o clube.

"Como entidade, temos que tomar muito cuidado com posicionamentos oficiais, mas, expressando uma opinião pessoal como corinthiano, eu não acredito em quase ninguém dentro do Parque São Jorge. Não acredito mais nesse modelo de governança por várias questões. Acabamos de expulsar três ex-presidentes e continuamos com problemas acumulados. Será que não existe ninguém honesto para entrar lá e pensar minimamente no Corinthians, e não em benefício próprio? Eles mesmos estão destruindo a credibilidade perante o torcedor. Precisa entrar alguém competente", disse.

Por fim, Ale comentou a eleição presidencial do Corinthians, marcada para outubro, e garantiu que a torcida organizada adotará uma postura mais cautelosa na análise dos futuros candidatos ao cargo.

"O Augusto Melo nos apoiou e nos decepcionou demais. Por isso, teremos muita cautela. Faremos, sim, uma sabatina com os candidatos para exigir propostas contundentes e reais. O corinthiano está cansado de ser enganado e não temos mais margem para erro. Se errar de novo, o Corinthians acaba — só não acabou ainda por causa da Fiel Torcida. Vamos sabatinar para entender os projetos, mas, de forma oficial e pessoal, eu não apoio mais ninguém", finalizou.

Veja mais em: Torcidas organizadas, Augusto Melo, Presidentes do Corinthians e Conselho do Corinthians.

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