Marvio dos Anjos: Quando a torcida a mais incomoda

Marvio dos Anjos: Quando a torcida a mais incomoda

Por Meu Timão

O blogueiro Márvio do Anjos escreveu um texto que explica porque todos os times gostariam de ser o Corinthians. O original, publicado no Globo Esporte, gerou polêmica porque falou o que todo mundo sabe: o Timão incomoda porque qualquer time é menor que nós.

Leia o texto na íntegra:

Há duas semanas, caminho pela cidade de São Paulo em busca de sentimentos mesquinhos. Sim, porque o futebol não é feito só de virtudes e amor sincero. Só quem seca sabe.

Pergunto a são-paulinos e palmeirenses sobre a semifinal da Libertadores – essa que aí está, entre Santos e Corinthians. “Vai torcer contra quem?”, instigo cada um deles – homens e mulheres. Uns antes de responder salivam, como se fosse possível devorar aquele que querem ver na lona. Invariavelmente, respondem-me: “Corinthians, lógico”.

Vou ao meu são-paulino de referência, o Alexandre. Criado à base de iogurte e leite longa vida, seus olhos brilham quando pergunto a ele quem deve perder o duelo. Ele me responde que, por ele, o Santos poderia ser decacampeão da Libertadores. “Eles não me enchem o saco. O problema é o Corinthians”, sublinha. Palmeirenses vão pelo mesmo caminho, e já ouvi até flamenguistas do outro lado da Dutra dizerem o mesmo.

O tetra hipotético do Santos pouco pesa na escolha. O Clube dos Campeões Continentais não quer se abrir ao colega do Parque São Jorge e a sua maioria oprimida, seus milhões de maloqueiros e sofredores de todas as classes e alíquotas do Imposto de Renda. Autossuficientes, confortáveis em seu número, dão de ombros para esse menosprezo e sonham com a Canaã prometida de Itaquera, em que poderão destilar lealdade, humildade e procedimento.

Sem conseguir achar alguém que estivesse secando o Santos, termino por esbarrar com um amigo santista, calmo e sorridente como a maioria deles – e, por isso, convém não revelar sua identidade, diante do que o vi afirmar. Comento “a solidariedade incidental” dos que os apoiam na semifinal, e ele me confessa desejos intestinos.

“Eu detesto isso. Detesto ser ‘o segundo time’ dos outros torcedores, detesto quando o presidente diz que vai ter outras torcidas apoiando o Santos. Não gosto disso”.

E insistia: “Sério, eu queria ser odiado”.

Dizia isso com os olhares fixos no horizonte, mirando a imagem que projetava para si sem alcançá-la. Não lhe bastavam Pelé, Coutinho, Elano, Robinho e Neymar, três Libertadores, dois Mundiais e um vice de honra, obtido diante do maior Barcelona de todos os tempos. Queria ser secado; em vez disso, ganhava mimos, tapinhas nas costas e palavras de incentivo. Sabia que, no fundo, isso era a indiferença, que são-paulinos e palmeirenses não conseguem sentir pelo Corinthians.

No momento em que seu manto vestiu Pelé, o clube da Vila Belmiro parece ter ganho salvo-conduto em todas as casas e lares. Era o time que se via nos anos 50 e 60 por puro prazer, sem que o espectador se aferrasse à bandeira ou tivesse que debater se o mascote é um peixe ou uma baleia. Interessava seu futebol bem jogado, artístico, que pertencia a todo Brasil. Assim aprendemos o Santos e, para muitos, ele poderá ser o necessário vingador das próximas quartas-feiras.

Dois times condenados ao amor das diferentes maiorias de SP se enfrentam amanhã. Um, o visitante que não conhece o apoio dos rivais; o outro, o dono da casa, pelo qual sempre é possível torcer como último recurso.

Ou até que as semifinais acabem, sem deixar escolhas.

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