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1 em 30 milhões: torcedor-borboleta tem Corinthians como casulo. E agora voa rumo à Arena

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João Pedro é o torcedor do Corinthians que vale a pena você conhecer hoje

João Pedro é o torcedor do Corinthians que vale a pena você conhecer hoje

Arquivo pessoal

Muitos torcedores do Corinthians foram dormir na noite da última segunda-feira insatisfeitos com o futebol apresentado pela equipe na derrota seguida de vitória nos pênaltis diante do Santos, com medo até de sonhar com a tal retranca de Carille. Não foi o caso de João Pedro Costa dos Santos, autor da talvez mais emocionante das 30 milhões de comemorações Brasil e mundo afora nos instantes que se seguiram à bola de Victor Ferraz explodindo na trave.

"Quando chegou aqui em casa depois do jogo, vi o rostinho dele... Isso é muito comum acontecer, ele fica muito empolgado com o Corinthians", relata a mãe, Marinês de Costa, ao Meu Timão, se lembrando de quando ainda não sabia que um vídeo da comemoração de seu filho começava a rodar a internet impactando incontáveis torcedores alvinegros.

João Pedro não só se emocionou como fez emocionar. O vídeo gravado pelo amigo e vizinho com quem assistiu ao clássico na cidade de Bauru, no interior paulista, viralizou nas redes sociais nos últimos dias com as imagens do corinthiano chorando de felicidade, sentado em sua cadeira de rodas, com os bracinhos enfaixados por curativos limpando as lágrimas inerentes a um genuíno torcedor - veja abaixo.

"Tentava me controlar, mas não deu. Fiquei muito nervoso porque era só empatar e nós já estaríamos classificados. Mas o Santos vai lá e faz gol com 40 minutos do segundo tempo e leva o jogo para os pênaltis. Aí, meu amigo... Quase morri!", conta João (ouça essa e outras falas do torcedor no vídeo mais abaixo nesta reportagem).

O Meu Timão agora convida você leitor a conhecer a história de João Pedro, a importância do Corinthians na vida deste jovem torcedor e o sonho que ele realizará no próximo dia 21.

Criança-borboleta

João Pedro nasceu com uma doença rara: epidermólise bolhosa distrófica. O organismo dele não fabrica colágeno, então os ossos, as cartilagens, os ligamentos, os tendões e principalmente a pele são muito sensíveis. As crianças que nascem assim são conhecidas como crianças-borboletas, pois têm a pele tão frágil como as asas de uma borboleta. Basta qualquer atrito, por mais leve que seja, para surgirem bolhas, machucados e ferimentos. "A pele fica com aparência de uma pessoa queimada", ilustra Marinês.

Essas bolhas são de água e sangue. São exemplos de como pessoas com essa doença vão perdendo ininterruptamente nutrientes interna e externamente. A maioria delas, assim, tem desenvolvimento comprometido. "Hoje o João Pedro pesa 19 kg com 14 anos de idade, aparenta oito, no máximo nove anos", pontua a mãe. "A doença foi deformando o corpo dele, principalmente os pés e as mãos", acrescenta.

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Os cuidados com João Pedro são inúmeros. Tomar sol ou ficar em ambientes quentes dói. Ingerir alimentos sólidos dói – já passou por duas cirurgias de dilatação no esôfago. Há necessidade de troca diária de curativos por conta das diversas lesões. "É o momento mais difícil para nós, demora mais ou menos duas horas e meia, então o banho dele demora umas três horas para que eu consiga fazer a troca de curativos e ele sofra o menos possível."

Marinês não tem ajuda fixa. Nem mesmo com a Loas (Lei Orgânica de Assistência Social) ela pode contar. "É um benefício dado para pessoas deficientes, mas não conseguimos pois segundo a lei esse benefício só é concedido para famílias cuja renda per capita é um quarto de salário mínimo. Então se eu, que moro só com o João, trabalhar e ganhar R$ 600 por mês, já perco o direito a ter essa ajuda, esse benefício do Governo."

Michelle Bolsonaro, esposa do presidente Jair Bolsonaro, durante visita recente a pessoas com a mesma doença de João Pedro

Michelle Bolsonaro, esposa do presidente Jair Bolsonaro, durante visita recente a pessoas com a mesma doença de João Pedro, cuja mãe reclama da falta de ajuda do Governo

Divulgação

O que Marinês consegue, aos trancos e barrancos, é pegar remédios e curativos na chamada Farmácia de Ação Judicial, em que ações judiciais resultam na obrigação do Governo em fornecer kit com anti-inflamatórios, cicatrizantes e anestésicos. "Não são produtos comuns que encontramos numa farmácia, num posto de saúde. Mas dificilmente se cumpre por dois, três meses seguidos, daí temos que entrar com novas ações. Se eu fosse comprar essa medicação, sem condições, ficaria em torno de R$ 20 mil por mês", relata.

'Vivo por ti, Corinthians'

A rotina de João Pedro é a mais normal possível dentro de suas limitações. Ele frequenta escola, por exemplo, onde é "querido por amigos e não se vê com essa deficiência, embora haja os cuidados com atritos", conta Marinês. Algo que ele amaria colocar como parte da rotina e não consegue, porém, é a prática do futebol, limitada a vezes em que a professora de educação física o deixa brincar na cadeira de rodas com as outras crianças. "Mas tudo com muito cuidado, porque um esbarrãozinho já tira um pedaço enorme de pele", lembra a mãe.

João Pedro Torcedor

Arquivo pessoal

O Corinthians, nesse sentido, tem participação fundamental na vida de João Pedro. O amor que ele tem pelo futebol é transcendido para o Timão. "E desde sempre. Desde que o João entendeu o que é futebol... Com dois aninhos, já era 'Vai, Corinthians!'. Se tem uma frase que define o perfil do João é essa: 'Vivo por ti, Corinthians!' É a cara dele essa", resume Marinês.

Os momentos mais impactantes da vida de João Pedro foram, são e serão ligados ao Corinthians. No momento presente, trata-se da repercussão de seu vídeo. No futuro (nada distante), uma visita à Arena Corinthians (veja abaixo). No passado, lembra com carinho do dia em que o Timão goleou o São Paulo por 6 a 1 e levantou o troféu do hexabrasileiro.

"Nesse domingo do jogo, em 2015, nós fomos para a casa da minha avó. E o carro quebrou no caminho. Já estava dando o horário do jogo e nada de a gente conseguir fazer o carro funcionar. E eu acelerando minha mãe. Quando cheguei lá, já estava 4 a 0, rapaz. Foi coisa de louco! Quando vi, mais dois golaços. Aí quase infartei! E lembro aquele pênalti que o Cássio pegou. Aí eu morri!", relata, da forma mais leve e graciosa possível (ouça abaixo).

A realização de um sonho

"Na segunda-feira, quando cheguei em casa, o João Pedro me pediu pra assistir ao jogo na casa de um amigo porque seria só em canal fechado. Ele pediu pra eu trocar os curativos logo porque o jogo começaria 20h. Foi pra casa do vizinho, do amigo. Depois de duas horas, não voltou. Liguei pra ele. Foi na hora dos pênaltis. Aí vi que ele estava todo empolgado, gritando, chorando. 'Não, não! Já estou indo!'", recorda Marinês.

Mal sabia o jovem torcedor, mas ali naquela noite de segunda-feira, enquanto para muitos corinthianos era o sonho do tricampeonato paulista que parecia se consolidar, começava para João Pedro a realização de um outro sonho. Sonho que num primeiro momento, quem diria, se apresentou como motivo de preocupação...

"Vimos depois que o amigo tinha filmado e postado nas redes sociais. 'Puxa vida, me colocou chorando, meus amigos da escola vão ver', ele falou. Quando começou a ver a proporção que aquilo tomou... Aí ficou muito feliz. Agradeceu ao amigo, à família, a todos", conta a mãe.

João Pedro Torcedor 2

Arquivo pessoal

Em meio à repercussão de sua comemoração, João Pedro foi contatado pelo Corinthians e recebeu convite para assistir in loco à finalíssima do Campeonato Paulista, no próximo dia 21. O torcedor terá oportunidade de conhecer a Arena, falar com seus ídolos e, de quebra, torcer pelo Timão ali das arquibancadas num clássico histórico contra o São Paulo.

"Sempre sonhei com esse dia. Agora que estou vendo que está mais perto de se tornar realidade, dá um certo frio na barriga. Não estou nem conseguindo dormir direito. Acredito muito que nossa vida seja feita de sonhos. E meu sonho é conhecer a Arena Corinthians. E esse sonho está próximo da realidade, então vou sonhar um pouco mais alto: agora meu sonho é chegar lá e poder conhecer o pessoal do Corinthians, mais especialmente o Avelar, o Cássio e o Gustavo", argumenta como gente grande, do alto de seus 14 anos.

João Pedro é exemplo perfeito de quem vive pelo Corinthians, do amor puro pelo clube de coração representado naqueles instantes de comemoração incondicional com a qual se espera, em essência, de um torcedor. Futebol pobre? Perda de invencibilidade? Dores crônicas? Dificuldade de andar? Cuidados em tempo integral? Nada disso importava.

João Pedro sabe, como poucos, dar valor às coisas. E, seja na comemoração de segunda-feira passada ou seja na visita à Arena da semana que vem, ao menos ali nesses momentos só uma coisa vale a pena: o Corinthians de João Pedro.

Veja mais em: 1 em 30 milhões, Torcida do Corinthians, Arena Corinthians, Campeonato Paulista, Majestoso e Especiais do Meu Timão.

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