Como amor de Leandrinho pelo Timão chegou a espaço para autistas na Arena Corinthians

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Leandrinho viveu noite especial na Arena Corinthians no último domingo

Leandrinho viveu noite especial na Arena Corinthians no último domingo

Arquivo pessoal

A história de amor entre Leandrinho e Corinthians começou ainda antes de Joyce dar à luz. A relação do torcedor mirim com o Timão já era nutrida nos tempos em que a iminente mamãe frequentava a Arena, no meio das torcidas organizadas, acompanhada pelo marido, Leandro, enquanto os dois viviam expectativa de oito meses e meio para se tornarem pais.

Nos pouco mais de seis anos que se passaram desde então, muita coisa mudou na vida dos três corinthianos citados acima. Leandrinho deixou a barriga da mãe, Joyce e Leandro enfim se tornaram pais e, aos cinco anos de idade, a criança foi diagnosticada com transtorno do espectro autista. O que segue igual na família é o gosto por frequentar o estádio do Timão.

Se bem que esse último também foi modificado, é justo pontuar. E para melhor. Há pouco tempo. Mais precisamente no domingo passado. O Meu Timão conta agora essa história.

"O Leandrinho é corinthiano desde que estava na minha barriga. Eu ia bem barriguda, no meio da Gaviões (da Fiel), com oito meses e meio. Ele pulava, fica todo ouriçado dentro da barriga em dia de jogo. E continua exatamente assim", diz Joyce, a mãe.

"É uma magia ir para o estádio do Corinthians, né?"

Joyce Favaro, hoje com 34 anos, e Leandro Favaro, 27, ganharam nesta década um parceiro de arquibancada. Em 2013 nascia o filho deles, que carregaria consigo não apenas o mesmo nome do pai mas também o encanto do casal pelo Corinthians.

"Saiu de casa super animado, todo trajado de Corinthians, da cabeça aos pés, super animado para assistir ao jogo", conta Joyce, em entrevista ao Meu Timão, se referindo à partida entre Corinthians e Internacional, disputada no último domingo.

Como diz a mãe, Leandrinho "ficou encantado" no caminho de metrô até Itaquera. Encantado principalmente com os sons e as imagens únicas proporcionadas por um pré-jogo de futebol. Os torcedores se amontoando em massas alvinegras cada vez maiores em estações e vagões, cânticos, barulhos de instrumentos musicais, assobios, faixas, bandeiras...

"É uma magia ir para o estádio do Corinthians, né?", indaga Joyce. "Arrepia, emociona. Com ele (Leandrinho) não foi diferente. Ele estava super animado até subir na arquibancada e começar a encher", completa, já se referindo à presença da família na Arena.

Por conta do transtorno do espectro autista, também conhecido pela sigla TEA, Leandrinho tem particularidades comuns a mais de dois milhões de brasileiros, segundo estimativa do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, em inglês), que aponta um caso de autismo a cada 110 pessoas no mundo.

Leia também: Corinthians e Cássio se tornam peça-chave para tratamento de autismo de torcedor

Uma dessas particularidades é a hipersensibilidade a ruídos sonoros – inerentes a multidões. "Quando enche de um lado, do outro, na frente, atrás, você fica apertado. Também sinto essa claustrofobia de falar 'se precisar sair, não consigo'. Mas ele continuou lá, tiramos fotos, estava super feliz com a narração da escalação. Mesmo o som alto não era o problema. Ele estava muito eufórico. Interessado nos detalhes", recorda Joyce.

"Só que quando o Corinthians entrou para fazer o aquecimento e as pessoas começaram a gritar, ele olhou para a minha cara e falou 'quero ir embora'. É a primeira reação dele quando está num lugar que incomoda", acrescenta, alterando o tom do relato.

Leandrinho já tinha frequentado a Arena Corinthians outras vezes, mas quando ainda era muito novo para se expressar com tanta clareza. E também antes de ser diagnosticado.

"Na hora que a Gaviões começou a cantar, o barulho era ensurdecedor, o som sobe. 'Foi uma péssima ideia trazê-lo ao jogo', cheguei a pensar", relata Joyce.

Diante da recusa do filho em permanecer nas arquibancadas, Leandro se recordou de um e-mail que havia enviado na véspera à Arena Corinthians solicitando mais informações sobre uma sala recém-inaugurada no estádio destinada a autistas e acompanhantes. A resposta foi recebida apenas na segunda-feira, já que o atendimento acontece de forma limitada aos fins de semana (informações mais detalhadas podem ser conferidas abaixo).

Numa tentativa de tranquilizar Leandrinho e Leandro, Joyce leu num dos telões da Arena informações sobre um número de celular do estádio para contato via WhatsApp. "Meu marido duvidou que me responderiam com quase 30 mil pessoas nas arquibancadas. Pois para nossa surpresa, quando ainda estava passando as mensagens, me responderam na hora. Foram muito solícitos", conta, ainda com ar de comemoração por ter conseguido iniciar ali o que se tornaria a melhor experiência possível na Arena Corinthians para ela e seus Leandros.

"Extremamente feliz (...) uma sala pensada para quem está dentro do TEA"

"Leandro ali já não queria mais tirar foto, sorrir. Já estava agitado. Aí veio um rapaz muito educado nos pegar, perguntou se teria problema passarmos por trás da Gaviões, se haveria algum problema (por causa do barulho)."

O relato de Joyce é sobre os momentos que antecederam e sucederam a chegada do staff da Arena Corinthians, após as mensagens que havia encaminhado ao número de contato do estádio enquanto ainda estavam no prédio Leste Superior tentando acalmar Leandrinho. A conversa via WhatsApp foi compartilhada no Facebook e recebeu mais de 90 mil interações.

Um funcionário da Arena então acompanhou a família até o prédio Oeste Superior, onde fica o espaço destinado a pessoas com TEA e seus acompanhantes, dando assim a volta ao estádio. Daí a pergunta sobre passar ou não próximo à Gaviões da Fiel, no Setor Norte, onde Joyce, Leandro e Leandrinho puderam ainda ver de perto uma ação das torcidas organizadas com cadeirantes – um de 17 episódios que agitaram Itaquera no último fim de semana.

"O Leandrinho quando viu a sala já mudou totalmente a feição, ficou animado, viu que tinha Lego. É uma sala pensada para quem está dentro do transtorno. Bloco de montar? Isso desperta interesse. Ele já correu, tirou o sapato, foi para o tapume, jogou o Lego no chão e começou a brincar. Nas mesas tinham desenhos para pintar. Abafador de som também tinha. Estávamos ao lado da Gaviões, acima da Estopim (da Fiel), e o som era reduzido em 90%, não se escutava quase nada. Escutávamos mais a televisão, que passava um desenho animado", descreve Joyce.

Crianças e pais podem ver o jogo pelas vidraças panorâmicas quando quiserem. E brincar nos tapumes quando também quiserem. Resumidamente é assim que funciona a democrática dinâmica do tal espaço na Arena. Um funcionário também faz vias de segurança na porta.

Desenhos de emojis espalhados pela sala da Arena Corinthians ajudam autistas de comunicação não-verbal a se expressarem

Folhas de papel com emojis espalhadas pela sala da Arena Corinthians ajudam autistas de comunicação não-verbal a se expressarem

Arquivo pessoal

"O Leandrinho tentou fugir. Saiu correndo da sala, mas o rapaz estava muito atento, já pegou ele rapidinho", conta Joyce, entre risos. "Então podemos ficar tranquilos até para ver o jogo, algo que você não fica geralmente, porque quando você tem um filho autista fica ligado nos 220V, 24 horas por dia. O meu filho não tem noção de perigo, por exemplo. Vai que vai, não mede consequência. Criança já é assim, autista mais ainda, não tem tanto senso de julgamento", explica a mãe.

"Eles brincaram bastante, tinham bastantes crianças. Leandrinho fez amizades, brincaram de pega-pega... Assistiu bem pouco ao jogo. Mas ficou muito feliz. Extremamente feliz de estar ali. Todos ficamos. Porque somos corinthianos roxos. Leandrinho é louco pelo Corinthians."

O bando de loucos no fim das contas não é um só bando. São vários. Cada um com suas particularidades. Considerando a estimativa do Centro de Prevenção e Controle de Doenças, são mais de 300 mil torcedores do Corinthians com transtorno do espectro autista.

A sala adequada a pessoas com TEA, que faz da Arena Corinthians pioneira no acolhimento a autistas no futebol brasileiro, abre as portas assim para um vasto bando de corinthianos que agora também pode chamar o estádio de casa. Ou como é chamada: a Casa do Povo.

Funcionamento do espaço da Arena Corinthians adequado para pessoas com TEA

Procurado pela reportagem, o Corinthians não informou detalhes a respeito de preços e maiores informações relacionadas, por exemplo, a torcedores que tenham interesse em frequentar o espaço mas cujos ingressos para os jogos sejam de diferentes setores.

Caso haja interesse em assistir a um jogo na sala adequada a pessoas com TEA, o clube orienta a torcida a entrar em contato através do e-mail [email protected] ou do telefone (11) 3152-4000 para solicitar informações. O atendimento está disponível de segunda a sexta, das 8h à 20h, e aos sábados, das 10h às 14h.

Localizado no bloco 901 do prédio Oeste Superior, o espaço tem capacidade para 160 pessoas, sendo até 40 torcedores com TEA e 120 familiares e/ou acompanhantes.

Apresentador de TV Marcos Mion, pai de uma criança com TEA, participou da transformação da Arena em estádio inclusivo a pessoas com autismo no último mês de setembro

Apresentador de TV Marcos Mion, pai de uma criança com TEA, participou da transformação da Arena Corinthians no primeiro estádio do Brasil inclusivo a pessoas com autismo, no último mês de setembro

Divulgação

Veja mais em: Especiais do Meu Timão, Arena Corinthians e Torcida do Corinthians.

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