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Análise: Corinthians não sabe mais sofrer e precisa melhorar se quiser coisas boas no ano

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Corinthians vai bem com a bola e consegue controlar quase todos os adversários, mas se defende mal

Corinthians vai bem com a bola e consegue controlar quase todos os adversários, mas se defende mal

Rodrigo Coca/Agência Corinthians

O Corinthians é um time, sabe o que fazer com a bola e tem cada vez mais individualidades aparecendo. A vitória contra a Chapecoense confirma o que já venho dizendo desde o começo do torneio: o time é de meio de tabela e não vai brigar contra o rebaixamento. Uma constatação é necessária: não sabe mais sofrer.

Os grandes e até os médios Corinthians dos últimos tempos tinham várias características diferentes entre si, mas todos sabiam sofrer, como gosta de dizer Tite. O que é saber sofrer? No momento em que o adversário tem a bola, saber travar os principais lances e não deixar que o oponente finalize com perigo.

Tite fazia uma linha baixa, com pouco espaço entre os defensores, impedindo que houvesse criação de qualidade. Carille valorizava o fechamento do funil - um espaço imaginário que compõe a faixa central do campo entre a entrada da área e a marca do pênalti -, além de ter sempre uma linha de quatro defensores formada, sem botes altos e adivinhação.

O time de Sylvinho, com todo o mérito, consegue trabalhar bem a bola, valoriza a posse e tem feito o adversário balançar de um lado para o outro em busca do gol. Nesta quinta, a fragilidade da Chape deixou tudo mais fácil e o gol de até demorou, mas os 15 minutos finais serviram para comprovar que o time definitivamente não tem mais o dom de antigamente.

Mesmo com uma criação sofrível, pouco jogo coletivo e raras individualidades, o time catarinense conseguiu empurrar o Corinthians para trás com facilidade, dominou quase todas as bolas passadas entrelinhas e finalizou quatro vezes do funil na reta final do jogo, algo inimaginável em anos anteriores.

Sem a bola, os corinthianos têm mostrado dificuldades para achar o tempo de abordagem na marcação e não conseguem preencher os espaços necessários, criando incríveis situações de gol diante de um adversário que, até os minutos derradeiros, não conseguira entrar na área alvinegra.

E o filme é repetido toda vez que o Corinthians perde a posse de bola e precisa se defender no seu campo. Foi assim que aconteceu contra América-MG, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Fluminense e nesta quinta, sempre com os rivais sendo capazes de ganhar terreno e levar perigo com muita facilidade, mesmo em jogos nos quais o Timão parecia absoluto.

Esse é o ponto que Sylvinho precisa melhorar daqui para frente, corrigindo posicionamentos e diminuindo a possibilidade dos adversários finalizarem em condição de fazer o gol. Não vai ser sempre que o Corinthians conseguirá ter a posse e o controle do meio-campo.

Veja mais em: Sylvinho e Campeonato Brasileiro.

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