Cuidado e mentalidade vencedora: conheça como é feito o trabalho psicológico dentro do Corinthians

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Djara Fortes é a psicóloga da equipe feminina do Corinthians

Djara Fortes é a psicóloga da equipe feminina do Corinthians

Bruno Teixeira

O preparo mental e o físico andam juntos no futebol. Mentalidade vencedora, confiança e potencialização de desempenho são apenas alguns pontos conquistados com o acompanhamento psicológico em um clube. O Meu Timão procurou se aprofundar sobre o trabalho realizado dentro do Corinthians e traz todos os detalhes.

Para entender a importância da psicologia no futebol, é preciso quebrar alguns tabus existentes na sociedade, já que é algo estrutural pensar que não existe necessidade de acompanhamento psicológico. Entretanto, no desenvolvimento de um atleta de alto nível, a mente rege o corpo, e é por isso que esse tipo de assistência é tão primordial. No Corinthians, algumas categorias ainda não contam com a presença de um profissional da área.

É o caso do futebol masculino profissional, onde não há um responsável pelo acompanhamento psicológico dos jogadores. A assessoria do clube informou ao Meu Timão, inclusive, que essa ausência não é momentânea, já que nunca houve um psicólogo nessa modalidade.

Isso, porém, não acontece com a equipe de futebol feminino, que venceu as últimas duas edições do Brasileirão, foi finalista nas últimas cinco temporadas e é uma das grandes potências da América do Sul. Quem faz esse trabalho desde 2016 com Arthur Elias é a psicóloga Djara Fortes. Ao falar sobre o trabalho realizado, a profissional exaltou o entendimento em relação ao acompanhamento psicológico da comissão e atletas.

"Essa mentalidade forte e vencedora do Corinthians tem uma série de fatores, o psicológico também. A gente atua muito frente a isso e uma coisa que eu acho imprescindível falar é que a comissão técnica acredita nisso, ela dá espaço para que o profissional da psicologia possa atuar. A psicologia esportiva é muito diferente da psicologia clínica. A gente vai pensar em performance e rendimento. O que eu acho importante é que a comissão técnica acredita e dá esse espaço, então, juntos, a gente consegue melhorias. É uma comissão que trabalha muito em prol das atletas como seres humanos e não só como atletas. A gente está sempre trocando o que pode ser feito para melhorar, seja na parte física, técnica, tática ou psicológica. Esse conjunto de pessoas trabalhando nesse mesmo objetivo fez com que tivesse essa mentalidade", contou Djara.

Parelho a isso, a equipe de Free Fire do Corinthians também é acompanhada por uma psicóloga. Gabriela Machado começou no clube em fevereiro desse ano e já vive a rotina dos jogadores.

"Toda quinta-feira é dia de preparação mental. A gente intercala essas quintas-feiras, uma é direcionada para sessões individuais com cada player e outra é direcionada para as dinâmicas de grupo. Essa divisão é feita de acordo com a análise das necessidades do time naquele momento. Nas sessões individuais a gente trabalha técnicas que visam aprimorar e alavancar o desempenho, voltadas para concentração, confiança, desenvolvimento de perspectiva positiva, manejo de estado emocional dentro de jogo, comprometimento, o reconhecimento de pontos fortes e fracos. Nas dinâmicas de grupo a gente trabalha a coesão da equipe, a sinergia, comunicação, confiança, estabelecimento de metas, a fluidez da equipe mesmo", relatou a psicóloga.

Nas categorias de base, a assessoria do clube afirmou que todos são assistidos pelo serviço de psicologia, que conta com dois profissionais da área e nesta mesma estrutura ainda estão presentes a assistente social e a orientadora educacional. Disse ainda que todos os profissionais estão completamente inseridos na rotina de treinamentos e jogos. O Meu Timão, porém, não obteve liberação para entrevistar esses profissionais.

Quanto ao dia a dia do futebol feminino, Djara explicou que está no clube três vezes por semana e nos jogos marca presença com o time. A psicóloga aproveitou para relatar como funciona a rotina com as jogadoras e comissão técnica.

"O acompanhamento psicológico é livre. Eu passo para as meninas a importância de cuidar da saúde mental, a importância de cuidar dos pensamentos, da mente, pensamentos negativos, de potencializar as coisas boas. Fica bem a vontade e a critério delas me procurar e fazer algum trabalho de forma individual. Normalmente, quando eu faço proposta de trabalho em grupo, todas participam, é uma coisa que a gente vai olhar pro grupo e pra várias características não-grupo que é importante trabalhar. Pros jogos e pros treinos a gente vai de acordo com cada jogo, de acordo com o momento do grupo, sempre alinhado com a comissão técnica, sempre vendo a percepção deles, por isso que é importante eu estar nos treinos, pra assistir e acompanhar como é o dia a dia delas, fica mais fácil para propor atividades, seja em grupo ou intervenção individual", disse a profissional.

Na equipe de Free Fire acontece o mesmo. A psicóloga Gabriela expôs que técnico, jogadores e comissão estão abertos ao acompanhamento realizado por ela, tanto de forma individual, quanto em grupo.

"Nunca coloquei as sessões de preparação mental como algo obrigatório, nunca foi uma exigência minha, até porque eu acredito que, para a eficiência do trabalho, eles precisam ver sentido nisso e escolher estar ali. Eu vejo a preparação mental como uma decisão, uma escolha. Já faz um tempo que todos eles comparecem, são meninos muito decididos. Eles participam ativamente do processo, se engajam nas dinâmicas e nas técnicas que são propostas. Quanto mais lógica eles foram vendo nisso, mais eles foram se engajando nesse processo. O coach, a comissão e o manager participam muitas vezes das dinâmicas de grupo, porque eles também são o time. Estamos sempre em contato para feedbacks, pontuações, o canal de comunicação sempre está muito aberto para isso", contou Gabriela.

Assim como a equipe profissional masculina, as categorias de futsal e basquete do Corinthians não contam com profissionais da psicologia para acompanhamento dos atletas.

O mês de setembro, que se encerra nesta quinta-feira, é dedicado à campanha do Setembro Amarelo, destinada à prevenção do suicídio no Brasil. Mais do que nunca, a importância de cuidar da saúde mental deve ser colocada em pauta, ainda mais no futebol, um meio tão exigente e que faz vítimas silenciosas.

Diversos jogadores com passagem pelo Corinthians são exemplo disso. Neto, inclusive, já falou abertamente sobre a situação que viveu em 2015, com episódios de crise de pânico e depressão. Elias foi mais um afetado pela doença, que em 2014 cogitou até abandonar a carreira, algo que aconteceu com Nilmar em 2017, quando encerrou seu contrato com o Santos para buscar ajuda profissional.

Veja mais em: Corinthians Feminino e Corinthians no e-Sports.

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